quinta-feira, 12 de maio de 2016

Noturnos - Capítulo 005 - Causa e Reação


CODY NIGHTCRAWLER

 - Odeio esse lugar.
 - Você nunca veio aqui. Por que isso agora?
 - Esse lugar fede.
 - É, o cheiro de carne velha é foda.
 - Não é isso...
 - E o que é?
 - Fede a mentira.
 Eu não podia descordar quando ouvi a conclusão de Pandora em sua conversa com Fefs atrás de mim. O Porão, casa noturna underground dos Panther não era o melhor reflexo de respeito pela nossa raça ou tradições. Conforme descíamos as escadas e as luzes se tornavam mais turvas, o cheiro de entorpecentes mais forte ainda, eu só podia concordar com elas mais ainda.
 Ao menos a musica não era de todo ruim.


  Quando passamos a segunda porta de ferro com um segurança enorme nos encarando querendo esconder seu medo de nós, comecei a ver a decadência que Drake tanto me falou uma vez. "Eramos guerreiros, hoje somos diplomatas. Não podia dar mais merda".  E deu merda. Eu  vi antes e vejo isso agora.
 As pessoas estavam desmaiadas ou rindo histericamente ou olhando para o nada como se tivessem descoberto o verdadeiro sentido da vida, outras olhavam com medo para nós. Um dos seguranças que pegava a carteira dos desmaiados e chapados se segurou quando olhou nos olhos de desprezo de Pandora, que os deixou brilhar. Eu poderia ter sentido o cheiro da urina dele a quilômetros.
 Quando a terceira porta de ferro se abriu, o som se tornou mais audível e penetrante nos ouvidos. Caminhei entre corpos retorcendo e vi o renovado circo de horrores dos Panther.
 O Porão era uma casa noturna destinada a todos os tipos de prazeres, desde os comuns papai e mamãe aos bizarros e obscuros. Então, eu vi pessoas com ganchos cravados nas costas balançando por ai, com os olhos revirando e seus corpos tremendo, com um sorriso macabro no rosto. Vi pessoas vomitando umas em cima das outras, vi mulheres e homens em gaiolas, pendurados no teto, se balançando e se masturbando enquanto jogavam bebidas e dinheiros neles. Vi pessoas injetando drogas em crianças e as levando para quartos dos fundos e cantos escuros.
 Senti minha escuridão se intensificando, como uma armadura no corpo...eu tava pronto pra matar todo mundo, colocar um fim naquele lugar...aquele ninho de vermes...
 - Amor... - A mão de Fefs pousa em cima do meu ombro esquerdo. Pan vinha logo atrás dela, fazendo não com a cabeça. - Não vale a pena. Não é território nosso. - Eu só respirei fundo e continuei andando até a quarta e ultima porta de ferro. Foi aberta por uma mulher recheada de tatuagens, cabelo rosa em dreads e batom azul nos lábios. Entramos em um pequeno corredor e a porta foi fechada atrás de nós em um baque surdo, deixando a musica abafada novamente. A nossa frente, um de nossa raça estava parado, de pé, vestindo um terno, com os braços cruzados.
 - Senha? - Ele pediu com uma voz monótona, como se só esperasse para ouvir a palavra chave que eu não tinha.
 - Que senha? - Eu perguntei. O segurança levantou a sobrancelha e mostrou seu primeiro sinal de irritação.
 - Precisa de senha para se falar com o senhor Panther. Ele espalhou para todos os interessados e... - Eu ouvi um zumbido no meu ouvido esquerdo e se fez silencio logo em seguida. O Segurança jazia paralisado a minha frente...até que seus olhos reviraram os braços caíram em pedaços, o sangue negro se espalhou e seu corpo se dividiu com suas metades caindo em cada lado. Olhei para trás e vi Pandora colocando sua espada de volta nas costas.
 - Eu também não gostei desse lugar, Cody. - Ela disse com um sorriso irônico. Eu só sorri de volta.
 Abri a porta de aço reforçado e entrei para um ambiente totalmente diferente. Me senti em um filme futurista de Ridley Scott, em um ambiente quase místico. O piso, as paredes e o teto eram brancos, de vidro, iluminados por neon, com moveis e poltronas de couro negros descorando o local. Não estava muito ocupada...os únicos presentes eram duas mulheres, uma de pé, loira de cabelos curtos, alta e de olhos bem vermelhos que nos encarava com espanto. A outra, com os cabelos negros, sentada junta a uma mesa de ébano, nos olhava com desdém. Ao seu lado, com cabelos cumpridos e castanhos escovados para trás, nos olhando com curiosidade com seus olhos rubros escuros e dedilhando sua gravata negra, Eric Panther nos observava com duvida. Ele colocou a mão no queixo, coçou e depois olhou para a segurança.
 - Nós demos a senha para eles?
 - Não, senhor Eric. Não demos. – Ele revirou olhos, apertou-os com o polegar e o indicador e perguntou em voz alta.
 - Vocês mataram o Jorge, não foi? – Nossa resposta foi o silencio. – Podem falar, não faz diferença pra vocês, mataram o Jorge, não foi?
 - Sim, eu matei o Jorge. – Pan respondeu, demonstrando a falta de paciência de todo mundo.
 - Puta que pariu, garota, por que você matou o Jorge? – O Panther estava mesmo chateado com a situação.
 - Por que eu quis matar o Jorge! – Pandora respondeu levantando a voz e uma das sobrancelhas.
 - Mas o que o Jorge te fez?
 - E dai que eu matei o Jorge? Foda-se o Jorge!
 - O Jorge era um puta dum funcionário, sua biscate! - Eu podia jurar que a Pandora ia voar no pescoço dele.
 - Que senha é essa, Eric? Nunca houve esse papo de senha antes. – Fefs perguntou, interrompendo os dois, o tom calmo, mas a voz mais grave do que o comum, o suficiente para atrair atenção e parar com o papo furado.
 - Medidas de segurança tomadas por causa do que anda acontecendo. E vocês SABEM o que anda acontecendo. – Aquilo deu um clique na minha nuca e me fez andar mais para frente, para poder ter uma conversa mais cara a cara com o sujeito. A segurança estalou os dedos e, em menos de 2 segundos, eu estava cercado por pelo menos quarenta homens saindo de comportas e salas escondidas atrás das paredes iluminadas. Todos eram Vampiros, todos rosnando e alguns até mesmo portavam armas de fogo de grosso calibre.
 - Você tá levando isso a sério mesmo. Qual a munição das armas?
 - Prata. Eu e você sabemos que não é tão letal para nós quanto para os uivantes, mas dá uma coceira.
 - Impressionante. – Eu respondi a ele e senti movimento nas minhas costas. Olhei para Pandora e fiz que não com a cabeça e ela soltou o cabo da espada nas costas, Fefs permaneceu imóvel e quieta, foi quando percebi que trocava olhares hostis com a mulher ao lado de Eric...aquilo podia dar merda.
 - Abaixem as armas e voltem para onde vieram. – A voz de Eric engrossou e ele se colocou em uma pose mais pensativa e agressiva, colocando o corpo para frente e os dedos entrelaçados em frente ao nariz. – Agora. – Seus soldados obedeceram e logo, só estávamos nós ali novamente. – Cody, você sempre foi o mais razoável dos Nightcrawlers. Sente-se e converse comigo. Suas amigas podem se sentar, mas seria de preferencia que não falassem nada, uma vez que uma matou um colega meu e a outra não para de lançar olhares para minha esposa. – E esperou, parado, olhando para mim. Dei alguns passos para frente, tirei a jaqueta que usava, coloquei no encosto do assento e me acomodei ali. Fefs ficou de pé do meu lado esquerdo e Pan de pé do meu lado direito.
 - Estaremos bem assim, Eric.
 - Ótimo. Agora, o que querem saber? – Essa era a pergunta mais frequente de Eric, líder da facção dos Panther, uma das famílias não originais do Conselho. Os Panther eram bons em duas coisas: Caçar Lobisomens e conseguir informações, o que fazia deles uma das famílias de prestigio perante o Conselho, mas não de respeito, uma vez que sua natureza era grotesca, selvagem demais e contra tudo e qualquer coisa que era sagrado. Os Panther eram perigosos para os equilíbrios das coisas, especialmente por causa de suas habilidades únicas...
 Ninguém gosta de um Panther.
 - Tem alguns nossos sumindo, tem relíquias sumindo, e quando alguma coisa assim acontece, você sabe de alguma coisa.
 - Estou sentindo um tom de acusação ai, Nightcrawler. – Eric que me interrompeu. – Está querendo insinuar alguma coisa?
 - Estou afirmando que você é relapso com seus deveres com o Conselho, uma vez que você já soube de coisas sobre fatos acontecidos que poderiam ter mudado a maré de muitos eventos e você não fez nada. Eu não preciso te lembrar disso.
 - Meu marido e eu não temos nenhuma obrigação com seus monarcas incompetentes. – Meu olhar foi do sorriso irônico de Eric para a mulher ao lado dele.
 - Não te apresentei, não é? – Eric disse, sem se mover. – Perdi meus modos quando vocês perderam também. Essa é Olivia, minha esposa atual.
 - Quanto tempo pra ela morrer também? – Fefs perguntou, Olivia respondeu com um leve rosnado do fundo da garganta.
 - Olivia não irá morrer tão cedo, eu os asseguro. Agora, voltando ao assunto, Cody...quanto ao sumiço e as relíquias roubadas, eu só sei que está tudo acontecendo. Não sei de mais nada.
 Eu deixei o silencio pairar um pouco sobre na sala e fiquei olhando para o Panther algum tempo. Até que comecei a falar.
 - Eric, qual o nome mesmo do seu filho? – O sorriso irônico dele se foi.
 - Por que a pergunta?
 - Sempre que venho aqui, eu tenho duas certezas. A primeira é que eu vou passar mal com o clima do lugar. A segunda é que vou ver o olhar de “foda-se” do seu filho entre você e sua esposa da vez. Me pergunto o que teria feito ele sair de cena.
 - Está querendo ameaçar minha família, Cody? Mais uma vez?
 - Não, só acho que é importante todos nós recebermos um choque de vez em quando, como o choque que recebemos quando percebemos que nossos pais não são os heróis prometidos a nós quando ainda somos crianças. Não é, Panther? – A boca dele salivou e ele engoliu a seco.
 - Você realmente quer tocar em feridas aqui, Cody?
 - Eu matei seu pai, Eric! – Falei com a voz calma, como se fosse a coisa mais comum do mundo. Aprendi que isso irrita ainda mais as pessoas. – Matei ele por ser um traidor, então, tecnicamente, eu que te botei na porra do comando por aqui. E eu mato você, a vagabunda da sua esposa e o seu filho se você olhar pra mim de novo e me dizer que não sabe mais nada a respeito do que anda acontecendo. Eu fui claro? – Os olhos do Panther brilharam, seu corpo não fez um único movimento, mas eu sabia que estava rígido como uma rocha.
 - Você não se envergonha, Panther? – Fefs finalmente falou alguma coisa, atraindo os olhares do inimigo. – Com todos os seus recursos e modos de conseguir as coisas, você poderia ter sido alguém.
 - Vocês classificam as famílias da nova geração de facções e o culpado sou eu por não gostar de vocês? – Ele voltou com o sorriso irônico. – Eu não consigo ver o porque dar informações a vocês.
 - Por que faz o que faz então? – Fefs voltou a perguntar. – Por que você recolhe todas essas informações, uma vez que você já se preparou para tudo que pode acontecer?
 Ele pensou um pouco sobre sua resposta e ela veio com tudo o que podia imaginar dele.
 - Imagine que eu jogue uma moeda pra cima, Fefs. Cody pode achar que vai cair coroa. Você pode achar que pode cair cara. Pandora, mesmo que seja só uma vã fé, ela espera que a moeda possa cair em pé. E minha esposa espera algo, e minha segurança e meus homens esperam outra coisa, e talvez aqueles drogados lá fora pensem algo a respeito também. Vocês esperam e anseiam pelo resultado. Eu? Eu só assisto com a satisfação de saber que eu fui quem jogou a moeda. Eu atrai sua atenção, eu tive o instrumento de mudança, eu fui responsável pelo aumento da maré. Entende isso? Eu não preciso fazer parte de nenhum resultado, uma vez que eu posso ter feito parte da causa! E jogando ou não a moeda, dando ou não a informação, eu faço parte de cada historia que se desenrola no nosso mundo. – E por fim, seu sorriso se alargou mais ainda.
 Eu perdi a paciência.
 Eu me levantei calmamente e suspirei...e fiz tudo antes que pudessem piscar.
 Cada família tem sua habilidade própria, sendo elas proles de Lilith ou não, cada uma tem uma habilidade que as outras não tem e nunca podem a vir a ter.
 Nightcrawlers dobram a escuridão a sua vontade.
 Um braço negro se formou a minha esquerda, do tamanho do meu corpo, seu aspecto monstruoso esfumaçando porém solido o suficiente para pegar o maldito a minha frente e pressionar contra a parede atrás dele sem mesmo mover meu corpo para nada.
 Ele guincha, rosna e tenta se soltar, em vão. Sua mulher e segurança saltam em minha direção, dentes e garras a mostra. A segurança perde metade do corpo em um corte limpo feito por Pandora enquanto a sola do coturno de Fefs acertou o peito de Olivia, fazendo-a voar até o outro lado da sala, bater o corpo tão forte na parede que o Neon estourou...assim como a cabeça dela. Ela ficou se retorcendo no chão, em convulsão quando o cranio rachado vazava e a sala se enchia de novo de guardas e engates de armas e eu voltava a falar.
 - Você não pode fazer isso. - Eric falou com a voz engasgada, rouca. - Eu iluminei...cada pedaço daqui...cada parte desse lugar, não há escuridão aqui pra você controlar...
 - Você esqueceu a que eu carrego dentro de mim. - E apertei mais. Escutei varias armas engatilhando e vários rosnados, mas nenhum tiro ou ataque.
 - Eu vou contar até cinco. - Eu disse, bem baixinho. - Um. - Apertei o corpo dele, pude ouvir o braço direito quebrar. - Dois. - Apertei mais um pouco. Duas costelas. - Três. - Mais um pouco agora. Braços já era, bacia também... - Quatro...
 - EU FALO! - Ele rugiu, cuspindo sangue. - EU FALO! - Ele rosnou agora. - Me solte imediatamente! Ou todo mundo morre aqui! - Eu fiquei olhando pra ele alguns segundos...pude ver, ele falava a verdade. O soltei, o deixando cair no chão. - Todo mundo se acalma! - Ele gritou para seus homens. - Abaixem as armas e fiquem onde estão. - Até que os estalos começaram.
 A habilidade única dos Panther era seu fator de cura bem acelerado. Eric ficou de pé após um minuto se retorcendo e concertando seu corpo, estalou o pescoço e foi até sua mesa. Clicou em aluns pontos da mesa que se acenderam ao seu toque, estava no meio do processo quando se virou para a esposa que estava gemendo, tremendo e tentando alcança-lo da maneira mais patética que eu já vi.
 - Vagabunda, não consegue nem se curar. Você não é uma Panther. - E olhou pra segurança, sem o corpo da cintura pra baixo, alguns órgãos esparramados, mas, ela ainda o olhava de maneira serena. - Cê tá demitida. - E voltou a apertar os pontos da mesa. De repente, todos os neons chiaram e imagens se formaram.
 - Ai está sua resposta. - Era muita informação, muita coisa pra se ver de uma vez, mas eu reconheci algumas coisas...nomes e rostos dos que sumiram, nome das relíquias e coisas perdidas...
 - Estou vendo rostos, localizações, perdas, tudo que já sabíamos...mas não vejo resposta. - Fefs se adiantou, olhando para cima. Eric apertou mais alguns pontos e tudo se alinhou atrás dele.
 - Pedra do Eterno, Bussolá das Estrelas, Cajado Negro, Ânfora da Terra e Navalha Cega. - Eric listou em voz alta algumas das relíquias que haviam roubado. - Essas são as únicas que eu sei que fazem diferença, o resto, eu não tenho muito conhecimento, mas aposto que é pra encher linguiça. - Ele endireitou as costas e todo seu corpo estalou.
 - Como assim, Eric? - Pandora perguntou, o punho bem fechado no punho da arma.
 - O que elas tem em comum, Cody? Essas relíquias que eu disse que guardavam tão bem? - Ele respirou fundo e apertou mais alguns padrões e as imagens apareceram. - Podem parecer enfeites pra vocês, podem não ter metade da importância de hoje e ficam juntando pó na prateleira de algum monarca babaca, mas o que acontece é que todas elas simbolizam a ressurreição. - Senti um calafrio percorrer meu corpo ao ouvir aquilo, fiz o melhor para não demonstrar mas com a risada de Eric, senti que falhei. - Pedra do Eterno foi a pedra que Lázaro usou para matar uma prostituta um dia depois de renascer. Bussolá das Estrelas foi dada a Simba quando ele vendeu a alma para ser lembrado para sempre como o maior navegador que já existiu. O Cajado Negro para Jonatas, namorado do Rei Davi quando ele aceitou ser um Espectro e servir eternamente Lilith. Ânfora da Terra foi onde Atila, o Huno, colocou os corações de todos os Generais Romanos que matou para conseguir a vida eterna. A Navalha Cega foi usada por um padre para matar um demônio que não podia ser morto por um homem comum, as ferrugens nela são o sangue do mesmo que secou. - Ele apertou de novo os botões e os rostos dos que sumiram apareceram. - Não sei ao certo o que é...mas ao ver que os capturados não são do tipo fraco, eu diria...
 - Que pode estar acontecendo um ritual de ressurreição. - Eu falei em voz alta, atraindo a atenção de todos.
 - Exato. - Eric confirmou minhas suspeitas.
 - Vamos embora. - Eu olhei para as duas. - Obrigado pela ajuda. - Eu disse a Eric rapidamente. Fefs e Pandora não me questionaram em voz alta, só com o olhar. Eu segui em passos apressados, quase pisei no corpo do Jorge e ignorei totalmente o ambiente asqueroso a minha volta. Na rua, Fefs me parou, colocando a mão no meu ombro.
 - Cody, o que foi? - E me puxou, me virando para ela. - O que aconteceu?
 - Como sabia que era aquilo? - Pandora completou o questionamento.
 - Renata. - O nome pairou como um mantra negro sobre nós. - Eu era amigo de Renata, quase tanto quanto Drake. Eu conversei com ela a respeito de magia, conversei com ela sobre muita coisa e ela me contou rituais, sobre procedimentos da magia negra bem perigosos e fudidos, até me deu alguns livros a respeito.
 - Então, cê quer dizer que tão querendo trazer a Renata de volta? - Pandora perguntou aquilo, os olhos transbordando negação.
 - Só pode ser isso.
 - Caralho...mas você tem certeza? - Fefs perguntou.
 - Não. Por isso, vamos fazer assim. Pandora, você volta pro Conselho, avisa eles, eu e Fefs vamos pra nossa casa e eu vou pegar os livros antigos, eu vou descobrir o que tá rolando, ou pelo menos saber como parar o processo. Ok? - Pandora só concordou e nem esperou por uma segunda ordem ou palavra, saltou para cima do prédio mais próximo e foi embora rapidamente.
 Fefs olhou para mim e seus olhos me fizeram sentir triste também.
 - Ela não pode voltar, Cody. - Eu respirei fundo e a abracei contra mim com toda força que eu tinha. Eu a beijei como se aquela fosse a ultima vez que fosse acontecer...olhei nos olhos dela e falei.
 - Não vai. Eu prometo.
 Então nós pulamos no telhado mais próximo e começamos a correr.
 Ela segurou minha mão o caminho todo.

ERIC PANTHER

 - Acabaram de sair daqui...é...não sei, mas o segurança lá fora disse que eles vão passar ai. Sim. Não, só veio três. A Stormrage, uma das Sete e dois Nightcrawlers, Cody e Fefs. Uhum. Mataram o Jorge. É, eu sei, foda...ok. Espera, repete...sério? Agora? Pois bem. Qual o código de entrada? Ok, será feito.
 Desliguei o celular e olhei para a segurança que acabará de se recompor e reconstruir.
 - Reúna todos os homens que conseguir. Siga os Nightcrawlers. O código para entrar no esconderijo deles é 040394.
 - Ok...qual a ordem? Capturar ou matar?
 Eu não consegui sorrir antes de dizer.
 - Matem os dois!
 Ele também sorriu e saiu andando mancando...
 Olhei para a destruição a minha volta...física em minhas paredes, moral em meus homens e seus questionamentos sobre minha autoridade...
 - É, Cody...quem diria...por sua causa, eu não só serei parte da ação...serei parte da reação também.

Longe dali
Zona Sul de São Paulo
Mansão Kane

 Toda vez que eu venho aqui, eu lembro do meu pai. Não sei porque. Ele nunca veio aqui, nunca mencionou esse lugar e de acordo com  que me disseram, ele nem sabia de sua existência...porque ele era bom demais para aquele lugar. Deve ser o modo como se comportam aqui, o modo como as coisas funcionam, lembra muito a forma como ele gostava de viver, de certa forma...só que mais agressivo. Dizem que um Helsing em território dos Kane sofre indigestão, mas eu...eu me sentia bem. Deve ser o lado da minha mãe.
 Uma voz feminina me faz virar.
 - Rapaz...entra ai, o Patrão quer falar com você.
 Arrumei a jaqueta e entrei na sala de carpete vermelho. Olhei o senhor de idade nos olhos e perguntei em alto e bom som.
 - Deu merda, né? - Ele sorriu, tragou o charuto algumas vezes...concordou com a cabeça e respondeu.
 - Deu merda, rapaz...jogaram ela no ventilador...é por isso que eu preciso da sua ajuda...

...Heitor Helsing.

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