domingo, 23 de agosto de 2015

Noturnos: Anos Escuros - Capítulo 02

São Paulo
Centro da Cidade
01 de Dezembro de 2078
02:00hrs
Luke Stryker

✞✞✞✞


 Assim que a porta de 25 centímetros de madeira maciça e trincos de aço foi derrubada em cima do corpo do seu segurança, Dolan, o dono do Bar Subsolo, se arrependeu de muitas coisas. Das mulheres que traiu, dos amigos que matou, do dinheiro que arrecadou com isso...mas o maior motivo de arrependimento...foi de ter tentado se redimir. De tentar acertar as coisas. Ele sempre soube discernir o certo do errado, mas sempre optava pelo que lhe era conveniente ou pelo que lhe dava prazer.
 Mas depois, tentou mudar, deu ouvidos aos caras bons, ajudar aqueles que ele sabia serem corretos, que queriam equilibrar a balança, devolver esse equilíbrio ao mundo para que ele não corresse mais riscos. Pareceu bom, pareceu o certo a se fazer, afinal, um mundo destruído não valia de muita coisa.
 E agora, ele ia se foder por isso.
 Foi a ultima coisa que ele pensou antes do homem alto e largo como um armário, branco como a lua, vestindo um sobretudo preto que realçava os cabelos ruivos divido ao meio e caindo para os lados, pisou na madeira nobre, que espremeu o corpo do homem a baixo dela, e adentrou ao bar, segurando duas Springfield XDM Calibres 45 cromadas, uma saindo uma leve fumaça de um deles por seu recente uso.
 Seu rosto estava protegidos pelas sombras do local, mas seus olhos brilhavam em vermelho, mostrando a versão poética de um caçador das trevas. Havia 8 pessoas no local, contando com Dolan. O dono do bar estava atrás do balcão, enquanto os outros, clientes, estavam sentados aleatoriamente nas mesas. Dos 7 clientes, 3 se levantaram. Seus olhos também brilhavam, mas nada que se comparasse do verdadeiro caçador ali. Os humanos, que estavam ali somente para ter uma noite relaxante, perdidos, se abaixaram. Os três Vampiros vieram para cima, com unhas e dentes. Coordenados, coisa que impressionou a Luke. Um pelo meio, outro pela esquerda, mirando suas pernas, outro pela direita, batendo o pé na parede, o atacando por cima.
 Impressionante para Vampiros de rua.
 Luke cruzou os braços, mirando as pistolas em seus inimigos. O da direita levou a bala no meio da testa, varando e estourando uma das luminárias decorativas do local. O da esquerda, mais embaixo, foi esperto o bastante para desviar e evitar morte imediata. Ao invés disso, o tiro entrou pelo ombro, cruzou com algumas costelas no caminho, mas se alojou no pulmão. A química da bala faz efeito. Ele cai no chão, tremendo, como se tivesse uma convulsão, sentindo arder por dentro, o consumindo pouco a pouco. O do meio foi rápido. Suas garras quase pegavam no sobretudo caro de Luke. Virou seu corpo, suficiente para desviar do golpe e ainda ficar perto do inimigo. Durante a investida, ele colocou um dos revolveres dentro do coldre em seu casaco. Ele segura o pulso do Vampiro e o faz girar em pleno ar, o fazendo cair de costas, ao chão, aos seus pés. Por fim, com o outro revolver ainda em mão, ele o finaliza. Com uma bala bem no meio das sobrancelhas.
 Ficaria tudo silencio se não fosse o Vampiro moribundo no chão, se retorcendo, rosnando e chiando, raspando suas unhas afiadas no peito e na garganta. A bala estava fazendo efeito.
 Provavelmente, se não fosse cômico e lhe trouxesse boas memorias, Luke finalizaria o maldito.
 O Caçador prosseguiu com sua missão.
 - Um segurança humano na porta. Interessante. Grande e forte, pode intimidar a própria especie, mas faz parecer, para a nossa, que você está desprotegido. Pena que eles nunca enfrentaram homens armados, não é? - Ao falar isso, os humanos escondidos embaixo de mesas se levantaram para fugir...sem ver, Luke sacou e atirou uma bala em cada nuca, fazendo os corpos caírem e faces estatelarem no chão.
 - Ok, Dolan. Saia antes que eu vá te buscar. - Ao dizer isso, o Vampiro de cabelos grisalhos penteados para trás sai de trás do balcão, como mandado...apontando uma Shotgun Remington de cano cerrado, mirando no intruso. Não disse nada, só apertou o gatilho. A explosão  lançou seus numerosos projeteis no corpo de Luke, o fazendo voar pelo recinto. Sua cabeça fez um barulho nauseante quando caiu no chão...e ali ele ficou.
 - Toma, filho da puta. - Dolan sussurrou para si mesmo, engatilhando sua arma e preparando outro tiro. A fumaça e o som de fritura que vinha do corpo do intruso era comum, já que a munição era de prata abençoada...mas não deveria durar tanto. Deveria durar 5 segundos no máximo e transformar o inimigo em cinzas. Ele...
 - Puta que pariu! - Dolan resmungou, ao olhar para o lado. Seu antigo guarda ainda se debatia e rosnava no chão, atrapalhando seus pensamentos.
 Dolan acabou com seus sofrimento. Com um apertar de gatilho, seguido de mais um engatilhamento. O velho Vampiro sabia que, se tivesse a chance,o antigo guarda o agradeceria.
 - Piedade não combina com você, Dolan. - O Vampiro aponta a arma para onde o intruso deveria estar...mas ele não está mais ali. Dolan olha ao redor e tudo que vê é o seu bar destruído. Ele pensa em quanto tempo tem antes que a policia chegue...e é agarrado pela sua camisa e cinto da calça jeans desbotada...e é lançado com uma força bruta, que nunca pensou ser possível alguém ter, contra as suas prateleiras de bebidas. As garrafas caem junto com ele, quebrando e esparramando liquido...igual a Dolan.
 - Não foi um movimento muito esperto, Dolan.- O Caçador diz, pulando e se sentando no balcão, olhando para dentro, admirando seu recente feito. - Apesar de que...você não é muito de escolhas brilhantes não é? Primeiro, irrita esse tal de...Turquesa, não é? - O Caçador ri. - Depois, você decide apoiar os caras mals. Péssimo modo de viver a imortalidade, Dolan. PÉSSIMO! - Luke pula para dentro do balcão e pisa nas costas quebradas de Dolan. O velho Vampiro ruge. Seus olhos estão vermelhos, dentes e garras afiadas, raspando no piso de madeira, tentando sair dali, não aguentando a dor.
 - Dolan...fique quieto. - Luke diz, engatilhando sua arma. O Vampiro se aquieta o máximo que pode, mas ainda treme e geme de dor.
 - Eu não sei de nada. - Ele diz, com sua voz fraca.
 - Claro. Um cara que tem Vampiros de segurança nunca sabem de nada. - Luke pisou mais forte sobre a coluna quebrada do interrogado. O mesmo rosnou...mas achou forças para olhar para cima e perguntar.
 - Como você sobreviveu...?
- Não te interessa. - Luke apontou o revolver para a cabeça de Dolan e perguntou. - Vamos por partes...quando foi a ultima vez que você viu ou falou com algum que fez uma piadinha sem graça a respeito do Conselho? Hm?
 - Bom... - Dolan respondeu, entre gemidos. - Tem aquela do Vampiro que tinha um bar e uma gaiola e teve o coração arrancado...já ouviu?
 - É uma das minhas preferidas, Dolan. - Luke respondeu, tirando o pé de cima dele. - Mas eu gosto mais daquela... - e o pegou pelas roupas novamente. - ...que Vampiro servia de peteca! - E Luke o jogou novamente com a mesma força de antes. Ao bater na parede do outro lado do bar, Dolan cuspiu sangue negro antes mesmo de tocar o chão. Duas costelas perfuraram seu pulmão, as outras dançavam por dentro de seu corpo. A coluna já era. Ele não sentia suas pernas...demoraria demais para se curar.
 Em passos decididos, Luke atravessou o bar e levantou Dolan. O segurou pelo pescoço e o prensou contra a parede. Estava ficando sem tempo e sem paciência.
 - Vamos lá, Dolan. - Ele disse bem perto do ouvido do velho. - Um nome, um local e um motivo e eu vou embora.
 Dolan pensou em tudo...pensou no que tinha  feito e deixado de fazer...suspirou...e recebeu um aperto mais forte na garganta e no tronco e começou a gritar.
 - Eu falo, eu falo, eu falo!

5 minutos depois

 Luke saiu com um pedaço de pano na mão, antes usado para limpar o balcão, agora para limpar o sangue de suas mãos e embaixo das unhas. Ele estranhou aquilo e não deixou de sorrir. Normalmente era sua face que ele limpava, principalmente os lábios e região do queixo.
 Assim que botou os pés nas rua, ele analisou o seu redor. Vazio. Desprovido de vida e movimento. Uma noite de Quinta-Feira, também, não deveria ser diferente.
 Luke coloca os dedos no ouvido, acionando o ponto eletrônico.
 - Lucy?
 - Fala, mano. - A voz feminina e forte da irmã veio reconfortante no ouvido.
 - Consegui, ok? Ponto de encontro em cinco minutos.
 - Ok. Desmonto quando eu saber que é seguro.
 - Alguma noticia do Adam e da Zoey?
 - Adam está a espera, Zoey está jantando.
 - Ok. Eu vou...
 Luke parou de falar e olhou por cima do ombro. Um rugido, alto e agudo, remexeu seus tímpanos e algumas janelas do local. Em seguida, o som de pés poderosos e pesados vindo em sua direção com extrema rapidez.
 Dolan...você até que tem mais fibra do que eu pude imaginar - Foi o que o Vampiro pensou.
 Um vulto negro com dois metros de altura e asas medianas em suas costas apareceu no resto da porta. Seu corpo era forte e definido, mas magro, braços e pernas finos, assim como seu pescoço. Suas orelhas eram pontudas e tortas e seus dentes afiados, mas desfalcados.
 A verdadeira forma de Dolan era patética. Se o Vampiro não tivesse sofrido tantos mal-tratos antes de se transformar, talvez estaria mais apresentável, mas nada mais poderosa. Ele se assemelhava muito aos Morcegos...aqueles zumbis rubros que Vampiros podiam criar.
 Luke continuou parado, olhando por cima do ombro, de costas para seu inimigo, que vinha rápido e feroz, apesar de tudo.
 - VOCÊ É MEU! - Sua voz era chiada e grossa ao mesmo tempo. Ele afiou mais ainda suas garras, as fazendo crescer, mirando-as no corpo do Vampiro ruivo.
 Quando ele colocou o pé no ultimo degrau...seu corpo recuou.
 Não houve sons audíveis para humanos, só um pequeno ruido, para ouvidos mais apurados, do silenciador fazendo efeito no tiro Rifle Sniper AS50 com metal batizado. O que podia ser ouvido por qualquer um, era a parte da cabeça, a cima do maxilar, de Dolan sendo espalhada pela entrada de seu antigo bar. Seu corpo virou cinzas antes mesmo que caísse no chão.
 A atiradora mirou seu scope agora para Luke Stryker. O Vampiro ruivo olhou em sua exata direção, para cima do prédio bem a sua frente... e balançou a cabeça, positivamente, sorrindo com satisfação. Ele levou os dedos aos ouvidos e disse:
 - Belo tiro, maninha.
 A Vampira ruiva de cabelos curtos, cujas feições se assemelhavam as de Luke, respondeu no mesmo tom.
 - Eu sei, maninho. Eu sei.
Luke tirou uma pequena esfera verde do bolso. Fogo do Tártaro. Sacudiu e jogou para dentro do bar. As chamas começaram a se espalhar rápido.
 Lucy desmontou sua arma e a colocou dentro da maleta.
 Luke já havia ido embora antes mesmo dela começar a saltar os prédios.
 - Maninho. - Ela voltou a chamar no ponto eletrônico, enquanto saltava pelos prédios do centro, da maneira mais graciosa que uma sombra.
 - Fala.
 - O que ele disse? - Ela perguntou. - Quem é o alvo agora?
 E a resposta veio.
 - Tiramos a sorte grande.
 Uma simpatizante. Novata. Mas ligado diretamente ao alvo principal.
 Ela é da família Nightcrawler.
 Uma tal de Samy.

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