sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Noturnos - Capítulo 001 - Chamado

 Nunca entendi o gosto deles de marcarem reuniões em lugares como este.
 Os corpos ao meu redor se mexiam e se contorciam com as batidas que vinham de cima e dos lados em caixas de sons do meu tamanho. Sorrisos falsos ou induzidos pelas misturas químicas em suas veias vinham de rostos contorcidos e com olhos vazios. Humanos se empurravam, acotovelavam e abriam caminho para dançar, beber ou outras coisas. O ar está impregnado de odores. Perfumes. Suor. Gozo. Doença. Fumaça. Tudo se mistura, mas mantem suas consistências. Consigo senti-los em meu paladar.
 Detestável.
 Essa palavra resume tudo.
 As pessoas. Os odores. O local. A "musica". As luzes. Tudo detestável e dispensável. É tudo peso no mundo, distorções sonoras e desperdício de pele.
 Mas negócios são negócios. E alguém na minha posição, não pode negar.
 Estou no meio da boate, bem na pista de dança, olhando ao redor, até que um aceno de mão atrai minha atenção. Segundo andar. Área VIP. Leio os lábios do individuo e ele pronuncia meu nome. Caminho novamente pelas pessoas até a escada que leva ao andar de cima. Os seguranças de terno e gravata concordam com a cabeça quando eu passo, tomando um passo para cada lado, mesmo eu podendo passar entre eles tranquilamente.
 Logo estou na nata. Passo por outras mesas de pessoas igualmente detestáveis as demais. Mas quando cruzo mais uma dupla de seguranças, me sinto no núcleo da podridão.
 Existem mais mulheres ao meu redor, cada uma delas me mede e sorri, tentando contato visual. Os poucos homens, os irmãos Amaral, estão atraindo a atenção delas. Seja com uma bebida, seja com um rosnado, seja com uma ponta.
 Demora alguns minutos até que eu decida pigarrear para que prestem atenção em mim. O mais velho dos três, Igor, se levanta na mesma hora.
 - Olha ele ai! - Ele ri alto e levanta os braços. Quando vê que não faço menção de abraça-lo, ele só coloca as mãos nos meus ombros. - Bem vindo de volta, meu amigo.
 - Como está, Igor? - Eu me limito a responder.
- Melhor agora, meu rapaz. Você chegou e em boa hora, sente-se. - Ele me oferece a poltrona de sempre. Abro o botão do blazer e me sento. - Olhem para ele, meninas, olhem para ele. - Todos o fazem, até os seguranças. - Quando eu olhei para esse cara, na primeira vez, ele já tinha uma certa reputação. Mas lhe faltava algo. Uma presença. Um ás na manga. Um pouco mais de alma na vida dele. - Não consegui conter muito o sorriso ao ouvir isso. - Então, decidi dar a ele emprego. Uma vida. E olhem ele agora. Onde ele vai, as pessoas que conhece, o que veste, o que dirigi. Sem duvidas, estou orgulhoso dele. - Ele levanta um copo de uísque. Todos o imitam. Um copo meio cheio é oferecido para mim. O aceito e também  levanto. Igor grita alto para todos ouvirem.
 - UM BRINDE! AO DRAKE!
 - AO DRAKE! - Todos imitam e brindam a mim. Agradeço um gesto e engulo o destilado.


 - Eu disse que você ficaria bem de terno. - Ele diz mais uma vez, antes de encher o próprio copo. Eu olho e admito, me caiu melhor do que esperava. As únicas peças que não são pretas na vestimenta são minha gravata e as abotoaduras nas mangas, ambas vermelhas.  Igor continua sorrindo para mim, por alguns minutos até eu finalmente digo.
 - Negócios. Podemos tratar? - Ele concorda com a cabeça e se levanta. Em espanhol, ele chama os irmãos e três dos sete seguranças. Levanto e caminho com eles. Após passar algumas mesas, Juan, o irmão do meio, abre uma porta fundida a parede. Ele a deixa aberta para que todos passem por ela e a tranca, logo em seguida. Estamos na sala branca, local de reuniões preferido de Igor. Chão, paredes, janelas, teto, moveis. Tudo é branco. Somente nós usamos negro ali.
 - Vamos, sentem-se. - Igor diz. Ele se senta em uma poltrona. de frente para uma mesinha de centro. Juan se esparrama em uma sofá a direita. Pablo, o irmão mais novo, o imita no sofá a esquerda. E eu sento em outra poltrona, a frente do chefe. Os seguranças ficam de pé, um ao lado do outro, atrás de mim.
 - Bom, Drake, cá estamos de novo. Como já deixei claro, estou feliz que veio. Hoje, é muito importante.
 - Sou todo ouvidos. - Eu respondi.
 - Como sabe, Del Toro está querendo expandir seus negócios. Acontece que essas ideias de expansão consiste em se achar no direito de CAGAR nas minhas áreas. - Ele respirou fundo e abriu um pouco o nó da gravata. - Isso me irrita, entende? Meu pai se esforçou pra caralho pra criar esse negocio, montar essa organização, essa minha vida. E vem um filho da puta achando que pode pegar o que bem entender? RUM! - Ele se joga na poltrona e começa a falar, mais com ele mesmo, do que comigo. Apoio minha face no meu punho e começo a ouvir o lenga-lenga. - Gordo maldito. Cuzão do caralho. Nas poucas vezes que vi ele, ele se achou no direito de pensar que eramos iguais. Ele é mexicano e eu sou ESPANHOL! - Ele respira fundo e engole a seco. - Entende Drake? Não te irrita isso? Alguém se achar que está ao mesmo nível de você? Depois, se achar superior?
 - Uhum. - Eu concordei com a cabeça. E então ele sorri.
 - Então...porque achou que era melhor que eu, Drake? - Ao falar isso, senti o metal frio do revolver encostado na minha cabeça. Nem preciso olhar para cima para ver que é um dos seguranças. Igor continuou a falar. - Você fez trabalho para Del Toro. Vários. E alguns deles, foi contra mim. - Ele se levanta, cruza os braços e me olha diretamente nos olhos. - Por que?
 - Ele paga mais. - Eu respondo, sem sair da posição. Igor esbugalha os olhos e da uma risada nervosa.
 - Então, você admite? - Eu concordo. - Olha só, Drake sempre sincero. - Sua face foi tomada pela fúria. - E por que fez isso comigo? Por que pegou trabalhos que sabia que seria CONTRA MIM? - Ele grita e a sala ecoa com sua voz.
 - Aceitei os trabalhos sobre tráficos de corpos. - Quando disse isso, Igor empalideceu. - Só destruí alguns arquivos, matei colaboradores seus, eu sei, mas eu sou um cara curioso entende?
 - Do que ele tá falando, Igor? - Juan perguntou, olhando para o irmãos mais velho, ficando com raiva. Pablo só observava, confuso.
 - Ele está mentindo. - Igor respondeu.
 - Não toquei no contêineres, mas as minhas condições com Del Toro era de que ele soltasse cada pessoa que estava dentro deles, caso contrario, não faria mais nenhum serviço. Ele cumpre com a palavra dele. - Eu sorrio. - E você, Igor Amaral? Você cumpre com sua palavra? - Em resposta, ele olhou por cima de mim e fez que sim com a cabeça.
 Eu fechei os olhos.
 Senti a bala abrir caminho pela minha cabeça, abrindo meu cérebro, quebrando o céu da boca, despedaçando minha linguá e abrindo meu queixo. Minha cabeça pende para frente e fico assim, largado na poltrona, os braços largados no meu colo. Faria um pouco de teatro.
 - DO QUE ELE TAVA FALANDO, IGOR? - Juan se levanta e parte para cima do irmão. O mais velho evita o soco e o derruba na mesinha de centro, despedaçando o vidro.
 - NUNCA MAIS FAÇA ISSO, HIJO DE PUTA! - Igor diz, se levantando. Ele passa as mãos pelos cabelos, os realinhando para trás e volta a falar. - Era um mentiroso, esse rapaz. Um bosta. Um traíra. Não leve a sério o que ele fala.
 - Irmão. - Pablo decide falar alguma coisa, ignorando os gemidos e pedidos de ajuda de Juan. - Trafico de corpos não está na folha de pagamento. Sabe muito bem que negocio independentes são proibidos nessa família.
 - Nhé nhé nhé, vai se foder! - A resposta do mais velho é a clássica de quem não tem argumento. - Eu já disse, eu não tenho nada disso que ele falou! - Ele resmunga. - Se não acredita, pergunte ao Drake ai se ele pode te levar lá! - E aponta para mim.
 - Levo sim, sem problemas. - Só volto a falar porque sinto o queixo começando a regenerar. Mais cedo ou mais tarde, eles iam saber que eu estaria vivo. Eu me apoio nos braços da poltrona e me levanto bem devagar, saindo do acento. Seus olhares vem a mim com descrença.
 - Dios mio! - Quase sem folego, Juan consegue dizer ao me ver.
 Passo a mão pelo meu blazer...viro para trás e vejo o segurança que atirou em mim.
 - Você derramou sangue no meu terno. - Ele tem o reflexo de apontar a arma novamente. É quando o mundo fica lento pra mim. Tudo em câmera lenta.
 Menos eu.
 Seguro seu pulso com minha mão esquerda. Com a direita, cravo meus dedos em seu ombro. Ao puxar, o braço dele sai como tirar uma fruta madura do cacho. Ele grita. Antes que ele caísse no chão, em choque, eu jogo seu braço no outro segurança atrás dele. O impacto é o suficiente para desacorda-lo. Mas eu só me satisfaço quando corro até ele, seguro seu rosto e o espremo seu cranio contra a parede atrás dele. Ele se desfaz. O sangue se espalha por toda brancura. Rapidamente, pego a arma no coldre debaixo do seu braço. Aponto a .40 para o terceiro segurança e disparo. Bem no meio da testa.
 Só então, eu paro. E olho para os três irmãos.
 Pálidos, em choque, de pé e com as mãos para frente, eles me olhavam. Um maldito Noturno, de pé, com um rosto semi-desfigurado, com mãos e mangas banhados em sangue e apontando uma arma para eles.
 O primeiro disparo atravessa a garganta ta Pablo. O segundo e terceiro, o peito e o pulmão de Juan.
 Igor se encosta na parede, vendo todo o vermelho tomando conta do lugar, antes, sagrado para ele.
 Porém, sagrado é uma questão de perspectiva.
 E na minha, aquele lugar era o ninho de toda mácula.
 - O que... - Ele tenta dizer. Eu o interrompo.
 - Sabe, Igor, eu admito. Não estava nos meus melhores dias quando você apareceu. Você foi mesmo um dos melhores empregadores aos quais eu escolhi servir. - Eu caminho até ele, arma abaixada. - Justamente, por isso...lhe darei uma honra ao qual não concedi a esses cavalheiros. - E gesticulo ao meu redor.
 - O que é você? - Ele pergunta, com uma voz bem fina. Eu chego até ele. Seguro seu rosto com ambas as mãos e sussurro.
 - Vou te dar uma dica. Uma muito boa. - E seguro seu ombro e sua cabeça e os afasto para que seu pescoço fique mais a mostra. Cravo meus dentes ali antes que ele possa gritar. Minhas presas cortam a pele e o músculo em um segundo. Jogo minha cabeça para trás, arrancando um naco de carne generoso. O cuspo e volto...para poder sorver todo o néctar.
 Demoro três minutos para que as veias de Igor sequem. Deixo que o corpo caia e passo as costas da mão no meu queixo.
 Me sinto bem melhor.
 Me dirijo a porta. Assim que abro, o som pesado de musica eletrônica invade meus ouvidos. Saio normalmente, sem querer chamar atenção. Logo, eu não chamo. Os outros seguranças não me percebem quando eu desço as escadas e saio da boate.
 Estou na rua. Caminho alguns quarteirões até pegar o celular dentro do meu blazer e discar os números corretos. Mesmo naquela distancia, consigo ouvir o gatilho da bomba ser ativado e explodir minha Mercedes.
 Pronto. Aquilo me daria tempo.
 No primeiro beco escuro que vejo, eu me embrenho nele. A escuridão me recebe como uma velha amiga. Logo, estou cravando meus dedos nos concretos e subo até o topo do sobrado.
 Me torno uma sombra que percorre os telhados. O vento bate em meus ouvidos e faz o sangue secar em minhas vestes e isso me conforta. Me sinto livre. Me sinto bem.
 Não demora muito e chego no meu prédio. O porteiro não vai ter de me ver, pois escalo os andares até chegar ao meu apartamento. Desço na varanda, abro a porta e entro.
 Tudo do jeito que deixei.
 Respiro fundo e começo a tirar a roupa. Preciso de um banho, um urgente. Tiro só o blazer e o colete. Olho para a bandeja de prata com o conjunto de garrafa e copos de vidro. Dentro da garrafa, rum. Achei digno tomar um gole.
 Virei dois copos e servi ambos. Peguei os dois e disse.
 - Vai ficar ai a noite toda? - E me viro para encarar a sombra de pé no corredor. Olhos vermelhos me observam. A sombra caminha para frente para que a luz da lua o mostrasse.
 - Continua sem graça, Drake. - Eu rio e ofereço o copo a ele.
 Estava quase do mesmo jeito que eu lembrava. Só que com o cabelo mais curto e uma barba mais respeitável no rosto.Longa, porém arrumada. Trajava uma camisa preta e uma camisa xadrez por cima nas combinações de vermelho e preto. Ninguém suspeitaria que aquele ser também era um Noturno.
 Thiago Redson.
 Meu amigo.
 Ele pega o copo, brindamos e viramos em um gole.
 - Ah, isso continua bom. - Ele diz e olha para mim. - Como vai, irmão? - Eu respondo a ele com um abraço rápido.
 - Bom te ver, Thiago.
 - Bom te ver, Drake.
 O convido a sentar no sofá e ele o faz. Encho os copos até a boca e ofereço a ele, sentando em seu lado.
 - Até que tá vivendo bem pra um assassino de aluguel. - Ele diz, olhando a casa ao redor.
 - Não tenho do que reclamar. Era isso ou trabalhar de gigolô.
 - Imagino como todos iriam reagir se soubessem que Drake Nightcrawler estaria servindo mulheres a quem pagar mais. - Ele virou o copo enquanto eu fiquei encarando o meu. Demorei alguns minutos para dizer.
 - Sabe muito bem que agora é Drake. - E também virei o copo. Thiago resmungou.
 - A decisão do Conselho não implica no afeto que sua família tem por você. Você ainda faz parte dela.
 - São as regras, Thiago. As Antigas Leis. Eu não as criei. - Respirei fundo. - Mas admito que mereci o peso delas.
 - Você cometeu um erro, ok. Mas nem mesmo o mais sábio de nós pode prever o que aconteceria, Drake. Eles também tiveram sua responsabilidade, eles fizeram merda também! Você...
 - EU... - o interrompo. - fiz algo que trouxe guerra e morte. Perdi amigos naquelas noites, Thiago. Pais perderam filhos. Famílias perderam membros...
 - O cachorro perdeu o dono, eu já entendi, rapaz. - Thiago me cortou. - Você já me falou isso antes.
 - O que veio fazer aqui? - Eu pergunto, olhando para ele com os mesmos olhos vermelhos de antes. - Você não cita meu antigo sobrenome a anos. O que quer? - Ele dá um riso nervoso, suspira, e diz logo de uma vez.
 - O Conselho precisa da sua ajuda. - Ele olha para mim agora. - Eles me pediram pra te buscar e para irmos falar com eles. - Olho para o Redson alguns segundos, vejo que ele diz a verdade.
 - O que aconteceu, Thiago? - Eu pergunto. Ele se acomoda no sofá de novo e começa a falar.
 - Começaram a desaparecer coisas e pessoas, Drake. Primeiro, algumas relíquias sem importância. Depois, de suma importância. Agora, membros das famílias estão sumindo. E isso, é preocupante.
 - A quanto tempo tem acontecido isso?
 - Tempo o suficiente para eles chamarem Os Sete de novo, Drake. - Sinto um frio na espinha. Um gosto ácido na boca e um turbilhão se passando na minha cabeça.
 - Todos?
 - Todos. - Ele diz, pesadamente. - E é por isso que estão te chamando, pra...
 - Seis podem resolver esse problema. Tenho certeza. - Me levanto e pego o copo da mão de Thiago. Levo até a cozinha e deixo dentro da pia. Ele me segue.
 - Drake, entenda. Os Nosferatu deixaram claro que precisamos reunir os Sete. Eles...
 - Eu não sou um dos Sete, Thiago. - Aponto meu dedo pra ele ao falar. - Não mais. - Abaixei o braço e respirei fundo. - Foi a primeira das muitas coisas que eles me tiraram. Meu titulo. Minha casa. Meu nome. Eu sou um Exilado. Desrespeitei as leis e agora, pago por isso. É bem simples.
 Thiago suspira. Ele passa a mão no queixo, coça a barba...levanta a sobrancelha e dá uma guinada na cabeça como se tomasse uma decisão. Então ele fala...
 - Sabe como Ana brigou para que assumissem que precisavam de você? - Aquilo me congelou, ao mesmo tempo que fez meu corpo ferver.
 - Não a mencione...
 - Ela brigou com os Três. Levantou a voz. Rugiu dentro da Câmara Negra. Eu não sei como, mas ela colocou bom senso na cabeça daquelas múmias, pra você ficar ai falando de suas culpas? - Ele vem até mim e segura em meus ombros. - Cadê o Drake? Cadê o filho da puta que lutou comigo em alto mar? Cadê o arrombado que atirava pra tudo quanto era lado?  - Ele rosna. - O QUE ACONTECEU NAQUELA GRUTA QUE TE MUDOU TANTO, DRAKE? O QUE TE FEZ ACEITAR O EXÍLIO?
 Se fez silencio após a gritaria dele. Após alguns segundos, eu respondi.
- Acabou, Thiago. Siga sua rota. Eu não vou me misturar novamente com eles. - Eu me soltou...fez que sim com a cabeça. Colocou a mão no bolso da jaqueta e tirou uma folha da papel negra. Eu reconhecia aquela folha...era um documento. Um Relatório de Situação feito pelos escribas do Conselho.
 - Thiago...
 - Essa é a lista de coisas e Vampiros que desapareceram nas ultimas duas semanas. - Ele deu um passo para frente. - Leia! - E encostou o papel no meu queixo.
 Peguei o mesmo, quase o rasgando e abri. Não me interessava o que havia sumido, mas sim quem. Nomes e nomes de Vampiros de varias das nove famílias estavam ali. Alguns até conhecia e...
 ...
 Após ler o ultimo nome, olhei para o Redson.
 Ele só fez que sim com a cabeça.


Lucian Nosferatu
Meia hora depois
Câmara Negra


 Ser um dos Três Grandes exige muita responsabilidade. Ainda mais quando você é o único realmente ativo na administração do Conselho.
 Se pelo menos a maioria soubesse o trabalho que tive somente de reunir esses seis indivíduos a minha frente, aqui e agora, na Câmara Negra, provavelmente eu seria mais respeitado.
 Os seis dos Sete Escolhidos. Eles conversam entre si e esperam o que me convenceram também a esperar.
 O que ELA me convenceu a esperar. A Noturna sentada na primeira fileira de bancos de ébano, com os braços cruzados, mirando a enorme porta negra da entrada. Fechada.
 Ana Nightchild.
 - Bem. - Eu decido falar, ficando de pé. - É digno de se verem que Thiago Redson falhou em sua missão. Faz mais de duas horas e nosso tempo é precioso. Precisamos...
 - Ele vai vir! - Ana fala, um pouco mais alto do que eu. - Por favor, Soberano Lucian, ele vai...
 - Chega, Ana! - Eu bato com os dois punhos em cima da mesa. - Já basta você ter convencido esses seis de que deveríamos chamar um Exilado para dentro da Câmara. Agora levanta a voz para mim! Você merece...
 E então eu paro de falar. Por causa das batidas...
 Batidas que começaram do nada. Como se algo pesado estivesse batendo em algo resistente. E elas estavam aumentando...e rápido e...
 Estavam vindo lá de fora!

 BROOOM!

 Poeira levanta quando as pesadas portas são abertas de maneira tão grosseira. O chão e o teto soltam cascalhos e as dobradiças aguentaram porque a Noite quis.
 Ana se levanta. Os Seis sorriem e dão risada.
 Vestido de maneira bem formal para seu tipo, Drake ignora a todos...ele anda com os punhos cerrados, olhos vermelhos e presas tão afiadas que ameaçam furar seus lábios. Ele chega o mais próximo do Altar que pode, olha para cima...para mim...e rosna...

 - Onde está minha irmã?

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