sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Crônicas Eternas - Dançarino da Lua Minguante


" Quando um samurai diz que fará algo, é como se já o tivesse feito.
 Nada nesta terra o deterá na realização do que disse que fará. "
Bushidô, Código Samurai.


Para Cody
Meu amigo


 O Oriente do mundo de Sandria não é para pessoas fracas.
 Apesar de ser um terra civilizada, lendas e mitos tomam vida em proporções escandalosas e enigmatísticas. Fantasmas rondam as tumbas, protegendo seus descendentes e senhores. Espíritos Malignos sussurram nos pântanos e florestas, atraindo vitimas. Monstros rondam estradas e vilas atrás de pessoas descuidadas. Youkais tomam diversas formas para espalhar destruição e matança. E bruxas puxam os fios de magia negra, tentando distorcer a realidade a seu favor.
 Desde a Primeira Era, guerreiros se levantaram contra tais criaturas para que a civilização e a raça humana tivesse uma chance de crescer em tal território, afinal, se um guerreiro não pode guardar o próprio solo de sua casa, ele não é um guerreiro, muito menos um homem.
 Tais esforços e sacrifícios foram recompensados e registrados, a Era dos Heróis veio e passou, cidades foram construídas e os monstros recuaram para cavernas, grutas, lagos e dimensões sombrias. Todos viram aquilo como vitoria, como algo que foi superado e que, talvez no futuro, pudesse ter de ser enfrentado novamente. Mas houve aqueles que entenderam a real razão por trás de tudo aquilo.
 Os demônios só permitiram que os humanos tomassem conta por causa de seu apetite. Tratando a situação como "cuidar de seu gado", eles deixaram que se proliferassem para que, quando sentissem fome, não tivessem que consumir uns aos outros ou animais sem o sabor da alma...eles tomariam os humanos que vissem pelo caminho.
 Esses mesmos guerreiros formaram uma linha de frente contra essa "ameaça adormecida". Ordenados secretamente pelo Xogum, no começo da Segunda Era do Oriente, nasceu os Três Tesouros da Sol Nascente.
 As Sombras Assassinas foi um clã de Ninjas especializado em investigar, caçar e matar qualquer força sobrenatural que esteja disfarçada de ser humano e impedir a queda de alguma civilização.
 Os Monges do Monte Urunio formaram a Sociedade da Lótus, vagando por todos os lados do continente, com suas orações, purificando tudo por onde vão, erguendo templos e afastando demônios com suas auras puras...ou com seus punhos ferozes.
 E os Samurais...formando os Dançarinos da Lua Minguante, andarilhos que seus poderes concedidos pelos deuses, destroem qualquer forma de mal, com suas katanas abençoadas e corpos bem treinados.
 E um deles, agora mesmo, está na caça.
 A historia começa agora:


Terceira Era
Outono
Poucos dias para o Inverno
O Samurai caminha sozinho

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 Os chinelos de madeira não faziam nenhum ruido ao caminhar pela estrada de terra batida. O quimono azul, as calças brancas eram um pouco pesados em seu corpo, mas era preciso para poder suportar o frio. O Samurai não gostava muito de sobretudos, então não os usava de maneira alguma, além de ocasiões formais. Nas costas, uma bolsa, a corda que a enrolava sendo segurada pelo braço esquerdo. Na boca, um trigo, o qual mastigava calmamente.
 O guerreiro não era muito alto. Seus ombros eram largos e seu físico era ao estilo mais atlético, bem ao estilo Samurai. Seus cabelos eram negros e caiam um pouco sobre os olhos castanhos e seu rosto era liso, sem nenhum fio de barba, deixando a pele bem branca a mostra.
 As arvores ao seu redor formavam uma especie de túnel com suas folhas densas e escuras, deixando poucos raios de Sol entrarem no lugar. A floresta ao redor do Samurai era densa, pouco espaço para caminhar, pouco para se ver mas muito para se ouvir: Corujas, cigarras e grilos, todos em uma cantoria em perfeito ritmo, como a natureza poderia propor.
 Após alguns minutos a mais de caminhada, o guerreiro chegou em uma encruzilhada. A sua frente, o caminho desceria e ele não sabia onde iria dar. A sua direita, a estrada continuaria reta, dando uma curva que o mandaria de volta ao vilarejo de onde saiu.
 Ele foi para a esquerda. Para baixo. Em direção ao pântano.
 O frio começou a assoprar um pouco mais, mas o Samurai sabia que não era algo natural. Ele continuou a caminhar e o som de sapos era predominante, conforme ele teve que escolher melhor seus passos em pedras e terrenos mais firmes, a lama começava a ficar escorregadia. As arvores começaram a ficar curvas, suas folhas eram grandes e caídas, uma nevoa dominava certos pontos da passagem quando ele encontrou uma ponte de madeira, não muito alta, só para evitar que qualquer um tivesse de andar naquele rio rançoso do local. A madeira rangeu sob seus pés quando ele passou por ela, logo voltando caminhar em lama seca.
 Ele andou por mais um túnel de arvores, caminhando sempre reto...quando pontos luminosos começaram a aparecer. O Samurai olhou para cima e pontos luminosos, pequenas estrelas azuis, caiam como neve...o céu, apesar de escuro agora, tinha uma lua cheia, que brilhava e iluminava tudo palidamente.
 O Samurai ficou ali, entretido, com seus pontos de luz e até mesmo chegou a sorrir...foi quando ouviu o barulho de água caindo em intervalos um pouco mais a frente. Como se estivesse em transe, andou calmamente até a fonte de tal ruido.
 Logo a frente, uma lagoa se abria e diferente do local, era limpa, limpa o suficiente para se ver o seu fundo...e em sua beirada, uma mulher se banhava.


 As tatuagens e o modo como o cabelo estava amarrado indicavam que fazia parte da Torah, organização criminosa com um rígido código de conduta. Com a luz da lua, os pontos caindo e o modo como seu corpo recebia as jogadas de água...era pura poesia viva.
 Quando o Samurai chegou perto, ela olhou para trás, por cima do ombro...seus olhos eram azuis escuros, como o céu noturno. Não surpresa, ela sorriu pra ele.
 - É diferente ver um Samurai chegando até aqui. - Em silencio, ele só observou cada centímetro do corpo da moça. - Gostaria de saber o que você...
 - Silencio. - O guerreiro disse calmamente. - Revele sua verdadeira forma...caso contrario, eu lhe corto ai mesmo. - A mulher ficou parada um tempo e voltou a olhar para trás...só para ver o Samurai preparar sua katana, colocando a mão no punho da espada.


  - Perdão - Ela falou, se levantando, ficando de frente para o guerreiro. - acho que está me confundindo com... - A mulher parou de falar. O Samurai avançou. O desembainhar na katana já resultou em um golpe...a lamina inteira passou pela garganta dela, fazendo o sangue jorrar. O Samurai continuou sua corrida e ficou com os dois pés afundados no rio.
 O sangue jorrou...jorrou...e ela ficou ali de pé...até que em um movimento brusco, sua cabeça virou totalmente para trás, seu rosto tomado pelo ódio e pela loucura, rosnando as palavras.
 - Maldito! - E o ser se desfez em fumaça. O Samurai sentiu uma leve tontura e começou a ver as coisas como ela realmente eram, a ilusão havia sido desfeita...foi quando ele viu que ainda estava em um lago de brejo, a lama entrando por entre seus dedos do pé e a lagoa era fétida e cheia de pontos de fumaça. Não havia ponte para chegar na outra margem...e lá, um pouco mais a frente, estava uma cabana. 


 - Tsc... - O Samurai reclama, ele não gostava de se sujar...mas teria de andar naquele rio podre para chegar ao outro lado. Tomando cuidado para não pisar em falso, a água subindo pouco a pouco até o meio da canela, ele seguiu seu caminho, caminhando da melhor maneira possivel no fundo de lama.
 - Ssssssssssssssssssssssssssssssssamuraiiiiiiiiii... - Uma voz chiada se fez ouvir, como se fosse dentro de sua mente. - Guerreiro inquebrável...espada da justiça... - A voz era enjoativa e embrulhou o estomago do guerreiro, que engoliu em seco. Olhando ao redor, o Samurai tentava achar fonte de tal voz...mas tudo que viu foram olhos...olhos surgindo do meio das folhas e das arvores, seres rosnando, mostrando os dentes e até risadas sombrias.
 O pântano era a morada de demônios.
 - Bom...pelo menos eu sei que estou no lugar certo. - Ele disse, com um risinho. Tentando ignorar o que ele julgou ser mais uma ilusão, ele continuou a caminhar...foi quando as águas começaram a borbulhar. Ele pode sentir o calor emanando das águas putrefatas...que começaram a ficar tingidas de um vermelho vivo e luminoso...
 - Caçadoooooooor... - A voz voltou a dizer. - Vai virar caçaaaaaa....caaaaaasssssssssssssssssça... - E corpos começaram a se levantar. Esqueletos dentro de armaduras enferrujadas e quimonos rasgados levantando armas quebradas e enferrujadas, zumbis rugindo e babando, ouvindo o chamado de sua senhora, mirando sua fome para cima do guerreiro.
 - MATEM O SAMURAI! - A voz rosnou, ecoando pela floresta...e aqueles corpos começaram a vir, brandindo suas armas.
 O Samurai sorriu e naquela singela demonstração de confiança, ele montou sua estratégia.
 Ele saltou das águas vermelhas e seu chinelos de madeira encontraram os ombros de um esqueleto trajando armadura, depois saltou de novo, bateu na cabeça de outro, tomou impulso e foi, e foi pulando de corpo em corpo, as vezes defendendo com a katana alguns golpes ridículos, mas nunca se deixando intimidar ou desequilibrar. Chegando na margem, ele desatou a correr...mais e mais corpos levantavam do chão, alguns emitiam choro de criança, outros eram puro recém nascidos e mesmo assim, rastejavam atrás dele.
 - Bruxas... - O Samurai sussurrou. - Repugnantes. - Ele trincou os dentes. - Não vou conseguir dormir hoje se não matar essa puta! - E correu mais rápido, mirando a cabana. Subitamente, cinco esqueletos de levantaram a sua frente, brandindo katanas e lanças. O primeiro, golpeando com o instrumento de longa distancia, sendo facilmente desviado pelo Samurai. O guerreiro girou o corpo, evitando o golpe por milímetros e, aproveitando o impulso, golpeando com a katana. A cabeça do esqueleto saiu rolando conforme ele golpeou o segundo, um corte de baixo pra cima, quebrando sua espinha, o terceiro teve os braços cortados e um chute no peito ossudo, que se quebrou inteiro e o quarto e o quinto foram cortados do ombro até o "quadril". Não esperando para ver se tais bestas estavam mortas, ele continuou correndo...tinha que chegar perto da cabana.
 - Corra. - A voz voltou a sussurrar. - CORRA! - A voz riu. - Me dê algo para se divertir, me dê algo para lembrar de você, meu querido Samu...
 - Calada! - O Samurai rosnou. Quando finalmente chegou onde queria chegar, sentindo a energia do local, ele parou de correr. Se ajoelhou no chão e de dentro de uma de suas mangas, tirou algo: uma pequena perola negra.
 - O que é isso? - A voz perguntou, com certo medo aparente. Ignorando-a, o Samurai abriu um pequeno buraco e depositou a perola ali, a enterrando rapidamente. Os esqueletos o cercavam cada vez mais...quando ele botou a mão no solo e disse com calma.
 - Amém. - E como se aquilo fosse uma palavra para desligar o mundo, tudo ficou quieto...os esqueletos pararam de rugir, os bebes pararam de chorar, as armaduras de ranger e até o vento parou...e todos os mortos que se levantaram se desfizeram em pó conforme o Samurai ficou de pé entre eles.
 - COMO? - A voz era um rugido, mas dessa vez, vinha de dentro da cabana. Ele só esperou.
 Uma das paredes do local explode...e a fumaça proeminente de tal ato começou a se espalhar. Primeiro se dilata...depois de contrai, com um rugido de frustração. A Bruxa percebeu que não poderia tomar sua forma magica dessa vez, teria de ficar na forma humana...tudo porque o Samurai havia feito algo.
 A fumaça se juntou e se formou carne...a Bruxa estava ali, em sua verdeira forma. Uma mulher, cabelos negros longos que iam até seus pés, nua, seu corpo repleto de tatuagens que se moviam, parecendo pinturas vivas. Seus pés não tocavam o chão, uma nevoa a rodeava, assim como uma bola de cristal que parecia ser usada como arma.
 - Como fez isso? - Ela perguntou, raiva emanando de seus olhos vermelhos.
 - Perola de um Colar de Contas de um Monge. - O Samurai explicou, sem deixar demonstrar sua satisfação. - Abençoadas e tratadas para eliminar todo tipo de mal aos arredores ou a influencia de seres malignos. 
 - Uma perola...enterrou meu exercito? - A Bruxa rosnou novamente.
 - É a velha historia. - O Samurai voltou a responder. - O que é divino sempre será melhor e mais forte do que o maldito. E caso não tenha entendido. - Apontou o polegar para si mesmo. - Divino. - E apontou o indicador para ela. - Maldita!
 Um silencio se instaurou por alguns segundos, um esperando o movimento do outro.
 - Quem é você? - Ela perguntou a ele.
 - É falta de educação pedir o nome de alguém sem antes falar o seu. - A Bruxa riu cm a resposta.
 - Meu nome é Majo Meinu...
 - Bruxa. - O Samurai a interrompeu. - Tomou o sangue de Youkais séculos atrás, tomou o gosto por carne humana e se tornou usuária de magia negra para sustentar sua fome. Devora os homens, mulheres e crianças e deixa que seus corpos afundem no pântano para defendê-la caso alguém passe da ilusão de mulher atraente que passa no começo de sua morada.
 - Me conhece...mas eu aposto que lhe conheço também. - Ela disse, flutuando para a direita. O Samurai deu passos para a esquerda. - Vamos, me diga...quem é você?
 - Sou um Dançarino na Lua Minguante. - Um frio percorreu pela espinha de Majo e seu sorriso irônico se foi. - Meu nome é Okumura Ody. Meus amigos me chamam de "Kody"...então você pode me chamar de Okumura! - Ela disse, entrando em forma de combate.
 - Okumura? - Ela balbuciou. - O Filho do Dragão?
 - Minha missão aqui, hoje, é mata-la e livrar o mundo do seu mal. - E por fim, ele respirou fundo. - Agora que todas as honrarias foram ditas... - E avançou, rápido como um tigre. A Bruxa rosnou e a esfera que flutuava ao seu redor foi lançada para cima de Ody, se jogando para o lado, desviando e tomando a corrida. A Bruxa ri...e seu cabelo se expande, como ondas negras na noite. Ela balança suas mãos e mechas avançam, como lanças, mirando o Samurai.
 Ody continua correndo...analisa a situação...e começa a desviar dos golpes. A Bruxa fica abismada ao mesmo tempo que mais irritada do que nunca. Seus cabelos são rápido e mortais, as pontas era feitas para destroçar carnes, tal técnica era infalível...menos para o Samurai. Ody desviava de tudo com leveza, com classe, com uma especie de graça que só pode ser encontrada nos movimentos de um profissional, de um Dançarino da Lua Minguante...e era isso mesmo que parecia, uma dança...cada passo, cada desvio, cada jogada de corpo, cada giro que dava, tudo o deixava mais perto dela, tudo era feito para desviar daqueles ataques eminentes e desastrosos e dava certo...
 Fi quando ele estava a poucos passos dela que teve a ideia de trazer a esfera de volta...pega-lo de costas e finaliza-lo de uma vez por todas. E ela o fez...rápida como uma bala ela veio, pronta para pega-lo...
 Ody jogou seu corpo para trás em um mortal...no momento exato para seu pé pousar na esfera e tomar impulso para um salto.
 Antes alguém pudesse desacreditar de alguma coisa, Okumura enterrou sua lamina no peito do monstro.
 O mundo pareceu se mover em câmera lenta para a Bruxa...o sabor acido e frio do aço abençoado da katana começou a queimar quando, em pleno ar, o Samurai sussurra.
 - Quando chegar no inferno...diga que foi Okumura que te mandou. - E apertou o punho da espada com uma mão, com a outra forçou as costas da lamina...e a empurrou para baixo, cortando o corpo da Bruxa do peito para baixo.
 Os intestinos dela caíram no chão primeiro do que seu corpo. Ody, com leveza, foi ao chão e ficou de pé prontamente. A Bruxa agonizava...gargarejava o próximo sangue e tentava mover as pernas e os braços. Mesmo para alguém cuja vida é caçar monstros e reconhece como tais seres são desprezíveis, a honra reinava no coração de Okumura, o que o fez caminhar até ela, preparando um ataque com ambas as mãos para cortar a cabeça dela, acabando com seu sofrimento de uma vez na Terra.
 Respirou fundo...e quando chegou perto o suficiente, a um passo de ficar em cima dela, ele ergueu a katana. Foi quando seus sentidos gritaram e berraram e a Bruxa sorriu para ele.
 Ody saltou o mais longe possivel, mas ainda foi atingido de raspão pela tormenta que se fez de energias malignas. Caindo rolando pelo chão, o Samurai gira seu corpo e se ergue, ficando ajoelhado com certa dificuldade. Respirando fundo, o guerreiro olha para ver o que aconteceu.
 - Hm...então é assim que você se parece? - Ele diz, conforme se levanta.
 A Bruxa havia se transformado.


 O corpo de uma centopeia havia tomado o lugar das pernas. O cabelo havia sumido, dando a lugar a chifres que cresciam na cabeça, no pescoço e nos ombros. Uma especie de calor emanava no seu peito e dominava todo seu tronco.
 - Veja, Okumura, Filho do Dragão - Ela sibilava. - Veja o meu poder, veja o que eu posso alcançar. Olhe para mim e se ajoelhe, peça perdão...eu sou o poder, eu sou a força, eu tenho tudo e posso fazer qualquer coisa. Perto de mim agora você não é nada...mesmo um caçador de demônios como você deve reconhecer isso agora... - E por fim, rosnou. - EU SOU UMA SEMIDEUSA!
 O silencio não durou muito.
 - Acabou?- Rosnou o samurai. Ele começou a caminhar, katana pingando de sangue, em direção a Bruxa.


 - Sabe o que me deixa PUTO? - Okumura disse, caminhando em passos firmes. A Bruxa, por algum motivo, não se movia. - Não é nem o fato de vocês matarem humanos pra sobreviver, se fosse assim, nós caçaríamos cada urso, tigre e besta que vive nesse continente. É o fato de que vocês, bando de amaldiçoados fudidos, virem com esses discursos feitos de que são superiores, mostrando poderes que claramente ganharam facilmente, se achando melhores porque venderam suas almas ou coisa do tipo. Uma cambada de filhos da puta que nem podem sair no Sol ou tomar banho que derretem e VEM QUERENDO SE ACHAR PRA CIMA DE MIM! - Uma especie de energia começou a circular o Samurai e a Bruxa teve de agir.
 Ela avançou, rápida como um cometa, abriu a boca de uma maneira grotesca, até a boca do estomago...respirou fundo e soltou. Fogo foi cuspido de seu ventre até o Samurai, um tornado de chamas o dominou e uma torre laranja foi erguida, incinerando tudo que havia em volta. Após cinco minutos de ataque ininterrupto, ela parou. Majo estava com seu corpo tremulo, mas saboreava a vitoria...tal ataque não pode ser evitado ou suportado, ela tinha ganhado a...
 - Acabou? - A voz foi como uma faca em suas entranhas. Em meio as chamas, o Samurai estava de pé. Seus olhos ardiam em fúria e seu rosto era frio. E aquela aura...aquela aura azul o circulava, o protegendo de tudo. 
 Okumura Ody respirou fundo.
 - Peço perdão pela falta de controle. As vezes acontece. Mas se vamos continuar essa luta com tudo que temos...eu vejo que é a minha hora de..."transformar". - A Bruxa rosnou e tentou atacar novamente, suas garras prontas para dilacerar o corpo do guerreiro, mas foi afastada para longe com violência por aquela aura, que a fez rolar na terra e se chocar contra uma arvore. Se levantando como pode, ela viu, horrorizada, o que o Samurai estava se tornando.
 Começou pelos pés. Duas placas surgiram e começaram a dar lugar para as outras placas da armadura surgir e crescer pelo corpo dele. Primeiro foi as pernas. O peitoral surgiu magicamente, dando depois a devida proteção aos braços e as costas. O som de armadura surgindo e se encaixando era bem alto, o suficiente para causar arrepios na bruxa.
 Por fim, a armadura fechou seu rosto com o elmo. Ele estava pronto, dizendo.

Técnica Secreta da Lua Minguante
Armadura de Mil Noites


 - Estou pronto, Majo Meinu. Vamos lutar com tudo que temos agora. - O fogo crepitava a sua volta quando tomou sua forma de combate. A Bruxa rugiu e partiu pra cima dele. O fogo tomava conta de seu corpo, a magia negra ocupando sua forma, ela vinha com tudo que tinha, um ataque mataria seu inimigo ou mataria a ela.
 Okumura Ody reconheceu a força da oponente...mas ele tinha outras coisas para fazer além daquilo. Decidiu acabar com tudo de uma vez.
 Ele tomou ar, segurou sua katana com ambas as mãos e deixou a energia tomar conta de seu corpo, fluindo através dele com as batidas de seu coração. Levantou a katana, o que fez com que Majo Meinu avançasse mais rapido, gritando seu nome.
 Okumura Ody, quando sentiu que suas energias estavam, por fim, concentradas em sua lamina...recitou calmamente.

 Técnica de Combate Um
 Fúria de Buda
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 É difícil descrever o que aconteceu com Majo graças ao golpe. A atingiu tanto com o corpo quanto com a alma. Seu corpo se desfez em pó, junto com sua alma, mas somente as partes humanas...as partes demoníacas, proeminentes de sua devoção a magia negra, viraram uma poça de fluidos e sangue. Toda podridão havia ficado no mundo físico...mas logo iria sumir. A terra iria absorver aquilo mais cedo ou mais tarde e expurgaria da Terra de uma vez por todas.
 Ody ficou ali, parado durante algum tempo. Mesmo sendo a primeira técnica de combate, tal poder não era suprimido de qualquer forma. A energia foi diminuindo e diminuindo, pouco a pouco, voltando ao seu estado normal. Por fim, a armadura se desfez, indo embora com o vento que vinha com a manhã. O Samurai abriu os olhos e viu o Sol nascendo...teve de tomar muito tempo para se concentrar e voltar ao normal.
 Mas tudo bem...ele sentia agora. O local todo estava puro novamente. A Bruxa estava morta...podia ver as almas indo para onde tinham de ir, algumas subiam outras desciam...mas tudo estava, agora, conforme a ordem das coisas.
 Feliz com o resultado, Ody se deixou sentir...respirou fundo e viu que o pântano não fedia tanto quanto antes. Se alongou, estalou as costas...e começou a caminhar para longe dali. Tomaria o dia para descansar e comer muito, estava faminto.
 Mas amanhã, outra caça já o esperava. E ele já estava ansioso por ela.


As proezas de Okumura Ody, filho de Okumura Ryu,
o Dragão da Lua, líder dos Okumura,
encheram sua família e seu clã de honra.
A cada canto do continente se falava do Samurai de sorriso tranquilo e pose perfeita
e do modo como ele sempre voltava para as pousadas banhado em sangue e vitoria.
Demônios ficaram mais reclusos a ouvir seu nome.
Bruxas aprenderam a rezar.
E até mesmo o mais forte dos homens abrem caminho para ele.
 Ele.
O Caçador.
O Orgulho dos Dançarinos da Lua Minguante.
Okumura Ody.

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終わり。

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