domingo, 19 de abril de 2015

É Hora de Voltar

Mais um Capítulo da série: Noturnos

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Resumo das noticias dadas a todo Brasil e ao mundo nos últimos 5 anos

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O Porto de Santos foi vitima de uma explosão esse final de semana no litoral do Brasil.
As chamas rapidamente se espalharam e causaram diversas explosões ao longo do Porto, causando estrago até mesmo nas ruas e estradas próximas a ele. Tal incêndio foi tão forte que varias equipes médicas e jornalisticas no local foram vitimas do mesmo, incluindo um helicóptero de imprensa.
O resultado final foi a destruição do Porto e o mesmo afundando.
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As ultimas noticias a respeito do Desastre do Porto foi que, a emissora que mandou o helicóptero para o local foi que um informante disse que havia pessoas no local do incidente e que estariam brigando. Porém, quando o helicóptero caiu, ele estava dentro da grande coluna de fumaça que cercava o local. Por causa de interferências, as ultimas palavras do piloto e equipe não foram ouvidas.
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Apenas três dias após a Tragédia do Porto, o Museu do Ipiranga foi vitima de explosões ontem a noite. O prédio foi demolido a tal ato. As autoridades em entrevista com as emissoras mencionaram a possibilidade de terrorismo.
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Panico e fome nas ruas. Pelo motivo dos ataques ao Porto, a distribuição de alimentos em muitos estados do sudeste do Brasil se tornou precária, dependendo dos caminhoneiros mais do que nunca. Porém, os mesmos estão em greve, graças aos altos períodos de trabalho sem uma remuneração digna de tal serviço.
A reforma do porto está acontecendo a mais de 4 meses, mas ainda não há previsão de quando ficará pronto.
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A crise econômica piora com o prolongamento das greves e revoltas em parte da população. Os Protestos que tiveram inicio a 3 semanas começaram a ter apoio da policia. Vários policiais ao redor do Brasil largaram suas armas e escudos ao longo das ruas e se juntaram aos protestos realizados essa semana. Os mesmo pedem ao Governo que tomem uma atitude mais enérgica quanto a crise e que pare de aumentar os preços dos produtos.
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O que parece ser uma salvação chega ao Brasil. Um financiamento de exatamente um bilhão de reais foi dado as empresas responsáveis pela reconstrução do Porto de Santos e do Museu do Ipiranga. A responsável pela doação é Renata Enila, Brasileira criada na Alemanha, dona da empresa Reino Branco, uma empresa multinacional especializada no desenvolvimento, produção e distribuição de armas, que começou a funcionar por volta de 1964.
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A Policia Militar de todos os estados Brasileiros receberam uma doação de Quatro Bilhões de reais da empresa Reino Branco. O fim é para que seja investido em treinamentos melhores de Policiais, melhores equipamentos e melhor meios de transportes para o mesmo.
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A economia consegue se estabilizar a ponto de diminuir alguns preços no mercado. O Presidente hoje agradeceu a Renata Enila por toda ajuda que ela tem dado.
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Foram presos hoje cerca de 47 funcionários públicos, entre eles senadores e deputados, acusados com provas consistentes de corrupção. Entre os itens das variadas acusações, se destacam, assassinato, extorsão, lavagem de dinheiro e exploração de menores. O Presidente também foi acusado, porém, não foi levado preso. O mesmo, resolveu não se pronunciar.
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A criminalidade cai em 60%.
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A Lei do Armamento Pessoal é aprovada.
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O Novo Porto de Santos estará aberto para visitas a partir dessa terça-feira. A nova estrutura tem um pequeno parque de diversões para as crianças e um museu que conta a historia do lugar. A entrada é gratuita.
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O Museu do Ipiranga estará aberto está Quinta-Feira. As poucas relíquias recuperadas estarão a mostra, porém, 80% das peças serão copias das verdadeiras. A entrada será gratuita.
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O Reino Branco, empresa de Renata Enila, terá sua sede principal mudada para o Brasil, São Paulo, ainda este ano.
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Acusações contra a empresa Reino Branco, de contrabando de corpos, apareceram na internet hoje e em documentos entregados anonimamente na policia. Apesar de tudo, as autoridades dizem que isso não passa de um mal entendido, em visto que as provas são "inconsistentes".
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Um ataque ocorreu na cúpula do Reino Branco no Centro da Cidade de São Paulo. Os 12 Gerentes de Produção e Ações foram mortos em suas salas de reunião de forma brutais. Renata Enila, presidente da corporação, decidiu não se pronunciar a respeito. Os investigadores responsáveis usaram a palavra terrorismo a imprensa e dizem poder haver ligação com os incidentes do Porto de Santos e do Museu do Ipiranga.
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Renata Enila anunciou hoje que irá concorrer a presidência. Ao anunciar isso, fizemos uma pesquisa nas ruas e em nosso site. Renata tem cerca de 90% de apoio do povo no momento. É um fato histórico! Juntando isso com sua fortuna, seu conhecimento sobre negócios e o modo como os executa, ela com toda certeza irá será uma ótima governante.
Não é exagero nenhum em dizer que Renata Enila é a mulher mais poderosa do mundo.

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Cordilheira do Himalaia
Topo do Monte Everest
20:00hrs

?????

 Os vento é forte. A neve é funda. O negro e o branco se mesclam e a minha visão é tomada por ambos. Posso ver através da escuridão, mas não posso ver através da neve, infelizmente...porém o cheiro de enxofre está ficando cada vez mais forte...e estou começando a sentir o calor...o som de metais...
 "HOOF, HOOF" Olho para o meu lado...Zorro late para mim. Ele está mordendo de novo aquela roupa que tive de colocar nele. Ele olha para mim com os olhos alaranjados em um pedido de clemencia. Eu só o olho de volta...ele entende o recado. Ele se aquieta, abaixa a cabeça e continua caminhando, abrindo caminhando perante a grossa e funda camada de neve.
 Eu arrumo meu próprio manto e verifico se meu rosto está bem coberto. Confesso que branco não é uma cor que me agrade muito, ainda mais em vestimenta. Mas vale o esforço.
 Eu logo avisto onde eu tenho de entrar.
 Está a alguns metros a minha frente. Um penhasco nos separa.  A fissura estreita está na parede, em um local bem íngreme. Humano teria problemas de entrar ali, mesmo que fosse com os devidos equipamentos.
 Por sorte não sou um humano.
 Eu me agacho e Zorro sabe o que fazer. Ele se aninha perto de mim e encosta seu focinho em meu peito.
 Uma poça negra se forma em baixo de mim, se originando de meus pés. Sou absorvido por ela. Me uno a escuridão...por ela eu cruzo todo o espaço que preciso...e um instante depois, estou dentro da caverna...do lado de dentro daquela fissura.
 Zorro funga em meu pescoço e eu me levanto. Sorrio para o meu cachorro.
 - Ficamos bom nisso, não é? - O cachorro lambe o próprio focinho e continua a caminhar junto comigo para o fundo daquela caverna...

 Você encontrará o caminho com seus ouvidos e nariz. Você deve passar por um teste antes. Mas pelo que vi todos esses anos, você irá conseguir supera-lo. Quando encontra-lo, revele-se. Mas somente a ele. Ele irá te surpreender. Ele irá ajudá-lo de todas as formas possíveis.

 Eu me lembrava das instruções...o local, eu já havia achado...bastava agora que fosse feito o teste para poder, enfim, conhece-lo.
 Continuamos andando...o som de água em meus pés e gotejando do teto logo se tornou comum. O calor ali dentro derretia a neve que teimava em entrar. Olhei para Zorro que logo olhou para mim.
 - Pode tirar a roupa se quiser. - Eu disse a ele. O cachorro meteu os dentes nos panos que o cobria e os despedaçou rapidamente. Ele se debate, se alonga...e volta ao meu lado. É um bom menino.
 - Quem é este que se aproxima? - A voz é grave e faz as paredes e chãos tremerem a minha volta.
 Hm...estou no caminho certo.
 Em passos firmes, continuo a caminhar a sua origem. Minha visão noturna começa a oscilar...as vezes vejo somente a silhueta das coisas e depois, consigo ver tudo claramente. Alguém está aumentando sua aura para me intimidar, está até conseguindo causar uma certa "interferência". Então eu aumento a minha, mandando o recado de que estou pra ficar.
 - Insolência... - A voz grave volta...porém em um sussurro carregado de ressentimentos...hm...parece que alguém já tinha feito isso antes.
 Logo, a escuridão é quebrada por dois pontos luminosos a minha frente...pequenas luzes verdes.
 Zorro começa a rosnar, e como se fosse um gatilho, as paredes tremem novamente.
 Não são luzes...são olhos.
 Sua cabeça é grande e calva. Os cabelos ajudam a completar a espeça e longa barba ruiva que vai até o chão, em uma unica trança. Seu corpo está curvado por causa da pouca altura da caverna. É robusto, forte...e parece estar usando múltiplas peles de diferentes animais como roupa. Ele olha para mim...e se alonga. Seus braços são da grossura de uma minivan. Pulseiras de madeira estão em seus pulsos...e varias marcas de luta.
 Um Gigante estava a minha frente.
 - Vocês não estavam extintos? - Eu pergunto a ele. Ele se ergue mais e solta um grunhido. Sua cabeça bate no teto e sinto como a estrutura fosse demolir sobre nós. Zorro late, rosna mais alto e se eriça...
 O Gigante para...pensa...e diz, olhando para mim.
 - Curioso... - Sua voz ainda é grave..mas não é carregada como antes. - Você não recua.
 - Por que eu o faria? - Eu pergunto de volta.
 - Eu o esmagaria se eu quisesse. - Eu sorrio por debaixo dos panos que escondem meu rosto. Olho para Zorro e digo.
 - Senta. - O cachorro escuta, para de rosnar e faz o que mando. Eu dou um passo a frente e abro os braços. - Tente.
 O grandão ruge. Seus olhos se iluminam mais...e chamas pulam deles. Ele ergue seu punho e o desce com toda força que tem. Sou atingido, meus pés afundam nas rochas que se desfazem com a força do impacto.
 Mesmo tendo uma face escondida pela barba e covas luminosas no lugar dos olhos...sua cara de surpresa é inegável e impagável...quando ergo seu punho com uma unica mão.
 - Então...como eu ia dizendo... - Eu começo a falar com ele. Minha voz abafada não parece atrapalhar sua compreensão. - Eu gostaria de falar com o Ferreiro. Me disseram que ele estaria aqui. Eu gostaria de vê-lo.
 Ele fica nervoso novamente. Ele força seu punho mais uma vez, tentando ainda me esmagar.
 - Ninguém pode ver o Ferreiro! - Ele diz, deixando transparecer em sua expressão que está fazendo muita força.
 - Jura? - Eu respondo a ele. - Porque eu conheço Sete caras que já falaram com ele. - Ele para. O peso de seu punho se desfaz e ele levanta o braço...logo, ele só está ali, parado em minha frente, agachado.
 - Quem é você? - Ele pergunta.
 - Alguém que precisa falar com o Ferreiro. - Eu respondo. - Pode me deixar passar? Por favor. - Sua expressão agora é confusa...e ele pergunta.
 - Por que não atacou?
 - Você é um Gigante, certo? - Eu pergunto a ele. - Você é uma raridade. Um dos últimos. Sei que sua raça anda meio..."dispersa". Matar você só ajudaria acabar com toda uma espécie.
O silencio só não foi absoluto pelo arfar de Zorro ao meu lado. O Gigante me olhou com cuidado, dos pés a cabeça. Eu era um ponto branco em meio aquelas sombras e era o centro da atenção dele.
 Então, ele deu um largo passo para o lado que fez tudo tremer novamente. Ao fazer isso uma entrada apareceu. Uma escada que levava para um nível superior. Luzes laranjas vinham dali, de onde quer que fossem.
 - Tire os sapatos quando entrar. - Ele disse e se aninhou nas rochas, fechando os olhos. Eu estalei os dedos e Zorro me seguiu. Antes de subir, eu o agradeci.
 - Obrigado.
 - De nada. - Ele respondeu. E antes de começar a subir...eu vi que ele sorriu.
 Subimos a escada. Zorro parecia com pressa, mas manteve-se no meu ritmo. As vezes ele mordia meu manto, parecendo que estava questionando do porquê de eu usa-lo. Eu tinha meus motivos.
 Dois minutos de subida depois...eu cheguei.
 A vista era algo...descomunal.
 O piso de madeira cobria grande parte do local. Estava quente...tão quente que me questionei como não estava queimando tudo. O som de metais trabalhando e o tec tec de picaretas era quase ensurdecedor. As paredes eram rochas trabalhadas, lisas, como se fossem fazer algum tipo de acabamento nelas, mas não o fizeram. A minha frente, eu via uma larga escada de madeira que levava a um piso de rocha. E a frente desse piso...inúmeros barris de metal, presos em correntes e maquinário pesado, carregavam rochas e minerais.
 E lá embaixo, o vulcão ardia...
 O Monte Everest não estava adormecido. Tudo ali, só não explodia porque ELE não deixava.
 O Ferreiro.
 No piso de rocha, em frente a uma bigorna esculpida na rocha, examinando uma peça de metal, um homem estava de costas. Careca, vestindo somente uma calça branca, cheia de manchas. Suas costas e braços eram largos...e dali, eu podia ver os calos de suas mãos.
 Dei dois passos e ele falou.
 - Sapatos. - E eu parei de andar. - Seus sapatos...ou melhor...botas... - Ele jogou a peça de metal para o penhasco que caia para a lava...e se virou para mim. - Estão espalhando neve para todos os lados.
 Olhei para baixo e vi minhas roupas todas cheias de neve...olhei para o meu cachorro e ele estava todo molhado...
 Voltei a andar.
 O homem a minha frente, com uma cara de poucos amigos, levantou uma sobrancelha e começou a descer as escadas, vindo a minha direção.
 - Hey! - Ele disse novamente. Sua voz era grossa, mas não a nível do Gigante. - Eu disse que suas botas estão espalhando neve! E esse teu Chihuahua ai também!
 - Ele é um Rottweiler. - Eu respondi. - E ele vai onde quiser. - O Vampiro a minha frente rosnou. Sua garras cresceram e seus olhos ficaram rubros.
 - Pode ter passado por Sansão... - Sansão...esse era o nome do Gigante? - Mas não se mostra digno de estar aqui!
 - Eu quero ver o Ferreiro. - Eu disse em alto e bom som. O rosto do homem não mudou...mas ele demonstrou surpresa em seus olhos...ele estava acostumado a ser confundido com o Ferreiro de verdade.
 Ele não respondeu mais nada. Ele avançou. Um rugido saindo da garganta e as garras a mostra. Seu alvo era meu pescoço...queria agarra-lo e estraçalha-lo.
 Avancei primeiro. Rápido e abaixado, minha mão esquerda foi ao seu queixo...o forcei para cima, fechando sua boca com violência. Os dentes da frente quebraram. Seu cranio rachou quando coloquei mais força no braço e espremi sua cabeça no chão. A madeira afundou e quebrou, espalhando estilhaços por todos os lados.
 Eu me levantei...deixando o Vampiro gemendo de dor no chão. Ele me olhou com olhos vermelhos meio abertos, cheios de duvida...e eu olhei com os meus olhos rubros cobrando uma resposta.
 - Onde está o Ferreiro? - E quando perguntei isso, ele rugiu. Rugiu alto. Alto, grave e continuo. Então, tudo se silenciou...as correntes, a picareta...tudo...
 Aquilo tinha cara de chamado...
 Não demorou muito e vários brotaram. Alguns vieram de corredores laterais...outros saltaram do poço, vieram aos montes...
 Eu estava cercado por mais ou menos 150 Vampiros...todos fortes, fisicamente. Todos prontos para brigar. Todos prontos para proteger aquele lugar.
 Todos prontos pra morrer.
 - Zorro... - Eu sussurrei. O cachorro começou a rosnar e mirar seus alvos...eu comecei a ficar em modo de combate. Aquilo seria ótimo para esticar as pernas.
 Só que, no momento em que eu iria dizer "PEGA!"...ela aparece.
 - O que acontece aqui? - Sua voz era suave e ao mesmo tempo pesada. Até mesmo Zorro parou de rosnar e olhou para a fonte de tal som...
 O que apareceu como por mágica ao lado da Bigorna Esculpida foi uma mulher. A pele negra reluzia pelas chamas da forja. Os cabelos eram longos e levemente ondulados, iam quase até o chão. Ela vestia um vestido que só ia até metade da coxa. Esse vestido parecia mais uma fina cota de malha que lhe caia extremamente bem.
 E naquele instante, eu sabia que era ela.
 Ela era o Ferreiro.
 - Madame! - Um deles gritou para ela. - Este intruso atacou Roberto! Quase o matou! - E eu só olhava para ela...e ela olhava para mim.
  - E quem seria esse intruso? - Ela perguntou. Um deles, atrás de mim, deu um passo para frente. Zorro rosnou e eu o senti recuar.
 - Tente tirar meus panos e meu cachorro engole sua mão. - Eu disse, ainda sem tirar os olhos dela.
 - Ele transformou o cachorro? - Outra voz aleatória em meio a toda aquela gente.
 Até que por fim, ela disse.
 - Podem sair. - Todos se calaram e olharam pra ela. - Levem Roberto daqui, costurem o que tiverem que costurar e cuidem dele. O forasteiro é meu problema. - E todos fizeram sons de reprovação...mas obedeceram. Levantaram o pobre coitado do chão e o carregaram com cuidado, deixando um rastro de sangue pelo caminho.
 Logo, ficamos somente nós três ali. Eu, meu cachorro e ela.
 Ela desceu das escadas e veio até mim. Seus olhos eram violetas claros. Seu cabelo balançava com elegância, assim como sua cintura.
 - Então... - Ela por fim, parou a minha frente. Seus pés estavam descalços, mas bem cuidados. Voltei a olhar em seus olhos. - Quem é este que esconde seu rosto e corpo em mantos brancos?
 - Você é o Ferreiro? - Eu perguntei. - O responsável pela criação da arma dos Sete? - Ela sorriu.
 - Esperava que fosse um homem?
 - Sim. - Eu respondi. - Pelo menos esse é o modo que me disseram que seria. - E seu sorriso só aumentou.
 - Ah, sim...e quem disse?
 - Eduardo Nightcrawler. - Seu sorriso se foi...e ela me olhou com certa surpresa. - Ele disse também que você me ajudaria de varias maneiras se eu lhe dissesse quem eu era.
 - E....quem você é, meu jovem? - Ela perguntou.
 Eu desprendi meu manto que caiu no chão. Tirei a blusa branca que ficava por cima da minha camisa preta. Tirei o pano que cobria minha cabeça e meus cabelos já, automaticamente, ficaram em pé. Tirei o que cobria meu rosto e mostrei, por fim, meu rosto. Ela o analisou com cuidado...com a boca aberta e os olhos transbordando de incredulidade.
 - Eu sei...com a barba grande assim, muita gente diz que eu fiquei mais parecido com ele, mas, não...eu não sou meu pai... - Eu dei uma leve risada e ela perguntou.
 - Seu pai...?
 - Sim. Sou filho de Drake. - Ela realmente ficou surpresa...e por fim, eu disse. - Meu nome é Jason Nightcrawler...e eu estou aqui porque preciso da sua ajuda.
 Ela me olhou durante um tempo...e quando ela ia dizer alguma coisa, Zorro latiu. Olhamos para ele a estalei os dedos.
 - E este aqui é Zorro. Meu cachorro a mais ou menos dois anos. - Ela deu uma risada e se abaixou. Ela fez carinho em sua cabeça e em seu pescoço. Zorro logo lambeu seu rosto e latiu algumas vezes. - Ele é bonzinho...quando quer ser.
Ela sorriu e se levantou e olhou para mim.
 - E o que o filho do...Cavaleiro do Orgulho...quer de mim? - Eu sorri ao ouvir o apelido do meu pai...e levei a minha mão ao bolso. Tirei um papel para ela e a entreguei. Estava amarelado, mas, estava inteiro. Ela o pegou e o desdobrou algumas vezes...logo ela estava analisando um papel cumprido a sua frente...
 Ela viu o que queria e deu uma leve risada.
 - Você sabe o que significa? - Ela perguntou.
 - Que muitos irão morrer. - Eu respondi.
 - Muitos? Não. Milhares. Talvez bilhares. - Sua voz tomou um som mais sério, igual a minha. - A fina camada entre o nosso mundo e dos humanos poderá ser rompida no processo.
 - Ótimo. - Eu respondi a ela. - Irá funcionar melhor do que eu esperava. - E ela sorriu para mim.
 - Então...é melhor eu começar a trabalhar...
 - Posso ficar por aqui enquanto você trabalha? - Eu pergunto a ela. Ela se vira para mim, mas ainda olhava para a folha em suas mãos.
 - Não sei por onde andou nos últimos cinco anos...mas o mundo lá fora virou o parquinho de recreação daquela vadia. - E então, olha olhou pra mim. - Se é mesmo filho do seu pai, está doido pra chegar lá e começar a tomar suas devidas ações a respeito...eu te encontro depois de terminar se quiser.
 - Fique tranquila. - Eu respondi. - Dê atenção ao projeto. Faça acontecer, Madame Ferreiro. - Sorri para ela...e completei. - Que depois que isso estiver em minhas mãos...eu vou colocar ordem em tudo isso.
 Ela sorriu novamente para mim...me deu as costas e começou a caminhar para a forja. Zorro começou a farejar forte quando os sons de metais finalmente voltaram a acontecer.
 - Muito bem então... - ela disse. - Vamos ao trabalho.
 E eu sorri.
 - Sim, Madame. Vamos sim.
 5 anos. Durante 5 anos eu me preparei pra tudo isso. Durante 5 anos eu senti e vi esse mundo ir para o Inferno. Durante 5 anos...eu vi todas as Antigas Leis sendo quebradas.
 Eu coloco minha mão dentro do casaco...a touca de lã ainda está ali...
 Eu irei cumprir minha promessa. Irei colocar a devida ordem em tudo isso. É hora de colocar tudo em seu devido lugar.

 É Hora De Voltar.

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