sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Me Quebre

Mais uma rachadura para a soma
Mais um pedaço caído no chão
Eu seguro ela e penso em como encaixar de novo
Me pergunto se vale o esforço

Quantas vezes eu quebrei?
Quantas vezes eu cai em pedaços?
Quantos dias eu levei pra me recuperar
De um segundo de descuido?

Quantas batalhas eu travei que não eram minhas?
Quantas distancias eu venci por uma desejo de emoção?
Quantos exércitos eu venci sozinho?
Quantas vozes escutei ao longe dizendo que não podiam chegar perto?
Por que as trombetas não sopram meu chamado
Como sopraram as dos outros?

Por que tudo que vem de mim
Parece ser fútil?
Parece ser desnecessário?
Por que me olham de canto?
Minhas feridas são tão bem escondidas assim?
Ou será que você se nega a vê-las?

Por que quanto mais eu corro
Mais eu luto
Mais eu acumulo
Mais eu faço
Não parece o suficiente?

Estou a um passo do precipício
Fixei residencia aqui
E toda vez que dou as costas pra ele, vem alguém
Ou algo
E me vira para ele de novo
Uma ultima queda, uma ultima grande rachadura
Estarei livre
É isso o que o abismo me promete

Se tornou tentador de novo
É escuro lá embaixo
Quieto
Não iria me cegar
Não ficaria surdo
Só iria cair, fazer um pouco de bagunça
Mas eu encontraria paz ali
Talvez...

Mas eu me nego
O abismo é uma fuga e eu me recuso a fugir
Parece fraqueza demais se entregar a gravidade dessa forma
Uma lobo solitário uiva perto de mim
Eu sei como ele se sente

Sozinho, não fraco
Doente, não morto
Rachado, mas não quebrado
Não mais

A cada golpe, a cada queda, eu fiquei mais forte
Mais frio
Até que a solidão se tornasse uma amante amarga
Mas necessária
Que venha todas as dores e todas as quedas e todos os atropelamentos
Me deem isso
Acabem com minha fé no mundo
Talvez isso me impeça de quebrar de uma vez
Me tornar uma rocha por completo

Portanto me quebrem
Me quebrem!
Mas quando eu me refazer
Quando eu me erguer
Quando meus olhos negros se encontrarem com os seus
Quando seus apelos não entrarem nas minhas rachaduras
Quando a dor da sua queda for ouvida
Não me julgue quando eu sorrir e virar as coisas
Não me julgue
Se cale e sofra em silencio
Estou indo embora

Que belo dia será
Quando eu me tornar por fim
Incorruptível
Desses meios mundanos e perversos e egoístas
Ao me tornar o pior deles
Que belo dia será...
Portanto...
Me quebre...
Me quebre...
Me quebre.

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