domingo, 18 de junho de 2017

Crônicas Eternas - Promessa De Uma Tempestade



Para Victor Mesquita
O pirata mais honrado que eu conheço

Inspirado na melhor mesa de RPG da historia


Nenhum homem tem o dever de ser rico.
Mas todos têm o dever de serem honrados.
- Rudyard Kipling


- Vai logo, levanta!
- Me larga aqui...
- Deixa de ser viado, levanta, caralho!
- Eu to com um puta buraco no peito...
- Merda...
- E uma faca nas minhas costas...
- Quem são eles?
- Eu já te falei deles...
- ...
- Você me prometeu isso. Você prometeu!
- E eu irei cumprir. Eu irei...
Eu juro, Hanzo!




 Existem tantos locais sagrados e secretos em Sandria que nem mesmo seres imortais conhecem todos eles. Mas existe um lugar cujas lendas não são ditas, não são escritas, são somente vividas e registradas para aqueles que o conhecem. Seu verdadeiro sentido é somente para aqueles que a conquistaram, mas como bem sabemos, existem aqueles que gostam de fofocar, de inventar e aqueles que gostam de ouvir. Se andar por algum porto ou pegar algum navio corsário ao longo dos nove mares, pode ouvir o nome: Okeah, a ilha maldita dos desalmados. Ninguém sabe onde fica, ninguém sabe quem a habita, mas sabe que quem anda por lá são piratas...os sussurros dizem que somente os mais negros e desalmados e carniceiros e desumanos seres dos mares passam por lá, um paraíso de orgia, drogas, bebida, comida e ouro, tudo para ser gasto em fornicação e adoração a deuses antigos e a muito esquecidos.
 Se realmente fosse assim...aquele homem não estaria cruzando uma de suas pontes agora.


Ilha de Okeah
Meia Noite e Meia
Em algum lugar do Oceano Krake



 William sentia as tabuas rangerem debaixo dos seus pés enquanto caminhava pela ponte. O vento soprou e trouxe o aroma salgado e frio do mal a sua volta e ele se sentiu um pouco melhor. Lá embaixo, ouvia o remar de um pobre homem acelerar quando se lembrou que aquela parte do oceano era habitada por tubarões. O chão, as rochas conhecidas como Pedras Cerimonias serviam como firmamento para todas as estruturas que formavam a tão formosa ilha. Dizem as lendas que sereias negras firmaram essas pedras, cujos fundamentos vão tão fundo no oceano que nenhum homem pode ver seu final, para adorar seus deuses e atrair homens do mar para sacrifícios, até que um dia, tubarões vieram e devoraram essas sereias, firmando território aqui..
 Depois de ficarem séculos abandonadas, essas pedras quebraram e barraram dois navios piratas, os prendendo acima do nível da água depois que a maré baixou. Eles firmaram pontes entre os navios para conseguir interagir e ficaram por um bom tempo ali...até que outro navio veio e também ficou preso, e mais outro e outro...até que finalmente o nível da água abaixou e UM dos navios conseguiu se soltar, levando uma legião de piratas mortos de fome para terra...aquele navio levou o pior do ser humano de volta ao continente que pilhou, saqueou e estuprou tanto que os números são absurdos. Mas quando se cansaram, eles voltaram...trouxeram construtores e começaram a firmar a ilha. Firmaram mais navios, usaram partes de outros, nas rochas mais elevadas construíram do zero e pouco a pouco, Okeah se fez perpetua.
 Uma nação de ladrões, assassinos, bêbados, prostitutas e a casa do melhor Rum e Cerveja que você vai poder ter. Ouro, joias e preciosidades, mapas e pergaminhos, brigas e guerras...tudo se encontra e se inicia aqui. Tudo que acontece nos oceanos tem um começo em Okeah.
 William cruzou a ponte, a viela, o patio onde mágicos faziam truques em troca de ouro, um homem rolava e se pendurava em um precipício para o oceano e tinha as mãos pisadas por uma puta que comeu e não pagou. Em uma mesa ao ar livre, um grupo de mulheres jogava poker e mirava todo homem que passava por perto com raiva...provavelmente tripulação da Madame Horácia.
 As botas do pirata faziam som ao chão de madeira conforme ia cruzando uma infinidade de hotéis, bordeis e casa de jogos, até que finalmente cruzou mais uma ponte de chegou no piso de pedra. Era o caminho do Salão do Capitão, subindo algumas escadas de pedra, você entrariam nele...uma construção de caráter nórdico, grande, para o líder da ilha. Assim que suas botas tocaram o piso, dois passos depois, ouviu o clique de rifles.
 Cinco homens apareciam da escuridão, saindo da vegetação que rodeava as escadas, em diferentes locais, vestindo coletes e chapéus, calças largas demais, presas com cordas em seus quadris, suas peles pareciam queimadas e agredidas pelo Sol...devem ter ficado ali o dia todo.
 - Quem vem lá? - Um deles, um negro alto e forte, em terrenos mais alto, perguntou.
 - William Rogers Mêsquia. - Ao ouvirem o nome, os homens se entreolharam, um deles até abaixou o rifle, tirou o chapéu e coçou os cabelos sebosos.
 - Besteira! - O homem alto voltou a falar. - William está morto! - E o homem que havia abaixado a arma, voltou a aponta-lá. O pirata suspirou e falou em alto e bom som.
 - Pergunta pra PROSTITUTA da Vanda que tá ali dentro quem sou eu então, CÃES! - E o silencio se instaurou. Cães é uma ofensa grave no meio dos homens do mar e isso seria o suficiente para fazê-los apertar os gatilhos...mas poucas pessoas eram loucas o suficiente para se mexer com Vanda, então...tudo que fizeram foi se encolher porque sabiam o que estava vindo.
 O chute fez a porta voar e se chocando em um dos homens, o fazendo cair. Saindo dali, veio uma mulher...a mais linda que muitos homens já viram. Seu corpo era escultural por baixo das botas de couro dobradas, a calça de seda negra colada ao corpo, a camisa de linho por baixo do espartilho vinho com detalhes negros que combinava com suas cabeleira ruiva encaracolada e os olhos verdes. Em compensação, seu vocabulário...
 - Quem foi o cão, filho de uma baleia apodrecida, rastro de homem que copula com harpias que ousou fazer o MEU NOME EM VÃO? - E ela já foi descendo as escadas, batendo as botas, rosnando e balançando a espada...mas estacou quando viu o homem de cabelos negros jogados ao rosto e de pele bem branca...
 - William? - O mesmo sorriu.
 - Oi mãe.
A mulher desceu as escadas, colocando a arma de volta na bainha e abraçando William com cuidado. Os homens que ainda estavam conscientes abaixaram suas armas, boquiabertos pelo fato de que William estava vivo e que Vanda, a mulher sem coração, estava demonstrando afeto em pleno céu aberto.
 Eles decidiram abaixar a cabeça e não interferir.
 William acompanhou a mulher para dentro.


 Nada havia mudado. Nada.
 Piso, paredes e teto de madeira. Era espaçoso, mas ainda assim sufocante pela má iluminação das duas lamparinas acesas e do cheiro de sexo, rum e tabaco. Logo na frente da entrada, um conjunto de mesas e cadeiras estava a sua esquerda, cobertas de poeira exatamente como se lembrava. Na teoria, era para que servissem aos visitantes, mas Vanda e Bartholomew não levavam pessoas para conversar ou beber, e sim para participar de suas orgias ou mata-las em segredo.
 E pensar que ele cresceu ali.
 Mais a frente, um armário grande, com varias prateleiras e sem portas, cheio de bebidas. Originalmente, ele tinha portas, mas arrancaram para facilitar a entrada e saída do álcool, fazendo todo mundo feliz. Um pouco mais a frente, a mesa e a poltrona, cheia de documentos, tinta e pena pronta para escrever em algum diário novo ou propor alguma merda em algum documento.
 E nela estava sentada o homem, terminando de virar mais uma caneca de rum.
 Bartholomew era um homem robusto, braços fortes, cabelos longos presos a um rabo de cavalo e estava sem camisa, exibindo os pelos no peito, só usando uma calça velha de algodão com cor de marfim. Seus cabelos eram negros iguais ao de William.
 - Filho? - Bartholomew, o  pirata, chefe de Okeah, abriu os olhos bem abertos para ter certeza do que via.
 - Oi. - William se limitou a responder.
 - Boatos vieram de que você tinha morrido.
 - Boatos. Nada mais. - Ele respondeu, secamente como sempre. Bartholomew bufou.
 - Por que tem que ser tão rude? - O pai perguntou ao filho, sem se levantar. - Por que tem que ser assim comigo?
 - Tenho meus motivos. - O rapaz se limitou a responder. O pai bufou e tomou mais um gole da caneca antes de se levantar e caminhar até o armário, pegando outra garrafa.
 - Do que você precisa? - Dessa vez foi Vanda que disse, colocando as mãos nos ombros dele e falando perto do seu ouvido.
 - Eu ouvi dizer que tem uma caravela sua indo para o Oriente. - William começou, atraindo o olhar do seu pai. - Vão para o Arquipélago de Shun-Gun. O tratado de paz está sendo um sucesso, pelo visto. - Bartholomew riu.
 - Mal voltou e já sabe de tudo. Boa, garoto. - E ele voltou a se sentar. - Então...vamos fazer assim...já que você sabe de tudo, que tal eu também saber? Hm? - O tom de voz do pirata mudou. - Como foi que você sobreviveu...e o que aconteceu com o meu navio e meus homens?
 - Fíbios. - William se limitou a responder. - Aos montes. Afundaram tudo e mataram todo mundo. Entrei em um bote salva vidas quando amanheceu e consegui achar terra antes de escurecer de novo. Eu fiquei naquele pedaço de terra por três meses até conseguir pegar uma carona com alguns marinheiros de Ulkovia. Convenci eles de que eu era um comerciante e, pra minha sorte, o navegador deles tinha morrido de escorbuto...e eu era bom nisso, garantiu minha ida para a civilização.
 Bartholomew trocou olhares com Vanda antes de dizer.
 - Tem alguma prova?
 Fíbios são criaturas do mar que parecem uma fusão de homens com salamandras, sempre uma cor azul com manchas pretas, eles atacam navios esporadicamente quando precisam se alimentar ou quando adentram demais seus territórios de caça e já foi provado que o território muda de acordo com suas vontades, fazendo assim, suas investidas totalmente aleatórias. Seu único ponto fraco, aparentemente é a luz do Sol, que os queima como se fossem vampiros. Eles são bem altos, escalam muito bem e suas bocas podem abrir até caber um torso humano.
 Por isso William deixou seu casaco cair, abriu sua camisa e deixou bem amostra as cicatrizes dos dentes que iam da sua esquerda para a direita.
 Bartholomew e Vanda ficaram calados e boquiabertos.
 Ele voltou a se vestir propriamente e disse.
 - Eu quero uma carona até os Arquipélagos. Quando seus homens vão partir?
 - Amanhã. - Bartholomew respondeu. - Você terá sua carona. - William só concordou quando começou a se retirar. - Mas...para que?
 O pirata olhou para cima de seu ombro e só respondeu.
 - Cumprir uma promessa.
 E começou a sair.
 Vanda olhou para o marido, ainda pasmo e reclamou mentalmente. Ela saiu e o acompanhou.
 - Pode me esperar?
 - Relaxa, Vanda, eu prometi que não ia matar o maldito, então eu não irei. - William continuou a caminhar e Vanda continuou a acompanha-lo.
 - Ele mandou navios atrás de você.
 - Não mandou não. Eu teria visto da ilha em que estava qualquer navio que seguisse a rota que seguimos. Mas, relaxa, eu não estava esperando nenhum. Meu pai só se importa com suas vendas e fortuna, não com seus filhos.
 - Você é o único filho que ele tem.
 - Fala isso para as prostituas de cada porto. - Vanda respirou fundo e continuou seguindo o rapaz.
 - Onde vai ficar?
 - Consegui um quarto em cima do Bar da Dora. A comida é boa e a cama tem lençóis limpos.
 - Pode ficar lá em casa.
 - Vanda, eu amo você, sério. Quando minha mãe morreu, você tomou conta de mim melhor do que ela. Pra mim, VOCÊ é minha mãe. - Isso tirou um sorriso da Ruiva. - Mas eu já passei uma parte da infância ouvindo meu pai copulando com outras mulheres, não to afim de reviver isso. - Ela engoliu em seco.
 - O que vai fazer amanhã?
 - Seguir para um local especifico. - William apertou o passo e Vanda continuou a acompanha-lo.
 - Vai fazer o que?
 - Já disse, cumprir uma promessa.
 - Pra quem? - Ela quase gritou. William parou de andar. O pirata olhou fundo nos olhos de sua mãe adotiva e disse.
 - Não importa pra quem seja. O que importa é que eu coloquei minha palavra a prova. Ponto! - E começou a caminhar, mas Vanda ficou parada.
 A pirata ficou olhando para o rapaz de cabelos negros se afastando e respirou fundo. Ele tinha crescido e muito.
 - Você é um homem melhor que seu pai. - Ela disse, em voz alta.
 - Eu sei. - Ele gritou de volta.
 Vanda seguiu seu caminho de volta ao seu marido, William seguiu seu devido caminho de volta a sua estalagem.
 E após alguns passos, ele sussurrou.
 - Obrigado.


 Capitão Odis foi o homem responsável pelo navio que iria conduzir o ouro para comprar as mercadorias do Arquipélago. Ele chegou logo quando o Sol estava nascendo para preparar tudo junto com seus imediatos.
 William já o esperava.
 O rapaz tinha os cabelos negros jogados para o lado, trajava botas que se dobravam na metade das canelas, ficando por cima de uma calça preta, que combinavam com a jaqueta de mesma cor por cima de uma camisa branca e limpa de algodão. Uma espada estava em sua cintura, um bandoleira com cartucheiras cheias cruzava seu torso. E sua bagagem era uma sacola de couro, com a ponta amarrada a corda...
 Um saco bem grande.
 Ciente da inclusão do filho do chefe, Odis logo foi gentil com ele, oferecendo a ele sua cama reserva, o colocando longe dos marinhos para poder dormir. Não deixou que ele mexesse um músculo para ajudar em nada e já tratou de dar a ele algo de comer.
 Achou que paparicando-o iria conseguir favores do chefe. Pobre coitado...virou piada da tripulação inteira logo no terceiro dia.
 Após 15 dias de navegação, William já tinha certa reputação entre os marinheiros, mais pela suas habilidades nas cartas do que suas historias, mas principalmente pelo que aconteceu naquela noite.
 Nuvens negras foram vistas ao norte e como estavam seguindo para leste, não se preocuparam, mas os ventos mudaram e trouxeram a tempestade para eles. Ondas gigantes, trovões e chuva pesada testaram o melhor da tripulação. O choque do mar contra a embarcação parecia a fúria dos deuses e Odis se mostrou um capitão competente no final das contas, liderando, não deixando a moral cair e organizando os homens...mas no fim, a natureza se mostrou mortífera quando o mastro começou a rachar. A esperança de todos morreu...até que William agiu.
 O tempo todo ele ficou no seu quarto, confiando nos homens...mas quando começou a ouvir os lamentos, foi analisar a situação e viu que tudo se perderia em poucos minutos.
 Se equilibrando como um elfo, William saiu e foi banhado pela chuva. Alguns homens olharam para ele, iriam gritar por ajuda ou para voltar para dentro...mas eles se calaram ao ver seus olhos totalmente brancos...
 Ele subiu até o timão e o segurou e começou a se concentrar.
 Subitamente, os ventos começaram a diminuir...as ondas acompanharam, mas a chuva continuava pesada, mas tudo bem, nenhum dos homens era feito de açúcar. O vento então começou a soprar forte de novo...mas a favor deles. Todos olharam, incrédulos, enquanto o sopro dos céus empurrava a caravela para longe do inferno...em questão de minutos, tudo havia passado...logo as nuvens estavam fora de alcance e tudo estava bem.
 Poucos homens viram o que William fez...seus olhos brancos e quando tentaram falar com ele, William logo se trancou em seu quarto pessoal...respirando fundo e tentando estancar o sangue no nariz.
 - Ainda não... - Ele rosnou. - Ainda não...


 No final do segundo mês, William pegou suas coisas e jogou no bote, já pendurado, querendo sair logo dali. Odis não puxou mais seu saco após ouvir os boatos do que William havia feito, mas o "respeitou" mais ainda, mas sempre a distancia. Os homens, continuaram jogando cartas com ele, mas sempre medindo suas palavras.
 William deu graças aos deuses que estava finalmente saindo.
 - Então...é pra lá que você vai? - Perguntou Odis, olhando para a ilha no horizonte. - Podemos deixar mais perto se quiser. Vai passar o dia todo remando pra chegar lá.
 - Eu aguento. Obrigado por tudo. - William se limitou a responder.
 - Ela não está mapeada. - Disse o navegador.
 - Não importa. - William repetiu, o tom mais ríspido. - Me deixa ir. - Ele falou, olhando para todos. Os marujos logo o abaixaram e ele começou a remar.
 E remou o dia todo.


 Seus braços queimavam, mas William não parou. Queria terminar aquilo...queria poder acreditar no que viu aquela noite, em tudo que aconteceu...
 William caminhou pelas praias até começar a entrar na mata...quando as arvores se levantaram e ouviu o som dos grilos, ele parou e observou tudo aquilo.
 Foi quando abriu sua mochila pela primeira vez a viagem inteira. E dela, tirou uma bússola.


 " Ela não aponta para o norte. Aponta pra morte. "

 A voz ecoou nas memorias do pirata, que engoliu a seco quando a bússola apontou para o seu lado esquerdo...ele guardou o instrumento no bolso da jaqueta e pegou o ultimo item na mochila, antes de joga-lá fora.
 Uma Katana.
 Colocou a arma ao lado da sua espada, bem presa ao cinto, pegou a bússola de novo e voltou a caminhar..adentrando a floresta daquela ilha perdida no oriente.
 William caminhou para dentro...sem olhar para trás.
 Caminhou, desviando de buracos, arvores e sempre seguindo o rumo em que a bússola apontava.
 " Não é um trabalho fácil, mas eu tenho que fazer essa merda. "
 As memorias vieram, as palavras mais fortes do que nunca...logo estaria acabado mas ele nunca seria o mesmo e ele sabia disso.
 Ele soube que estava chegando perto quando estatuas podiam ser vistas. Eram leões de pedra, em cima de pilastres, com os desenhos típicos orientais, mirando o nada com seus olhos vazios. Ele continuou andando e outras imagens apareceram...destruídas, quebradas, eram monges, tigres, garças e deuses esquecidos...
 Mas por fim...ele chegou.


  O Templo, no meio da clareira, decadente em tons de cinza, com marcas do tempo, pedaços faltando de suas janelas e seus telhados teriam feito William se sentir no fim mundo...não fosse as duas estatuas que estavam bem na porta do local.
 O fizeram sentir na entrada do inferno.

 " Nosso templo tem estatuas. São os monstros que os Akechi mataram ao longo de suas vidas, os lordes de Jigoku. É para nos lembrar do nosso dever, de nossa honra...e para atrair qualquer Youkai burro que se atreva chegar perto.
 Logo na porta, estará Osuku e Osuru...os Irmãos Necrófilos. "

 - Que tipo de infância, vida, treino, você teve aqui, meu amigo? - William pensou em voz alta. Ele não conseguia imaginar alguém crescendo ali ou aprendendo coisa alguma...mas, em quesito de "lares" o dele não era o melhor...e por fim, acabou se saindo muito bem, melhor do que a grande maioria.
 -  O tipo único, eu diria.
 A voz veio como um ataque surpresa, um animal perto demais de seu ouvido, rosnando as palavras com uma voz grossa e quase encantadora. William desembainhou a espada e se virou, cortando a nevoa e nada mais, ele logo pegou a bíssola novamente e a olhou...
 Ela girava.
 A Bússola de Izanaki tinha uma função: Apontar para qualquer tipo de presença demoníaca, quanto mais poderosa, mais firme a agulha fica...
 Ou quanto mais cercado você está, mais rápido ela gira.
 - Está longe da toca ou do seu habitat, lobo do mar...o que faz aqui, se não procurar sua própria morte?
 A voz não tirou a concentração do pirata, que viu as sombras se formarem ao seu redor, se erguendo e tomando o formato de corpos dilacerados, ossos e órgãos expostos ou pendurados, armas se fazendo em suas mãos, mais parecendo foices e ferramentas de jardinagens do que qualquer outra coisa.

 " Trabalhadores estavam lá. Eles também sabiam lutar. Eu conhecia cada um deles. Sabia seus nomes e bebia com eles quando podia, ouvia suas historias. Eles foram as primeiras vitimas. "

 William guardou o instrumento no bolso da jaqueta e respirou fundo.
 Os espíritos corrompidos começavam a marchar para perto e William rosnou, bem no fundo da garganta. Com a mão livro, pegou a katana no cinto...e puxou a arma para fora de sua bainha. O tilintar do metal fez todos pararem um segundo...mas não o pirata. Ele não.
 William saltou e avançou como um tubarão ao localizar a presa. Seu primeiro alvo recebeu as duas laminas, um corte seguido do outro, com os olhos atentos do pirata observando o corte.
 A sua espada, seu sabre, passou direto, como ferro quente em um manteiga, mas a katana, essa sim fez um corte...um que separou o espirito e ainda o fez gritar de dor antes de se desfazer em fumaça.
 Ele não parou...ele começou a girar e a atacar, com ambas as laminas, seguindo seus instintos, suas experiencias, ele deixava tudo sair quando ficava assim...entrava em seu modo de combate.
 Como uma tempestade em forma humana.
 - Onde conseguiu isso?
 A voz não o fez recurar nem um pouco, mas parece que serviu de gatilho para os possuídos, que começaram a se amontoar ao redor dele, atacar com mais ferocidade, como se tivessem sido treinados para isso e foi ai que o pirata viu que ia precisar se defender além de atacar e, por mais estupido que tenha parecido, William decidiu fazer outra experiencia. Ele colocou seu sabre de ferro puro no caminho de uma das foices e, por sorte, benção ou um leve deslize do mal que reinava o local, segurava...
 - Okay. - Ele pensou consigo mesmo - É como se eu tivesse uma espada e um escudo!
 E voltou a atacar. Os espíritos explodiam como se fossem bolhas negras, rugiam para o céu e pareciam atrair mais e mais deles, o que não parou o rapaz, que cortava e se defendia a todo momento, sem nenhum arranhão...até que um dos atacantes colocou mais peso na pá em que segurava do que devia...e o fez tropeçar um pouco.
 William gritou quando recebeu o corte nas costas e caiu no chão...e como se o tempo desacelerasse pra ele, ele viu o solo crescendo em sua visão. E crescia, crescia...e ele se lembrou mais uma vez de uma parte do seu passado, aquelas palavras...

 "Eu prometo".

 As mãos de William interromperam a queda, mas não o movimento. O pirata, de cabeça para baixo, girou as laminas rente ao chão e as pernas para o ar. O fluxo de vento veio...violento e afiado. O movimento durou um segundo...mas quando William se levantou, seus olhos estavam brancos como a lua.
- Não...
 William largou seu sabre e levou a katana até suas costas, segurando-a com todas as forças dos seus músculos...e como a bala de um canhão, ele cortou em circulo, rugindo o mais alto que podia.
 - UAAAAAAAAAAAAAAAA! - Ventos cinzentos causaram o som de explosão e com ele o fim de todas as ameaças presentes. O tornado balançou as arvores e por um segundo que fosse afastou a nevoa maldita, revelando um céu negro noturno e um gramado verde escuro...
 Por um segundo que fosse, tudo ficou em paz.
 Mas logo a nevoa voltou...e com ela, uma garoa fina...que logo tornou tudo mais macabro.
 - Impressionante.
 - Sai logo dai. - William gritou conforme a chuva aumentava. - Eu venho aqui...em nome dos AKECHI! - A chuva e os trovões foram as únicas coisas que poderiam ser ouvidas durante um tempo...até que as portas dos templo se abriram. O estrondo da madeira foi acompanhado de passos pesados da criatura e do assombro de William...que nunca viu nada igual.
 - Muito bem, pirata. - Sua voz era mais grossa e marcante pessoalmente. - É a primeira vez que vejo um da sua raça querer acertas as contas de um morto.
 Ele parou...e encarou William bem fundo nos olhos.


 - Mas primeiro, me ouça.- O pedido do demônio era incomum...mas não tinha muita coisa que o pirata pudesse fazer. - Meu nome é Kirikuma, filho do Ancestral Negro...mas eu duvido que você saiba de quem eu falo. Digo isso porque sua aparência é das tribos ignorantes ao Oeste.- William piscou duas vezes ao ouvir aquilo...ficou ofendido, mas um pensamento percorreu sua mente, o qual o fez deixar rolar mais um pouco.
 - E ainda focado em aparências, eu posso dizer que não percorre em suas veias nenhum sangue digno. Deverás que não. Você, nada mais é do que um simples...hm... - Ele ficou perdido em pensamentos e desviou o olhar para os céus por um segundo. - Não sei como dizer isso, mas...CÃO parece uma boa palavra...sim...um simples cão sem nenhuma linhagem. - E voltou a olhar vidrado para o pirata. - Você usou a Ferida do Vento, a habilidade dos Akechi. E eu quero saber como. - E quando ele foi desembainhar a katana, os instintos do pirata dispararam.
 William saltou para a frente, a aura de ventos tomando conta de todo seu corpo, um corte mirando o tronco do oponente, na diagonal, seria limpo...se não fosse pelo ante-braço de Kirikuma impedindo a lamina e rosnando.
 - Homem mal! - E sorrindo com seus dentes tortos. Um pavor primordial tomou conta de William que usou a mesma aura para se puxar para longe, se jogando para trás. O Youkai segurou no tornozelo do pirata, apertou com força e antes que o rapaz pudesse gritar de dor, Kirikuma o levantou e desceu para o chão com toda força que se cabia no momento. Quando o corpo do pirata quicou, o demônio girou seu corpo e acertou a boca de seu estomago com um dos seus "pés". William girou pelo solo, adentrou a floresta novamente com o corpo mole.
 William não conseguia respirar ou acreditar naquilo...ele já tinha enfrentado coisas bem grandes e poderosas ao longo dos anos, como monstros marinhos, fantasmas e traidores. Tinha recebido surras diversas, de punhos a paus e porretes. Tinha sentido o gosto do aço das espadas e o ferro das balas, tinha quase sufocado pela fumaça e pela água...mas aquilo? AQUILO?! Um demônio físico, em carne e osso, partindo suas costelas e causando sangramento interno eram outros quinhentos...tudo aquilo foi pequeno comparado a aquela dor, a tontura, a falta de ar...tanto que William se perguntou como continuou vivo. Se perguntou ainda como não soltou a katana e nem sua espada.
 - Os Akechi são seres abençoados pelos deuses covardes que cultuavam. - Kirikuma começou a explicar enquanto andava. Ele estava longe, pelo menos uns vinte metros e se movia sem pressa, mas sua voz ainda parecia na mente do pirata. - Ajinzi, Deus dos Ventos, deu um pouco de seu sangue ao patriarca da primeira geração da família e o dom da Ferida do Vento, o controle do elemento ar de forma ofensiva, foi conquistado por eles...uma família das sete abençoadas, condenada a caçar minha raça até o fim dos dias. - E ele riu. - Perdão por ficar me explicando, mas o que eu mais odeio do que um ser que vive na ignorância é um ser morrer ignorante. - William forçou um braço pra se levantar, mas quase gritou de dor antes de cair ao chão novamente.
 Decidiu respirar...pouco a pouco...uma lufada de ar de cada vez...cada vez mais ar...mais e mais...até seus pulmões se expandirem e colocar suas costelas no lugar...

 " Nós, Akechi, nada mais somos do que soldados dos deuses, seus anjos...somos tudo o que precisamos ser para assegurar que nenhum mal domine esse mundo. Mas também estamos aqui para inspirar, curar e servir. Veja, esse dom que eu tenho, que toda uma família tinha, tudo isso não se resumia a destruir, e sim em enfrentar o mal. O mal não é só na forma de um Youkai, mas também na preguiça, na luxuria, no crime, nas feridas...então, podemos também influenciar, curar com isso. É isso o que somos, os Akechi. Podemos ser um furacão no olho da tempestade...mas também podemos ser a brisa no fim do verão. Essa é a Ferida do Vento. "

 William se deitou no chão e respirava fundo, imitando como se estivesse em uma cama. O vento entrava em seu corpo, se transformava e achava suas feridas...seu corpo inteiro começou a coçar por dentro, mas a sensação era mais engraçada do que qualquer outra coisa e o fez se sentir melhor e mais preparado para o desafio.
 - Não desfaleça ainda. - Kirikuma disse,chegando mais perto. - Eu ainda quero saber. Como conseguiu tal coisa? Convenceu Ajinzi? Conseguiu comunicar-se com um deus? Não, eu duvido muito...ah não ser que... - Quando disse isso e estava perto o suficiente, William levantou....ele nem se apoiou, simplesmente foi dominado pelo poder passado a ele e se jogou contra seu inimigo...seu punho acertou o maxilar deformado do Youkaie o fez dar dois passos para trás. O pirata pegou impulso e começou a atacar, mas Kirikuma era rápido e se recuperou, já se defendendo com sua própria lamina, uma katana grande e pesada, de lamina negra e bem afiada.
 William não se intimidou, já girou seu corpo, com ambas as laminas brandidas e golpeando o melhor e mais rápido que podia. No começo, o demônio nem mesmo se surpreendeu com tudo aquilo, nem com os olhos brancos do garoto, nem com sua velocidade...mas quando começou a atacar, sentiu uma pontada fria atravessar seu pescoço. Seus ataques eram precisos, sua envergadura impecável, mas o pirata defendia tudo...com dificuldade, mostrando dor em expressões carregadas ao segurar golpes tão fortes, mas não deixava o sangue jorrar...não deixava.
 - É a Katana! - Youkai gritou. - É assim que você tem a Ferida do Vento. É assim! Quem quer que tenha te passado isso, o Akechi colocou seu dom na arma! É possivel! Eu sei que é! - Seus golpes se tornaram lentos, esperando que William entregasse alguma reação, alguma palavra que confirmasse tudo, mas não. O rapaz continuava golpear, seu estilo acrobata e improvisado, golpeando com sabre e katana aleatoriamente, mas organizado o suficiente para saber quando o demônio ia atacar e defender. O temperamento de Kirikuma ia subindo, enquanto o olhar frio e maligno do pirata continuava lá. Mesmo com seu coração acelerando e seus músculos a reclamar, William não recuava.
 - BASTA! - Kirikuma gritou e voltou a atacar. - BASTAAAAA! Eu matei cada Akechi, cada samurai maldito, os de sangue, os bastardos, eu não deixei NENHUM para trás! - William só ignorava e esperava uma brecha. - EU NÃO SEREI PARADO POR UM FALSO PROFETA COMO VOCÊ! - E então o Youkai levantou sua arma negra para o alto para cortar o mais forte que podia com ambas as mãos...
 William levantou as duas laminas e as cruzou na altura dos pulsos de Kirikuma, deslizando a lamina por sua carne apodrecida. A lâmina do sabre nada mais fez do que um corte superficial, mas a katana arrancou a mão do demônio, a deixando presa no cabo da sua arma. O mesmo rugiu de dor, rugido que fez a nevoa se intensificar e contorna-los. William se joga mais uma vez, cortando com a katana, mas tudo que acertou foi fumaça...e logo o silencio dominou.
 Respirando pelo nariz e tentando usar seus poderes para se recuperar, William olhava para todos os lados...segurando as suas armas com o máximo de firmeza, esperava um ataque sem mais nem menos, ele queria poder ter a liberdade de se mover, colocas as costas em uma arvore para não receber nenhum ataque surpresa, mas sentia que se saísse do seu circulo seguro, morreria.
 - De fato...sua inexperiência é palpável apesar de tudo. - Com a voz, veio a ideia e com a ideia, veio o ataque. Tarde demais! William só pensou em fazer uma lufada de ar poderosa o suficiente para dispersar a nevoa quando a mão forte de Kirikuma o puxou e o esmagou contra uma arvore. A nevoa se tornou mais densa, mas ele podia ver perfeitamente os olhos brilhantes e cinzentos do demônio bem a sua frente.
 - Fim de historia, garoto do mar. - E segurou a lâmina da katana, fazendo sua carne chiar e derreter...e mesmo em agonia, ele continuou. - FIM! - E em uma torção que tomou muito dele, Kirikuma quebrou a arma.
 - NÃO! - William gritou, mas foi empurrado novamente contra a arvore, tanto que ouviu algo estalar. Torceu para que fosse um galho.
 Kirikuma começou a rir descontroladamente...até que começou a gritar aos céus, dispersando a nevoa.
 - VEJA, PAI! VEJA! OS AKECHI ESTÃO MORTOS! SEU ULTIMO FILHO O FEZ! VEJA PAI! É PARA O SENHOR! VEJA! SANDRIA LOGO SERÁ NOSSA!
 - Filho de uma puta. - Rosnou o pirata, atraindo a atenção do monstro. OYoukai acabou reparando que mesmo com a lâmina quebrada ao meio, o pirata não a soltou. - Essa katana...era muito importante!
 - Não tem o direito de reclamar. - O demônio rosna. - Você tomou poderes que não eram seus! E pra que? Fama? Fortuna? Quer os tesouros do templo? O que te fez vir aqui?
 William trincou os dentes e soltou seu sabre...segurou o pulso do demônio e quase riu do olhar de surpresa dele quando viu que seus olhos estavam brancos.
 - FOI UMA PROMESSA! - William rugiu e seus cabelos se levantaram com o tornado que começou a se formar ao seu redor. - UMA PROMESSAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! - E com o grito, balançou o que sobrou da antiga arma de seu amigo e cortou o braço do Youkai.
 Kirikuma rugiu novamente e deu dois passos para trás, mas William apoiou os pés na arvore e se jogou para frente, usando os ventos nos pés...golpeando e corta o demônio ao meio. As pernas para um lado, o tronco para o outro, sem um braço e sem uma das mãos...Kirikuma cai, incrédulo e estupefato, mirando um céu negro.
 William rolou pelo chão e ficou de pé logo em seguida. Respirando com dificuldade, engoliu a seco e tomou um segundo para ver a imagem.
 Kirikuma estava em pedaços, mas ainda estava vivo.
 - Hanzo Akechi. - William disse, atraindo o olhar fixo e em choque do Youkai. - O nome dele era Hanzo Akechi. -O pirata começou a caminhar até a parte superior dele. - Dei carona pra ele em um dos meus navios um dia, passando para comprar mercadorias pro meu pai. Nada demais. Conversamos muito, tínhamos pouca coisa em comum...deve ser por isso que tínhamos muito a aprender um com o outro. Ele me contou sua historia, de sua família...de como precisava chegar aqui pra te matar...de como toda sua família foi morta por veneno colocado em suas comidas e bebidas em uma noite...por um demônio covarde e sádico que não sabia lutar direito. - William ficou perto, de pé, olhando nos olhos da criatura. - Nada mais do que um verme que controla monstros, até mesmo marinhos, para atacar em massa um navio pouco preparado para tal confronto...matando todos que veem pelo caminho porque nunca foi bom o suficiente para matar um Akechi no mano a mano. - Ele gesticulou e olhou para o que sobrou da katana. - A arma era mais uma lembrança, um pedido, um item de honra...Hanzo me deu em seu leito de morte. Acho que até mesmo um AKechi fraqueja e fica desatento depois de matar 98 Fíbios seguidos. E então, ele me passou seu dom...falando algumas palavras que nunca vou conseguir lembrar, mas...não, nunca foi a katana, seu merda. - Ele respirou fundo, o vento começou a soprar forte. - Nunca foi a arma. Hanzo me pediu pra te pegar. Pra matar quem matou o seu clã e sua familia, pra matar quem destruiu o sonho de um mundo puro e que foi um covarde. Eu prometi. Eu coloquei minha honra em jogo por isso. Ele era meu amigo. E você o matou. E eu to aqui pra isso...pra te matar...pra olhar o medo nos seus olhos quando eu te dizer: Os Akechi ainda vivem. EM MIM! Eu sou William...e eu...EU SOU A FERIDA DO VENTO! - E por fim, levantou a arma bem alto na cabeça e a abaixou, cravando o que restava de lâmina no peito da criatura.
 Pelas fúrias das palavras, pela emoção presa em seu espirito, pela força de seus músculos, o poder contido no corpo de William se expandiu por inteiro.
 E até mesmo no Oeste, dizem que puderam ver um tornado, gigantesco, cinza e poderoso...o suficiente para fazer chover no oriente inteiro por 3 dias seguidos.
 A promessa...estava por fim, concluída.



 William voltou pra casa. Ninguém sabe como. Ele recolheu alguns homens, montou uma nova tripulação e zarpou ao mar novamente, isso após mandar um ferreiro concertar uma certa arma. Ele zarpou para o oriente, onde recrutou mais homens e junto com os segredos dos dois lados do mundo, desbravou os mares e cavernas e locais sagrados, construindo fortuna e criando uma tripulação diferenciada dos demais, mais forte, mais preparada, mais honrada...tudo o que um bom capitão poderia querer.
 Dizem que William enfrentou os Centauros do Continente Central e roubou seus arcos, aprendendo a usa-los. Outros dizem que jogou cartas com o próprio Capitão Thirion, o Corvo. Mas, poucos dizem que, periodicamente, principalmente no fim do Inverno, William para em uma praia no Oriente, em uma ilha não mapeada, onde deixa seus homens descansando e contando espólios. Ele entra sozinho na mata onde existe um templo, bonito, em ordem, que dizem também que foi o próprio William que o reconstruiu. Ali, o pirata fica algumas horas no local, treinando suas armas...e observando um tumulo, em silencio.
 E assim ficou conhecido William Rogers Mêsquia...um homem cheio de mistério, um matador de demônios, protegido pelos deuses...
 Mas acima de tudo...um homem com honra. Capaz de manter as mais perigosas promessas...mesmo nas piores tempestades.

 Bebeis, amigos, yo-ho!


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