terça-feira, 26 de julho de 2016

Imortais - O Lobo

Para Danilo


 A cidade de Louth nunca havia sido uma das mais bonitas e nem hospitaleiras antigamente. Mas conforme a figura solitária caminhava nessas ruas, ele sentia uma estranha paz em seu peito.
 As ruas e casas eram um misto de negro e tons de marrons escuros. As pedras estavam úmidas nos degraus e muros e uma nevoa estranha ficava baixa nas ruas. Mendigos dormiam quietos e com suspiros longos e calmos, enquanto os guardas ficavam tensos e com olhos bem abertos quando o guerreiro passa em sua frente. E conforme ele analisa tudo ao seu redor, ele percebe que está no lugar certo.
 As botas que revestem seus pés, o manto que cobre seu corpo inteiro e esconde seu rosto, assim como seus cabelos longos e separados em fios grossos presos por um anel de bronze, são negros. Sua pele é em um tom de chocolate escuro, quase iguais aos seus olhos castanhos. E ele caminha ereto por aquelas ruas escuras e úmidas, entre torres e casas mal acabadas até uma estalagem.
 A placa balançando ao vento dizia "Pele de Cordeiro" e sua porta rangeu quando a figura escura entrou. O local estava bem iluminado, com lamparinas, tochas e velas. Mesas de madeira distribuídas aqui e ali, porém muitas delas vazias. Não havia musica, não propriamente dita, somente um homem com um violino cantando uma melodia triste e lenta. As conversas são baixas e a unica ocupação do dono do lugar é estar enxugando uma caneca, mas todos param e o olham quando ele entra e caminha até uma mesa ao canto do local. E se senta pesadamente na cadeira encostada na parede e permite sentir a fadiga em seu corpo, inspirando fundo e expirando longamente.
 Ele observa aquelas pessoas que ainda o olham com curiosidade e não chegam a cogitar a ideia de se portar e disfarçar. Até ele jogar cinco moedas de ouro na mesa e diz:
 - Quero carne de cordeiro, banhada em vinho, por favor. E uma garrafa de rum.
 O homem no balcão concorda com a cabeça e grita um comando para a porta atrás de si. As conversas voltam e a figura relaxa mais ainda em sua cadeira, quase se deixando cair no sono. Porém o cheiro da comida se aproximando o faz acordar de imediato e mirar a carne em sua frente. Ele saliva e range os dentes, mas se contém e olha para quem a trouxe. É uma menina, não deve ter mais de 16 anos, com cachos ruivos e olhos de amêndoas. Ela colocou uma caneca de madeira e uma garrafa com o liquido dentro, balançando gentilmente:
 - Obrigado. - Ele diz a ela, tirando a mão dentro do manto, segurando a carne pelo osso e a levando para a boca, enquanto a menina servia o rum dentro da caneca. Ele sente o gosto e louva vários de seus deuses em sua mente pelo dom do paladar, mas antes que pudesse dar outra mordida, a menina se vira para ele e pergunta:
 - Qual o seu nome?
 - ALATÉIA! - O homem no balcão, provavelmente o pai dela, a repreende em frente a todos. - NÃO INCOMODE O VIAJANTE!
 - Não é incomodo nenhum, senhor. - O homem diz para o pai da menina e volta a olhar para ela e responde sua pergunta. - Meu nome é Danyrus.
 - O senhor é um Oliriano, não é? - Alatéia perguntou de novo e Danyrus assentiu. - O que faz tão longe de casa?
 - Ok, já chega. - O pai da menina estava ao lado dela em um instante e segurando ombro e puxando-a para perto de si. - Sinto muito, senhor. Minha menina é dotada de grande curiosidade, mas nenhuma consciência sobre respeito.
 - O senhor também não quer saber? - O homem, então, travou no lugar onde estava e se segurou, olhando sem resposta para Danyrus. - Aposto que todos querem saber o que um Oliriano está fazendo aqui, tão longe de casa. E se vocês souberem, até que podem vir a me ajudar. Então, por favor...sentem-se ao meu redor, se quiserem...que entre uma mordida ou outra, eu conto a vocês a minha historia.
 Como um estouro de manada, as poucas pessoas, as quinze, logo estavam ao redor do guerreiro negro, vendo-o esvaziar uma caneca de rum e comer mais um pedaço de carne. O pai de Alatéia, cujo nome era Bonur, se sentou na mesma mesa que Danyrus, com sua filha no colo, olhando com a mesma curiosidade para ele que o pai.
 - Para aqueles que não sabem... - Danyrus começou, terminando de engolir outro pedaço de carne. - Olirian é um país ao Sul daqui. Muito ao Sul. Onde a neve cai com força, onde somente lobos gigantes, ursos e baleias conseguem sobreviver ao frio, e fortalezas de ferro e madeira protegem a família real e casas de carvalho enchem as ruas e comércios. Eu vivi em Olirian desde minha infância. Filho de um ferreiro, eu...
 - É verdade que todos em Olirian tem a pele escura e olhos verdes? - A menina o interrompeu e Danyrus aproveitou para comer mais um pedaço de carne enquanto ria com a cara que o pai da menina fazia. Apesar disso, todos os outros se mostraram muito interessados na resposta.
 - Sim, temos. Apesar de que eu peguei os olhos castanhos de minha mãe. Minha irmã tem olhos verdes. Mas lá, no Sul, em Olirian, todos temos a pele escura. Pra ser bem sincero, só vi vocês, pele de leite, quando eu atingi a idade adulta. - Alguns pareceram estranhar o apelido que foram chamados, mas Danyrus continuou. - Eu era filho de um ferreiro e exerci essa função ao longo de minha vida. Minha esposa, a qual tivemos dois filhos, era filho de mercadores. Nosso país vivia em constante guerra com criaturas que vinham do oceano, então quem fazia armas e que sabia como as vender , com certeza, levava uma vida confortável. E era isso o que eu tinha...vida confortável e feliz. Um trabalho que me mantinha aquecido e em forma, uma esposa fiel, dinheiro para dar de comer a todos nós e dois filhos saudáveis que cresciam espertos. - Ele comeu mais alguns pedaços de carne e deixou o caldo dela escorrer no queixo. Na mesma hora, Bonur tirou o pano que prendia na cintura e passou para ele, que limpou a boca, agradecendo e tomou mais um gole de rum.
 - Então...por que deixou seu lar? Por que viajou tanto? - Um dos que escutavam perguntou.
 - Por que eu fiquei vazio. - O Oliriano respondeu, batendo a caneca na mesa. - Já vou chegar lá. - Ele pigarreou antes de continuar. - Como todos Olirianos, devemos ter treinamento de combate ao longo da vida e eu tive, eu era bom nisso, assim como minha esposa. Mas o combate realmente, era desconhecido para nós. Espadas, escudos e machados eram coisas de treinamento, não de sangue e perdição. Quando os soldados nos zombavam, ficávamos irritados com eles, mas eu vejo agora que eles tinham certa razão.
 Uma noite, após forjar mais algumas espadas, eu fui dormir e me deitei com minha esposa. Meu filhos em seu quarto. No meio da madrugada, fria, alguma coisa saiu dos oceanos em que vinham os inimigos normalmente...ela se moveu pelas florestas igual um fantasma, de acordo com os poucos soldados que a viram, e ninguém conseguiu para-lá. Era intangível, pois atravessava as arvores sem afetar seus troncos e não possuía sons de passos...era só uma fumaça, roxa, atravessando a floresta...a ponte...o portão...as ruas...e chegando até minha casa. Naquela madrugada, eu tinha acordado, com sede e fui procurar o que beber...quando me satisfiz, eu voltei para minha cama...para encontrar aquela fumaça, em cima de minha esposa, a levantando da cama, com os olhos revirando, saindo sangue deles... - Ele pausou um pouco, tomando outro gole grande de rum e voltou a falar. - Eu gritei...peguei a primeira coisa que havia do meu lado, um pedaço de ferro qualquer e procurei atingir a tal fumaça...e consegui, de alguma forma, eu consegui...o que só deixou tudo pior. Minha esposa já estava morta quando ela caiu no chão...mas eu perdi as esperanças de traze-lá de volta quando a fumaça se materializou...e o peso do monstro que se formou esmagou seu corpo e destruiu boa parte da minha cama, me jogando para longe quando seu corpo áspero bateu no meu...
 Mas eu estava...chocado demais, eu acho, pra desmaiar. E eu vi...eu vi a criatura...
 E ela sussurrou pra mim.


BEM VINDO AO VAZIO!

 Todos se calaram mais do que já estavam. As respirações pararam, a menina tremia no colo do pai e até as luzes pararam de tremular.
 - A criatura bateu seu corpo nojento em mim mais de uma vez e eu apaguei. Acordei, com o sol da manhã em meus olhos, em uma cama que não conhecia sob um teto estranho. Estava na casa de um amigo meu que me contou o que eu já sabia...esposa e filhos mortos, sem corpos para enterro. Então...eu me especializei da minha forma...e venho até essa cidade, hoje, com fortes indícios de que este ser está por aqui.
 O silencio permanecia. Todos se entreolhavam nervosos...até que um deles falou.
 - E o que era a criatura?
 - Não tem um nome definido...simplesmente o chamam de Verme do Vazio. Ele vem exatamente disso. Do Vazio. Do Abismo que separa esse mundo com o inferior...deixando homens e mulheres a merce do desespero momentâneo para se alimentarem deles e disseminar medo no mundo.
 - Sabe onde ele está? - Um deles perguntou baixinho.
 - Sei sim. - Danyrus respondeu, terminando seu rum.
 - Onde? - Outra pessoa, uma mulher perguntou.
 - Aqui. - Ele respondeu calmamente.
 - Aqui? - A mesma mulher respondeu, horrorizada.
 - Sim. - E olhos de Darynus, mudaram, se tornando mais claros e frios quando completou. - E eu agradeceria muito se soltasse a menina sem fazer nada com ela.
 Todos se voltaram para Bonur, que olhou para todos assustado.
 - Eu? - ele olhou para filha e depois para Danyrus. - O que tem eu? - Danyrus continuou frio...até se movimentar tão rápido que os olhos de todos viram vultos de sua parte. Ele sacou uma espada de cabo e protetor prateado, mas cuja lamina também era negra...e cortando em arco, a lamina se enterrou no pescoço do homem, fazendo o sangue jorrar e a todos gritar, incluindo a menina em seu colo...mas a espada não lhe cortou a cabeça. Travou no meio do pescoço quando encontrou o osso da coluna. A face do homem, em estado de choque encarou a Danyrus e, quando os gritos de todos pararam e a menina se cansou de chamar pelo pai...os olhos e Bonur e tornaram totalmente brancos e ele disse com uma voz profunda e rouca.
 - E o Lobo não morde mais como antes... - E Danyrus, sabendo o que aconteceria, puxou a lamina, forçou seu corpo para trás, bateu a sola do pé na parede e se jogo para o outro lado da taberna, caindo rolando no chão.
 A transformação era rápida e violenta, e o corpo de verme é resistente e pesado...quando a pele de disfarce humano se rasgou, a expansão do corpo verdadeiro espremeu os corpos de todos ao redor do monstro contra as paredes, fazendo o sangue voar e o som de carne e ossos esmagados soar. Menos da menina...que ficou presa pelas roupas na garra da criatura que se erguia e estalava as costas conforme se erguia...a taberna era alta e permitia o Verme erguer seu corpo totalmente. O corpo escamoso, cuja parte de baixo se assemelhava a uma centopeia, a parte superior seria semelhante a humana se os braços não houvesse mãos, terminando em duas laminas grossas de osso serrilhado. Sua cabeça era pequena em relação ao corpo e era medonha, com olhos pequenos, brilhando em vermelho, um único chifre crescendo na testa e placas na nuca que desciam e cresciam pelas costas. Seu corpo todo era num tom nauseante e claro de vermelho, com fissuras ao longo dele, brilhando como se o interior do verme fosse quente como o centro da terra.
 O Verme ergue a menina gritando, Danyrus observa e sabe que não poderá fazer absolutamente nada. A garota logo se cala, uma vez que o Verme a mastiga a parte superior de seu pequeno corpo e joga as pernas para o lado.
 - Então... - Ele diz enquanto mastiga. - Você veio como me disseram que viria...Dan. - Até que parou de fazer o suposto movimento...se virou para o lado e cuspiu a massa vermelha que tinha na boca.
 - Sua raça não tem permissão de me chamar assim. - Foi a unica coisa que Dan disse antes de soltar o manto e revelar a armadura que protegia seu corpo. Assim como tudo que usava, era negra que reluzia nas poucas chamas que tinham ali. E uma das ombreiras, a do ombro esquerdo, era a cabeça de um lobo, abocanhando-o e protegendo-o. Com uma mão, continuou segurando a lamina, com a outra, puxou das costas e desencachou um escudo triangular, com o desenho de um lobo prateado, encarando o adversário.
 - Sua postura e vestimentas de luto eterno são patéticas, humano. Depois de anos, você ainda... - Danyrus disparou, percorrendo a distancia entre eles segurando e saltou. O corte de sua espada fez o monstro sangrar no queixo, o que não impediu um ataque lateral viesse. O Lobo subiu seu escudo e tomou o impacto de bom grado, que o lançou em linha reta até o outro lado do lugar, indo de encontro contra a parede de pedras. Anos de experiencia permitiram Danyrus virar seu corpo em pleno ar e encontrar a parede com os pés, flexionando suas pernas...e se jogando para frente de novo, com a lamina em riste. Surpreso, o verme se deixou ser penetrado pelo ataque, a lamina furando sua garganta e o guerreiro se agarrando a ela, subindo em suas costas. Aos rugidos, se debatendo, a besta começa a tentar tirar a lamina negra de seu pescoço, que arde, queima e faz o fogo do inferno de onde saiu parecer uma brisa. Mas o Lobo não perde tempo e saca uma faca preso em seu cinto e, se segurando no chifre da testa do monstro, começa a enterrar a lamina varias e varias vezes no pescoço da fera. Cada estocada faz a lamina inteira entrar, cada puxão abre uma fenda de onde escorre sangue negro com cheiro de putrefação. Ele continua golpeando, voltando a abrir o antigo machucado e indo além disso.
 Até que ele sente o corpo do verme tremer e esquentar.
 - Filho da puta... - Conhecia aquela técnica e parou de cortar e colocou o escudo encostado no pescoço da fera onde havia aberto..
 O Verme começou a cuspir fogo. Incendiando o local, tentando derreter a lamina presa em sua garganta, o fogo escapava pela ferida aberta em sua garganta e só não queimava o guerreiro por causa de seu escudo. Ele tinha de acabar com aquilo e rápido, o lugar inteiro estava queimando e o Verme podia não sufocar com a fumaça, mas ele podia.
 Se segurando mais firme no chifre, soltando seu escudo, o apoiando com seu joelho para não se queimar muito, Dan voltou a golpear com a faca no chifre em que se segurava. O osso levou dez rápidas facadas para trincar e quebrar, se soltando do monstro. A fera parou de cuspir o fogo e se contorceu para gritar, fazendo o Lobo perder o equilíbrio e cair de costas no chão. Ignorando a falta de ar, ele rola para sua esquerda e escapa da investida das garras...uma, duas vezes! O monstro ruge, um rugido borbulhante e grotesco e tenta abocanhar Danyrus...que se levanta, aponta e crava o chifre no céu da boca da criatura, que ruge novamente. Rápido como aprendeu a ser, o Oliriano tira sua espada da carne do monstro em um puxão cego, a segura com ambas as mãos...e a crava bem no meio de sua testa.
 Um último rugido, mais alto que todos, fez o corpo do guerreiro tremer...e no fim, tudo que se ouvia era o crepitar do fogo. Dan tossiu, a fumaça tomava conta...ele já havia vencido, tinha de sair dali. Tirou sua espada, pegou de volta a faca e o escudo. O manto havia sido queimado junto com tudo ali...e quando ia se retirar, o cadáver veio a falar com uma voz ecoante.
 - Pode matar quantos de nós quiser. - Dan olhou para trás, para o corpo do Verme. Ele não mexia a boca...mas seus olhos o miravam. - Isso te satisfaz, não é? Matou aquele que matou sua família e isso não te trouxe paz...você só se sente bem caçando e matando mais de nós. Então, que viva assim...caçando e matando...exatamente igual a nós...andado por ai...VAZIO e matando... - Danyrus deu meia volta e caminhou até o Verme, que decidiu começar a rir, fazendo sua carcaça tremer...e com um soco, afundou mais o chifre na cabeça do monstro, o fazendo guinchar. Olhando nos olhos vermelhos do monstro, ele disse.
 - Vou caçar, cada um de vocês. Vou exterminar sua raça. Nunca mais vocês vão destruir uma família, nunca mais criaram Vazios como eu. E quando você voltar lá pra baixo...pode dizer pra todo mundo que foi o Lobo que mandou você.
 E deu as costas e saiu, segundos antes do teto começar a cair. Ao sair para a noite fresca, o Oliriano podia ouvir os passos pesados do exercito do rei, dos guardas e de todo mundo que queria ver de onde vinha o fogo que criava a tal coluna de fumaça. Dan andou o mais rápido que suas dores permitiram. Entre as ruas escuras, ele se perdeu por um momento até conseguir achar a saída da cidade, passando por um guarda que cochilava de pé nos portões. Continuou caminhando, acelerado, saindo da trilha e entrando na floresta...mais adiante, acharia suas coisas que havia escondido em uma caverna, acenderia uma fogueira e tomaria conta de seus ferimentos...
 Cansado, com frio, ele olhou de relance para seu escudo...iria precisar pinta-lo de novo, desentorta-lo e reformar suas fivelas...mas tudo bem. Ele gostava de trabalhar com o metal, o fazia lembrar de casa...
 O fazia lembrar de sua esposa e de seus filhos e da promessa que fez.
 O fez lembrar mais uma vez da sua ultima conversa com um deles.

 - Boa noite, filho.
 - Pai, espera...
 - O que foi?
 - A gente vai poder ver amanhã um bicho de estimação como o senhor disse?
 - Vamos sim. Acho que tem alguém doando cachorros la pelo Oeste da cidade e...
 - Não, pai. Eu não quero um cachorro. Quero algo mais feroz. Algo que meta medo e ninguém entre aqui em casa se a gente não quiser.
 - E o que você quer filho?
 - Eu quero um lobo, pai.
 - Um lobo?
 - Sim. Um grande, forte, de pelo negro, pra proteger a gente, o que acha?
 - Ah, se você quer, tudo bem...a gente acha um lobo.
 - Isso pai. Isso que eu quero. Um lobo bem grande e forte.

Como você.


Eu prometo, filho.
Serei forte.
Serei grande.
Vou proteger, o melhor que puder, todos ao meu redor.
Eu não vou deixar acontecer com mais ninguém.

Eu serei o Lobo.

-

E por toda a cidade...e depois pelo país...e depois pelos mares até outros continentes, se contaram as historias do Lobo Negro que caça os Demônios do Vazio. Alguns dizem que por vingança. Outros dizem que por capricho. Outros dizem que é por esporte. Mas poucos sabem sua verdadeira motivação.

Uma promessa.

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