segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Rastros De Um Futuro

Mais um Capítulo da série: Noturnos

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 - Mariana?
 - Já estou pronta. – Ela responde, aparecendo pela sala daquele apartamento. Cabelos compridos caídos nas costas, batom vermelho realçam seus lábios e sombra nos olhos. Ela veste um espartilho por baixo da jaqueta. Um coldre especial está preso as calças segurando Ascuh contraída perto das costas. Assim como eu, ela só veste negro e está descalças...
Ordens são ordens.
 Eu visto quase a mesma coisa, mas prefiro usar uma camisa básica mesmo.
 - Temos ordens de chegar lá as 21:00. Já são 20:40!
 - Nath, Nath...você se preocupa demais, ok? Fica calma. – Ela endireita a jaqueta e vai até a sacada comigo. – Só precisamos correr bem rapido...
 - É, eu imagino que sim. – Ela sorri, assim como eu.
 Eu deixo o sangue se cristalizar em minhas mãos e pés.
 Mariana deixa que as Correntes Negras saiam da palma de suas mãos.
 Nós nos lançamos do ultimo andar, nos lançamos para a cidade.
 O Conselho nos espera...para consagrar a Rainha.

JASON NIGHTCRAWLER


 Minhas pernas estão mole.
 Atrás de mim estão aqueles que me acompanharam toda a viagem. Turquesa, Marinho, Karol Nightmare, Stephanie Violence, Ikeda Shadewalker, Lucas Blackheart, Nathalia Nightcrawler, Camila Nightcrawler, Isabelle Nightcrawler, Bruna Nightcrawler…e o Espectro, Victor.
 Eu estava na frente. Sendo “seguido” por todos eles. Meus olhos estavam no horizonte, entre as arvores escuras em que íamos seguir. Pelo menos uns dois quilômetros dali, havia uma casa um tanto quanto chique para o local em questão...e eu sabia que minha família estava ali, porque o cheiro de cada um deles estava impregnado nas arvores.
 Samy Nightcrawler e Leonardo Nightcrawler...o cheiro deles é inconfundível. Porém o cheiro de muitos que não conheço estão ali e eu já aposto de quem são. Victoria Nightcrawler, minha vó. Eduardo Nightcrawler, o cara que vai me treinar. E é claro...minha mãe, Ana Nightcrawler.
Mas...eu sentia outros cheiros. Cheiro de Sangue de Vampiro. Cheiro de uma humana...mas não sentia cheiro de sangue humano. Ela estava ali como companhia. E ainda mais...eu sentia a ausência do cheiro de Luana.
 Mas não importasse em estaria ali...eu serei julgado por cada um que aparecer depois que essa estrada de terra acabar.
 Bruna tentou segurar minha mão duas vezes...eu levemente me soltei dela. Aquilo era algo que era muito pequeno comparado a tudo que tínhamos enfrentado e que meu medo era algo muito idiota de se sentir...não fazia sentido.
 Eu tinha que encarar aquilo de uma vez.
 Entramos na clareira, cuja casa estava no centro. Uma pequena estrada de pedras brancas afundadas no solo levava até a porta de carvalho escuro. A casa toda era de um verde suave e o telhado era de madeira, coberto com mato.
 Se eu tivesse um coração ainda pulsando, eu tenho certeza que ele pararia no instante em que fiquei dez metros daquela casa...
 Porque naquele instante, a porta foi chutada...e minha mãe apareceu.
 Ela avançou para mim. Bruna ia dizer alguma coisa, eu coloquei a mão no caminho. Minha mãe cerrou os punhos e seus olhos ficaram rubros e ela foi chegando mais perto. Notei que mais pessoas haviam saído da casa, mas eu não me importei de olhar para eles.
 Logo, todos se afastaram de mim...e quando ela chegou a três passos de mim e eu vi ela flexionando os cotovelos para fazer o que tinha que fazer...alguém entrou na frente. Alguém ficou ali entre mim e minha mãe.
 Lucas Blackheart não mantinha uma pose desafiadora, mas continuava firme. Ele ficou ali, parado. A camisa negra justa ao corpo, já que não tinha um numero maior. A bermuda jeans, por sua vez, ficou larga. E ele nem quis arriscar tênis nenhum, ficou descalço mesmo. O lenço, agora metade do original e a outra metade um pedaço de roupa de bruna, costurados rusticamente por uma linha grossa, estava no pescoço.
 - Saia. – Minha mãe falou tranquila, deixando todo aquele nervosismo de lado por um segundo. Lucas olhou por cima do ombro para mim e eu fiz que sim com a cabeça.
 Ele saiu.
 Logo, eu voei uns cinco metros com um soco bem no meio da fuça.
 - MULEQUE IRRESPONSÁVEL! – Eu estava no chão quando ela veio de novo...um chute, bem no meio do estomago...me levantou para o alto e, em plano ar, ela me pagou pelos cabelos e forçou minha cara no chão. Alguma parte do meu rosto de quebrou na hora, mas eu não me lembro qual. – O QUE EU TE DISSE, JASON? NÃO É PRA SAIR DE PERTO DE MIM! – Ela bateu de novo minha cara no chão. – NÃO É! – De novo. – PRA! – De novo. – SAIR! – De novo – DE MIM! – Depois me puxou bem forte pra cima e olhou na minha cara. – VOCÊ PODIA TER MORRIDO! VOCÊ PODIA TER SE MATADO! VOCÊ PODIA TER MATADO OUTRAS PESSOAS! VOCÊ QUER ACABAR COMIGO?
 - Aé? – Eu falei na hora...fazendo ela parar...eu forcei minha cabeça pra frente, mesmo com ela ainda puxando meus cabelos. Eu senti que a porra do meu couro cabeludo mas continuei forçando. – E eu ia fazer o que? Esperar? Esperar como você fez? – Ela perdeu aquele semblante de raiva e ódio...e ficou com cara de tacho. – Ficar parado, preso em um quarto, entrando e saindo do Sono? Que nem você fez? – Eu rosnava, ela também...mas só eu falava. – Você me deixou mais sozinho do que qualquer pessoa que conheci...você fez que fez que fugiu de todo mundo, inclusive de mim, mãe...eu posso até ter sido imprudente, posso até ter sido idiota...mas ao menos eu arrisquei, igual o que o MEU PAI FARIA! – Ela me jogou para longe dela de novo, mas eu não me demorei para ficar de pé.
 Ela veio de novo...o soco mirava meu rosto...e eu o segurei. Quebrei ossos da minha mão, mas, eu o segurei.
 - Mãe...entende isso...tá na hora de você acordar pra vida...com o sem meu pai aqui, ainda estamos lutando, enfrentando tudo...e você...tinha que tá ajudando a gente...não se segurando em um quarto. Não ME segurando. – Eu olhei nos olhos dela...e dentro daquele rubro todo...eu vi culpa.  – Você me treinou, você me criou...porque então, não luta do meu lado? – Ela respirou fundo....e se soltou da minha mão, arrumando a postura...lagrimas negras caíram do seu rosto...ela passou a mão no meu rosto machucado...e me abraçou.
 - Filho...filho, eu só estou preocupada com você...– Ela dizia, chorando, me apertando mais contra seu peito. Eu a abracei de volta...eu sabia que ela tinha medo de me perder, talvez o único medo dela...e eu tinha tanto quanto este medo de perde-la. Eu a amava. E eu estava me sentindo muito bem em estar de volta a ela.
 - Ahm...então... – Olhamos para trás e vimos Leonardo. Ele usava uma camisa preta e uma calça Jeans meio larga e estava descalço...foi só ai que eu percebi que TODO mundo estaca vestido assim, menos o Lucas e o Turquesa. Turquesa estava sem camisa mesmo cm a bermuda e o chinelo inseparáveis dele.
 Leonardo voltou a falar.
 - Desculpa ae interromper o reencontro feliz e tudo mais, mas o feitiço de Anulação da Rubia só rola lá dentro. – E apontou pra casa com o polegar.
 - Rubia? – Eu perguntei. Minha mãe gesticulou para alguém ali. Seu rosto era branco como a lua, seus cabelos negros como a noite, assim como seu batom. Ela se vestia igual a todos e...na hora, deu um aperto no estomago. Minha visão aumento e eu estava focando o seu pescoço...meus instintos querendo pegá-la e sugar-lhe a vida até o ultimo, entre outras coisas e...
 - OH! – Minha mãe me deu uma pontada nas costelas com o cotovelo. – Controle-se. Ela é nossa aliada. – Olhei pra ela...depois para Rubia de novo...a humana me deu um tchauzinho e começou a entrar na casa como todos.
 - Ei, espera...cadê o Goldenblood? – Samy perguntou, olhando ao redor...minha mãe logo o fez...todos fizeram...até que repararam na minha, da Bruna e na expressão do Lucas...
 - Não... – Minha mãe disse, com a voz meio amarga...e eu estava com os olhos perdidos demais para ver seu rosto. – Não, não...
 O corpo de Marcelo ensanguentado junto comigo...eu tentando segurar o sangramento, tentando ajuda-lo...e ele falando pra mim, tudo aquilo...
 - Jason... Esquece...acabou, vai...vai logo embora daqui...
  - Cala a boca, Marcelo, eu vou...
 - Eu...eu fiz...fiz algumas promessas que...que eu queria que você as cumprisse. Eu...prometi que ia tomar conta da Bruna...e prometi que ia ajudar o Lucas a se socializar mais...também prometi que ia ganhar de você numa luta... Até treinei, cara...até desenvolvi umas coisas fodas pra te derrubar, mas, acho que...acho que já era, né?
 - Não! Você ainda vai fazer tudo isso, se sair dessa, tá na cara que é mais forte que eu. A gente vai conseguir, a gente vai sair daqui, estamos perto do navio, Turquesa tá logo ali, nós...
 - Jason...você...vai precisar lutar e treinar mais pra derrubar esse pessoal. Vai ter que ficar mais forte.

Eu posso até partir...mas vou continuar olhando por você.

 Minha mãe me abraçou novamente e eu me permiti cair algumas lagrimas...eu a abracei de volta...e  só consegui sussurrar.
 - Eu vou matar cada um deles. Eu vou matar todos eles!
 E ela me respondeu.
 - Não, meu anjo negro. Primeiro, vamos pegar Thiago e seu pai de volta...

E ai sim...a gente mata todos eles.


LEONARDO NIGHTCRAWLER


 Quando entramos na casa, o clima pareceu que melhorou um pouco. Jason, de repente, ficou mais animado a reencontrar todo mundo e por conhecer Rubia. A Bruxa que Victoria tinha trazido se mostrava poderosa e tinha informações valiosas a respeito dos planos do Conselho e sobre o que tínhamos que lidar.
 Mas isso tudo foi logo esquecido quando Victoria entrou berrando falando que Drake estava vivo e que Samy havia contado para ela. Por falar em Samy, ela chegou sem um braço e uma perna...e Rubia ficava pedindo desculpas toda hora que ela gemia de dor enquanto ela se alimentava para fazer crescer tudo de novo.
 E ainda veio a noticia de que Alice havia nos traído...caralho...
 Eu reclamava que as coisas estavam paradas antes, mas agora...eu queria que elas ficassem mais quietas sim.
 Alice ficava conosco...ela tinha suas viagens, como todo mundo tinha, mas uma traição...eu sinceramente, estou surpreso.
 Bom...agora é só matar ela, já que tínhamos uma nova Nightmare pra colocar no lugar dela. Essa tal de Karol ai...tem um olhar diferente...
 Ok, deixa eu contar direito...Eduardo, Ana e eu chegamos primeiro, ficamos ali, esperando os outros. Não demorou muito para Victoria chegar, carregando Samy, junto com a Bruxa. Ela veio, colocou a Samy em cima do sofá, olhou para todos e perguntou:
 - Quem mais sabia que o Drake está vivo? – Quando ela perguntou isso, eu notei que Samy tinha recebido o sinal do mesmo.
Drake estava preso em Cocito, a prisão mais funda e protegida do Conselho. E mesmo de lá, ele conseguia se comunicar comigo e com Samy.
 Então, eu disse que também sabia. Ana ficou puta da vida e quase veio pra cima de mim, mas eu dei minhas explicações.
 Drake podia se comunicar comigo e com Samy porque eram novatos. Nossos poderes espirituais ainda eram pequenos para conseguir fazer bloqueio mental, além de que, quando Drake ficou responsável por nosso treinamento e crescimento (que não durou nem mesmo uma noite) ele criou uma espécie de conexão espiritual. Por meio desta, eu e Samy ainda pudemos concluir parte do nosso treinamento inicial antes que Eduardo nos levasse para o definitivo.
 O cara é capturado, humilhado, trancafiado...e usa os poucos poderes que tem pra cumprir a promessa de tomar conta de mim e da Samy...
Puta que pariu!
 Enfim...por ordens dele, tinha que ser mantido segredo que estava vivo...ele tinha planos que iam além da minha compreensão, que precisavam de tempo para se executar...que no momento certo, poderíamos dizer isso.
 Ana foi a lagrimas e Victoria a abraçou...mas eu podia sentir que as duas estavam felizes ao receber a noticia...Ana ficava chorando, com um sorriso e dizia:
 - Ele está vivo...ele está vivo...
 Depois que os ânimos abaixaram, Victoria contou sobre a traição de Alice. Todos ficamos surpresos, ainda mais quando Vic disse que um monte de Nightmares a estavam seguindo. E não, Victoria não sentiu a presença deles, o que deixa tudo mais estranho.
 Então, ela apresentou Rubia. Bruxa, tinha informações fodas sobre o Conselho, mas decidiu esperar todos estarem presentes para poder falar. Digno.
 E ficamos ali até que eles chegassem e rola-se aquela cena lá fora.
 Jason revê todo mundo, cumprimenta a Bruxa, a mãe novamente...e quando ele pensa em conhecer Eduardo, a sua avô decide fazer isso primeiro.
 Victoria abriu caminho no meio de todos e veio até ele. Jason parou na frente dela com uma cara meio de surpreso. Na hora que batem os olhos um no outro, o garoto soube que aquela era a mãe de Drake.
 - Então...você é o Jason? – A Condessa perguntou.
 - Sim...sou eu. Filho de Drake.
 - Bom, bom...você parece mesmo com seu pai. – Ela segurou o rosto dele.
 - Vai me inspecionar? – Ela levantou uma sobrancelha com a pergunta e deu uma leve risada.
 - Ah, já sabe disso, é?
 - É...minha tia fez isso no navio. – E Victoria riu de novo e olhou para sua filha, Isabelle, por cima do ombro do garoto. A mesma piscou para a mãe e Victoria voltou a olhar para Jason.
 - É, mas ainda assim, vou te inspecionar. Aqui, na frente de todo mundo. – E Jason deu uma risada.
 - Ok, tudo bem. – E Victoria começou.
 Jason era no mínimo um palmo mais alto do que a avô, mas isso não a intimidava. Ela apertou as mãos no rosto do seu neto e olhou fundo nos olhos dele. Depois olhou as orelhas e apertou as bochechas. Nessa hora, todos deram risada. Ela pediu para Jason abrir a boca e o fez, olhou lá dentro por alguns segundos e depois falou que podia fechar. Ela apertou seus ombros e depois seus braços e por fim suas mãos. As puxou para mais perto dela e olhou suas palmas, apertando cada dedo com o cuidado de uma mãe. Ela concordou com a cabeça e olhou para ele.
 - Tire a camisa, por favor. – O pedido o surpreendeu mas ele o fez. Senti uma leve onda de incomodo vir de Bruna...e de Isabelle também. Hm...
 Jason tirou o pano preto do tronco e Victoria continuou. Ela primeiro passou as mãos pelo peitoral do garoto e bateu com os dedos ali e na região da barriga. Deu a volta por ele e mexeu na nuca e depois em suas costas, apalpando em alguns lugares.
 - Forte fisicamente. – Ela sussurrou, pegando nos braços do garoto e o esticando. – Forte espiritualmente. – E abaixou o braço do garoto...até andar na frente dele...e se virou rapidamente com o punho mirando seu rosto. O garoto defendeu o mesmo, segurando o ataque de forma exemplar. Victoria sorriu. - É. Você nasceu pra ser um guerreiro, garoto. Muito bom. – Ela se virou e disse. – Vai ter um ótimo meio para se trabalhar aqui, Eduardo.
 - Eu espero. – Então o negão de 2 metros entrou na conversa. Jason mudou seu semblante na hora...o olhando de forma um tanto quanto...ameaçadora. – Então, você é a razão de eu ter saído aqui, da minha ilha, tranquila e pacifica...para depois enche-la de gente?
 - Aparentemente, sim. – Jason respondeu e todos deram uma leve risada, até mesmo Eduardo.
 - Bom, bom. Me disseram que eu terei de te treinar...você topa?
 - Você treinou meu pai?
 - Treinei.
 - Então, não há o que discutir...mestre. – Então Jason estendeu a mão para Eduardo...e ambos de cumprimentaram ali naquela hora.
 Devo dizer que foi uma cena e tanto.
 - Ok, Vampiros e Vampiras. – Rubia de repente atraiu a atenção de todos. – Vamos colocar o papo em dia, ok?
 - Ainda precisamos esperar Luana, não é? – Camila disse.
 - Não. Relaxem. Tudo o que eu vou falar agora...ela já sabe.
 Troquei olhares rápidos e apreensivos com Eduardo...e depois com Ana. Por fim, todos ficamos quietos e deixamos que a Bruxa e Victoria falassem.


JASON NIGHTCRAWLER


 Alice havia nos traído. O Conselho estava atrás de Bruxas, as matando e fazendo símbolos esquisitos em corpos para depois pegar o sangue deles.
 O relato da Bruxa dizia isso. E ela não parecia estar brincando com nada daquilo. Também, não se podia brincar com aquilo.
 O clima, que já estava pesado, piorou quando começamos a contar sobre a luta no Porto de Santos. Falei sobre meu combate com o Lobisomem, as aparições do meu pai e sobre o Caçador, que me chamou pelo nome do meu pai.
 - Ele te reconheceu como Drake? – Samy perguntou.
 - Sim. Ele me chamou pelo nome dele.
 - Quantos anos ele tinha? – Leonardo perguntou.
 - Não mais do que 20 anos. – Todos trocaram olhares estranhos novamente.
 - Não faz sentido. – Eduardo disse. – Ok, Drake está vivo, mas ele não saiu de lá de acordo com que está me dizendo.
 - Sim, eu sei. – Respondi. – Mas, o que poderia ser então?
 - Projeção Astral. – Todos se viraram para ver Ikeda Shadewalker falar.
 - Por favor, repita. – Camila pediu.
 - Drake pode ter feito alguma coisa com ele por base de Projeção Astral.
 - Não acho que Drake conseguiria fazer Projeção Astral tão fundo da terra. – Eduardo observou e eu não tirei a razão dele.
 A Projeção Astral era como fazer um “holograma” de si mesmo usando sua energia espiritual em outro local. Vampiros fortes podem fazer “aparições” a mais ou menos 70 KM de onde eles estão. Mas tal dom realmente precisa de muito treino.
 - Não sei. – Victoria disse. – Meu filho sempre foi um tanto...imprevisível. – Ela suspirou. – Ok...o que mais temos?
 Lucas falou do confronto contra Wesley Oblivion e parou por ali. Ele não falou nada sobre seu confronto com Aricia...ou sobre o que fez comigo. Até achei bom. Bruna e Ikeda se revezaram em seu depoimento da luta contra a Blackheart. Ele ouviu tudo de cabeça baixa.
 Eu conclui a historia, falando sobre a morte de Marcelo...e parei ali.
 - É foda. – Leonardo disse...e aquela pequena frase resumiu tudo.
 - Então, já descobriu o dom da família? – Ana perguntou e eu concordei. Ela abriu um sorriso.
 - Bom! Isso quer dizer que não preciso pegar leve com você nos primeiros anos. – Eduardo disso e todos nós rimos um pouco.
 - Agora...é esperar a Luana para podermos concluir todo o assunto. – Isabelle disse, parando de ficar quieta. – Alguém arrisca um palpite de onde ela está?
 - Perto. – A Bruxa disse. – Logo estará aqui.
 - Ahm...me digam uma coisa. – Eu perguntei. – Por que a Luana se separou de vocês?
 - Ela disse que tinha algo a resolver.  – Minha mãe respondeu. – Luana, durante um tempo, colocou alguns informantes dentro do Conselho...estamos torcendo que seja ISSO o que ela tinha ido resolver. Informações...é algo que precisamos.
 - E vocês a terão. – Todos olhamos para a porta quando ouvimos a voz. Vimos uma loira com roupas pretas rasgadas e manchas de sangue aqui e ali...eu saquei Lagrima de Prata na hora e apontei para ela...esperando por uma resposta...
 Quem me parou foi Leonardo.
 - Calma, Billy The Kid! – Ele colocou a mão na arma e me fez abaixa-la aos poucos. – É ela! – E foi quando eu vi seu rosto...quando ela tirou a cabeleira loira da frente.
 Aquela era Luana.
 - Porra, cê pintou o cabelo? – Eduardo disse, parecendo indignado. – TU PINTOU O CABELO DE LOIRO? TU É RUIVA E PINTA DE LOIRO?
 - Foi pra disfarce, Eduardo. – Luana entrou, empurrando quem estava na frente e se atirou no sofá, que até aquele momento, só Eduardo estava sentado.
 - O que aconteceu? – Eu perguntei.
 - Bom te ver também, Bebê Nightcrawler. – Ela respondeu...e sim, fiquei puto. – Aconteceu que fui perseguida...levei um tempo e alguns combates para resolver tudo, só isso. Pintei o cabelo de loiro para facilitar a fuga. Até que deu certo.
 - Mas... – Camila ia dizer alguma coisa...e foi interrompida.
 - Ok, calma ae gente, calma...eu preciso dizer logo o que eu sei, porque depois, eu to afim de beber pra caralho e cair no Sono, ok? – Todos ficamos em silencio, esperando o que ela ia dizer.
 - Eu sei o que Renata tá pretendendo...e vocês não vão gostar.


ARICIA BLACKHEART


 Mais um teto estranho.
 Estávamos em um novo lugar...novos uniformes, novas acomodações...
 Nova ordem.
 - Boa noite, Suicidas. – Renata...vestindo somente uma toalha enrolada no corpo estava sentada em seu Trono de Mármore, com as pernas cruzadas, olhando para nós. Em seu lado, com as mãos no bolso da calça social que formava um conjunto com o terno...Fellipe Nightcrawler...ou melhor, Shadowkingdom, nos observava com certa felicidade nos olhos. – Desculpe estar assim, mas eu estava no banho...quando terminei, avisaram que vocês já estavam aqui e eu não queria deixar vocês esperando.
  Concordamos, mas não muito felizes com aquilo.
 Estávamos todos ali. Wesley Oblivion, Pietro Întuneric, Valdir Redson...Fernanda Nightcrawler...eu, Vidal Panther e Angela Shadowkingdom.
 Renata voltou a falar.
 - Como vocês sabem, estamos fazendo reformas nesse reino que, no momento, está uma merda. – Ela sorriu. – Por decisão do Conselho, as famílias me deram total liberdade para reformar tudo isso. Logo, vocês serão parte essencial de tudo. Entenderam? – Todos concordamos. – Temos uma nova líder do grupo...Fefs...quero que a obedeçam, entenderam? – Concordamos novamente, enquanto Fefs abria um sorriso. – Ótimo. Agora...eis o que vai acontecer...vocês terão uma missão final para mim. Depois dessa missão, tirando a Fefs, todos vocês serão treinados por Felippe Nightcrawler e seus guardas, Castor e Pollux. – Ela gesticulou para ele em seu lado. - Fui bem clara?
 - Mas, minha senhora, o treinamento se aplica a todos nós? – Valdir Redson a interrompeu de forma cordial e Renata observou isso.
 - Sim, Valdir. Sei que você, Pietro e Angela são fortes...os mais fortes...mas vocês ainda podem ficar mais, entende? E também... – Ela olhou para a filha. – Se fossem realmente fortes, não teriam me trazido tantas decepções. – Angela cerrou os punhos...mas manteve o rosto sereno ao dizer.
 - Perdão, mãe.
 - Está tudo bem, filha. Relaxe. Quem sabe, um dia, você volta ao posto de líder. Mas por enquanto...irá treinar mais com seu pai. – Era estranho lembrar desse fato de vez em quando, mas...Felippe era pai de Angela.
 Então, Felippe piscou para a filha...e depois fez uma careta na direção de Renata. Angela deu um sorrisinho...todos nós demos.
 Renata olhou para Felippe.
 - Você fez de novo, né?
- O que?
 - Aquilo!
 - Aquilo o que, mulher?
 - A CARETA, HOMEM!
 - Qual? Essa? – E fez de novo. – Demos algumas risada, enquanto Renata balançava a cabeça negativamente com um sorrisinho nos lábios.
 - Enfim... – O Clima sério havia voltado. – A ultima missão de vocês está especificada na próxima sala. Castor estará lá com os detalhes, ok?
 - Do que se trata, minha Senhora? – Vidal perguntou. – Para onde vamos? – E Renata sorriu.
 - Romênia. – Ela respondeu.
 - E o que tem em Romênia? – Pietro perguntou, logo depois de Todd piar em seu ombro.
 E ela nos respondeu.
 - Ora...toda rainha precisa de uma coroa, certo?


JASON NIGHTCRAWLER


  Todos nos sentamos, ao redor dela...para ouvir Luana falar.
 - Pra começo de conversa, eu PEÇO...que ninguém me interrompa, ok? Perguntas só no fim do passeio, por favor.
 Enfim...
 Dois dos Três Grandes...aqueles velhos Nosferatu de merda...estão mortos. Somente Lucius está vivo agora. Ele sozinho não tem popularidade o suficiente para influenciar as escolhas da família como seus irmãos tinham. Afinal, ele sempre cuidou da parte sombria de tudo, sem deixar rastros, mal dando as caras...e tem o papo da filha dele, Alice...que não ficou somente em quatro paredes, pelo visto. As famílias não o levava a sério, ainda mais, porque não conseguia controla-las em muita coisa...
 Ai chegou Renata...com Sete Vampiros novos, porém poderosos e ótimos em trabalho em equipe chamados Suicidas...que começam a botar ordem aqui e ali, com ela alegando que está fazendo isso pelo bem da nova Raça que a acolheu. É nessa hora que Lucius percebe que fez merda ao chama-la para perto de si, porque o plano de fazer nascer o Hibrido e  trazer a extrema paz para o nosso mundo não era o único plano de Renata...mas de tomar o Conselho para si também era. Ela conseguiu. Por meio de votos, as famílias decidiram que Renata comanda o Conselho agora...e somente ela. Lucius sumiu...mas alguns rumores dizem que ele estava nas Catacumbas, alguns níveis acima de Drake.
 Sim, Drake está vivo! Ele está em Cocito e...ah...ah, to vendo que vocês já sabiam...então...
 Renata, então...mudou de lugar. Vocês pelo visto não viram o jornal, mas, o antigo do lugar do Conselho foi destruído e, com ele, o museu do Ipiranga. Tudo a baixo e soterrado...para que mudassem de lugar. Um prédio enorme foi construído no centro da cidade...e é para lá que eles foram. Colocaram tudo em seu devido lugar nos andares e, novamente, de baixo da terra, fizeram Catacumbas.
 E é ai, que vem a parte interessante do negocio.
 Como fazer Catacumbas e Masmorras debaixo de um prédio? Hm? Pedreiros? Não, não...Renata usou magia para transportar tudo para lá. Ela transportou 350 andares de terra, jaulas, gaiolas, celas e ferramentas de tortura para outro lugar. Sabe por que? Porque ela está evoluindo rápido demais. A sua magia, que até suspeitávamos que ela não conseguia mais usar, está ficando mais poderosa a cada dia.
 Agora...ela está recolhendo todos os Vampiros da rua...todos! Cada um deles. Ela está pra começar a realizar uma corte marcial com tudo ali. Militarismo puro. Os Vampiros serão doutrinados, se não seguirem a risca, serão eliminados. Ela formará um exercito com cada Vampiro que existe se puder. Alguns grupos se recusaram a aceitar o convite pois não aceitam que uma antiga inimiga esteja no comando, por mais que agora suas intenções sejam “boas”. Mas esses grupos estão muito recuados para tomar qualquer tipo de atitude.
 Agora...vem a parte que vocês vão detestar.
 Renata tem mandado alguns Silentkillers aqui e ali para fazer alguns assassinatos específicos...Bruxas e pessoas com um...senso espiritual maior.
 As Bruxas, como todos devem saber, compartilham da entidade Magia para ter poder...ou seja, quanto menos Bruxas existirem, mais “porção” da Magia ela terá, mais poderosa as Bruxas restantes serão. Ou seja...se só houver Renata, ela será a mais poderosa Bruxa da historia.
 E ela vai precisar desse tipo de poder...porque ela está matando pessoas especificas e não é para beber o sangue delas, mas estocar. Ela tem usado um “banco de sangue” nesse novo prédio dela para fazê-lo. Está estocando sangue de pessoas especiais, fazendo símbolos em seu corpo e rituais rápidos para que esse sangue fique no ponto. Para que ela faça um ritual de Absorção. – Naquela hora, todos nós ouvimos o coração de Rubia bater mais rápido...mas ainda prestávamos atenção em Luana. – Renata está próximo de fazer o Hibrido nascer...para isso, ela tem feito purificação de linhagem a anos. Ela tem preso com ela alguns Licantropos exilados e s tem feito cruzar entre si...até atingir a pureza que precisa para então conseguir fazer um Hibrido perfeito, para já nascer com seu poder total...
 Mas Renata não quer libera-lo e pagar pra ver qual das duas coisas ele vai trazer: Um novo começo ou um fim definitivo.
 Ela vai usar o maior Ritual de Sangue para roubar seus poderes. Para roubar toda a essência do Hibrido para si.
 E não é só isso...ela tem roubado corações de Vampiros “raros” ultimamente. – O coração de Marcelo... – Ela tem feito isso, pegando o coração de todas as famílias que encontra por ai, os mantendo inteiro com a Força Espiritual para OUTRO ritual de Absorção...
 Ela vai querer absorver cada poder de cada família que existe.
 Ela vai precisar de toda a entidade Magia no seu corpo para conseguir conter e com o tempo controlar tanta quantidade de poder...
 Se Renata conseguir...ela terá Magia toda só pra ela, terá as habilidades unidas de cada família...e ainda terá o poder do Hibrido.
 Então...vamos todo mundo começar a acelerar as coisas...porque se essa puta conseguir fazer isso, já era...
 Renata será o ser mais poderoso que já existiu.

 Quando Luana terminou de contar tudo aquilo...tomei meu tempo para absorver...passei as mãos pelos cabelos...e vi o rosto de cada dos que estavam ali comigo...
 Mas foi Nathalia que disse tudo.
 - Puta que pariu...
 - Quanto tempo acha que temos? – Bruna foi quem perguntou aquilo.
 - De acordo com meus informantes...temos pelo menos 15 anos pela frente...Renata ainda precisa de mais uma “geração” de lobisomem para nascer para conseguir o ponto ideal do Sangue para fazer a reprodução.
 - Então, temos tempo de sobra. – Lucas que disse aquilo, ficando de pé. – Se quiserem ficar aqui, passar a noite e etc. lhes desejo boa sorte...porque eu já estou saindo.
 - Não só você, parceiro. – Eu respondi, também me colocando de pé. – Eu também...todos nós. – Olhei para Eduardo. – O treinamento será nesta ilha, certo?
 - Sim, será aqui. – Eduardo se levantou. – Já começa a se despedir ae de todo mundo que no maximo em duas horas, a gente já tá saindo.
 Eu sorri.
 - ÓTIMO!
 - Tem mais uma coisa... – Camila se levantou...e encarou Bruna. – VOCÊ...vem comigo.


 Aquele instante de silencio foi um tanto...pesado...Bruna mostrou entender, mas eu não.
 - Isso mesmo, Bruna. Você vai com ela, ok?
 - Tudo bem. – Bruna respondeu, sem contestar.
 - Espera, mas pra onde? – Eu perguntei. Minha mãe deu um sorriso meio bobo...só fui entender que era por eu estar demonstrando preocupação com Bruna depois.
 - Eu vou estar ocupada demais esses dias...entende? – Luana disse. – Eu vou ter que me arrumar, ficar de olho no Conselho...ficar de olho em alguns problemas pessoais. Gente mascarada aqui e ali, sabe? – E ela respirou fundo...e lançou um olhar para Victoria...que se fez de sonsa...até muito bem. – Então...não vou poder terminar o treinamento de Bruna. Então pedi para que Camila ficasse com ela...e tomasse conta do restante de tudo.
 Olhei para Bruna...a mesma sorriu...e eu sorri para ela e...
 - MANO, PERAI! – Do nada eu dei um puta pulo quando Luana berrou. Todo mundo deu, olhando pra ela...enquanto a mesma apontava para Bruna e dizia. – PORRA, VOCÊ TÁ SEM TOUCA?


ISABELLE NIGHTCRAWLER


 Aquilo seria foda...foda demais.
 Não tínhamos tempo a perder...tínhamos ainda quatro horas para o Sol nascer, então já podíamos partir.
 Arrumamos o que tínhamos de arrumar e definimos nossos rumos. Jason iria com Eduardo para o fundo da Ilha começar o treinamento. Bruna iria com Camila. Lucas, o Blackheart...iria embora para algum lugar. Ele pediu uma carona para Turquesa que o deixaria no Continente de novo. Ikeda fez o mesmo.
 E eu...tinha que fazer outra coisa.
 Fui até o fundo da casa onde minha mãe estava deitada, olhando para o teto...esperando que todo mundo fosse embora para que ela pudesse ir também.
 Minha mãe sempre foi assim...ela era a ultima a sair...e quando ela tivesse certeza de que todos tinham ido, ela iria embora...para que ninguém a seguisse. Ela levava a privacidade muito a sério.
 - Mãe? – Eu entrei no quarto e ela olhou para mim.
 - Oi, amor. – Ela respondeu, se sentando na cama. Sentei do lado dela. Olhei em seus olhos e disse.
 - Eu quero ir com você. – E ela sorriu. – Quero ir com você e aprender...o que eu ainda tenho que aprender... – Ela deu um leve riso...beijou minha testa...e olhou em meus olhos.
 - Tem certeza? Não será fácil...e não farei ser fácil só porque você é minha filha.
 - Sim...tenho certeza. – Eu respondi...e ela sussurrou.
 - Tudo bem...partiremos logo...


JASON NIGHTCRAWLER


 - Lucas? – Eu o chamei...caminhando na areia atrás dele. Agora, ele vestia a mesma roupa que eu...botas negras, uma camisa preta e uma calça jeans clara.
 Ele se virou e olhou para mim, com uma mochila nas costas...algumas roupas que Eduardo deu a ele a meus pedidos.
 - Jason. – Ele disse.
 - Já tem uma noção pra onde ir? – Ele balançou a cabeça negativamente e disse.
 - Não. Mais ou menos, quem sabe. – Ele deu uma risada. – E você?
 - Treinar até morrer. – Ele concordou.
 - É, faz bem. – E concordamos.
 - Então é isso. – Eu disse.
 - É isso. – Ele respondeu, estendendo a mão. Nos cumprimentamos...ele fez um positivo com a cabeça...
 Lucas Blackheart deu as costas e saiu andando.
 Ele entrou no Nereida, onde Turquesa, Marinho, Stephanie, Ikeda, Rubia, Luana, Nathalia, Leonardo, Samy e Karol estavam...
 Olhei para cima e vi cada um deles...recebi alguns sorrisos de volta...até que Turquesa ordenou ao navio que partisse...e ele o fez.
 Eu fiquei ali na areia, a beira mar...olhando para ele por um tempo...até que ouvi passos atrás de mim.
 - Você está bem? – Bruna também se vestia como eu. Eu sorri e fui até ela. Beijei seus lábios rapidamente e respondi.
 - O melhor dentro do possível. – E ela também sorriu.
 - Eles vão voltar...todos eles, sabia? – Eu concordei com a cabeça...até que ela perguntou. – Posso te fazer uma pergunta?
 - Até duas.
 - Eu...ouvi sua discussão com Lucas lá no Navio. E...durante a discussão você disse uma coisa...e eu queria saber se é verdade.
 - O que? – Eu pensei que seria algum xingamento que dei a Lucas...pensei que seria alguma coisa ruim...mas ela perguntou.
 - Você disse “Ela ainda é responsável por tentar matar a mulher que eu amo”... – E deu uma risada leve...e passou de leve o indicador na minha mão...que logo entendi a mensagem e segurei a dela. – Você se referia a quem?
 - Você. – Eu respondi, sem pensar. – A você, Bruna. Talvez eu estivesse nutrindo isso desde o dia em que você me serviu a minha primeira cerveja...talvez eu sinta isso a mais tempo do que eu pense...mas sim, eu amo você...amo seu jeito, seu cabelo, eu sorriso, seu corpo, sua presença...amo tudo em você... – Ela parou de sorrir...mas continuou com uma face meiga...com se quisesse que eu continuasse a falar. – Amo sim...tanto que...não resta duvidas para mim.
 - Como assim? – Ela perguntou em uma voz quase imperceptível.
 - Eu vou mesmo treinar...eu vou mesmo lutar...eu vou mesmo acabar com todos eles...e eu tive um tempo pra refletir o real porque de tudo isso, entende? Eu...tomei meu tempo e...sim, eu estou lutando pela família, pelo meu pai, pelo Marcelo, mas...não, não é isso o principal. Veja...minha vontade é como um Iceberg...é grande, profunda, eu disso...e o tamanho desse Iceberg é a junção dos meus desejos de viver, de lutar...mas...na ponta do Iceberg...a ponta...o que me faz resistir mais, o que faz lutar mais...o que me faz querer deixar esse mundo LIMPO e seguro para minha Raça...a primeira de todas as minhas vontades...
É de proteger você.
 Ela me olhou por dois segundos e me beijou...seus braços apertaram meu pescoço e tivemos nosso momento ali...
 No fim do beijo, ela encostou a testa na minha...fechamos nossos olhos...e ela sussurrou.
 - Eu também amo você. – E eu sorri.
 - Ok, parou a viadagem. – E rimos ao ouvir Eduardo chegando, junto com minha mãe, vó, Camila e Isabelle. – Está pronto?
 - Quase. – Eu disse. – Vó...eu quero que você faça algo pra mim, por favor. – Ela revirou os olhos.
 - Meu Deus, VÓ...eu não pensei que iria ouvir isso NUNCA. – E todos nós rimos. Então levei minha mão até minha cintura...desprendi a corrente e o coldre...e entreguei Lagrima de Prata para ela...
 Todos ficaram olhando sem entender.
 - Essa arma pertence ao meu pai. E sempre pertencerá a ele. E eu sempre ficarei orgulhoso quando alguém dizer que sou filho de Drake. Mas acontece que de hoje em diante, eu trilharei o MEU caminho. Eu irei fazer as MINHAS escolhas. E terei as MINHAS armas. – Victoria sorriu ao ouvir aquilo. – Guarde isso pra quando formos busca-lo, ok? – Ela fez que sim com a cabeça.
 Eu a abracei, bem forte.
 - Se cuida, netinho. – Ela disse na brincadeira. Abracei Isabelle...seu abraço foi bom...mas ela não disse nada.
 Abracei minha mãe, ela beijou meu rosto e sussurrou.
 - Seja forte.
 Abracei Camila e a mesma disse.
 - Se cuida.
 - E você cuida da Bruna. – Eu respondi e ela fez que sim.
 Todas as despedidas tinham sido feitas. Do lado de Eduardo, com as mãos no bolso, eu vi Bruna entrando em uma lancha que Luana tinha usado para chegar a ilha...as duas partindo para as águas negras...
 Bruna não olhou para trás...e eu não a culpei.
 Isabelle e minha vó se afastaram de nós...e quando já estavam bem longe, invocaram os poderes da família e levantaram voo para o céu noturno.
 A mão pesada de Eduardo veio até mim.
 - É isso ae, Jason. Acabou a mamata. Bora que é hora de te fazer um homem. – E eu ri.
 - Sim, mestre. – Ele concordou e começamos a andar para a floresta.
 Andamos alguns metros quando eu comecei a pensar em tudo que tinha de ser feito ainda...a respeito do plano que eu havia formado.
 Thiago...meu pai...descobrir respostas sobre os Blackheart, sobre a Nightmare, sobre os Lobos, sobre os irmãos Turquesa e Marinho...ficar mais forte...conseguir uma nova arma para mim...descobrir toda aquela conversa do Turquesa, descobrir o que são aqueles caixões de prata que ele me mostrou...reunir os Sete...derrotar Alice, derrotar o Conselho, derrotar os Suicidas, derrotar o Felippe, derrotar a Renata...
 Eu não consegui deixar de sorrir um pouco...
 Aquela adrenalina subindo pelo meu corpo...tomando conta de mim e me dizendo pra seguir em frente.
 Marcelo...Cody...Fefs...sei que em algum lugar, vocês, Nightcrawlers, estão olhando por mim...sei que estão criando expectativas assim como os que andam comigo estão. E eu posso dizer, com toda certeza desse mundo...que eu não vou decepciona-los.
 Eu vou me tornar forte.
 Mais forte que meu Mestre.
 Mais forte que Renata.
 Mais forte que meu pai.
 Eu sorri...não me contive com todo aquele desejo brotando dentro de mim.
 Eduardo percebeu.
 - Ansioso, Jason? – Ele perguntou, conforme a mata nos cercava.
 - Muito, Mestre...muito. – E ele deu uma risada.
 - BOM! Isso é BOM, garoto!
 - E Mestre...tenho uma duvida e um pedido...se você me permitir. – Ele levantou uma sobrancelha.
 - Fala ae.
 - Você vai dar o mesmo treinamento que deu ao meu pai, certo?
 - Certo.
 - Ótimo. Pois eu quero que você faça tudo 10x mais do que fez com ele. – E Eduardo até parou no meio do caminho quando pedi isso.
 - Tá falando sério? – Eu fiz que sim com a cabeça. Ele riu...e voltamos a andar. – Então, tudo bem, Jason...tudo bem. Você pediu...você o terá. Mas posso saber porque?
 E eu sorri também.
 - Quando eu lutava...me chamavam de Rei Vampiro. – Eu respondi. – E eu só quero sair daqui...quando eu realmente for digno da realeza.
 E Eduardo sorriu tanto que até seus olhos brilharam de rubro.
 - É ASSIM QUE SE FALA, GAROTO! – E rimos...
 Adentramos a floresta...e lá ficamos.


MÉXICO
Em algum lugar no Deserto de Chihuahua.
2° Prisão de Segurança Máxima Subterrânea do Conselho


 - O que está acontecendo?
 - O prisioneiro...ele está rindo!
 - Que prisioneiro?
 - O REDSON!
- Que? Esse bosta não se mexe a anos, nem come, nem fala...que diabos...
 O guarda vai até a porta da cela...ele bate com seu punho na grande porta de prata e ruge.
 - EI...CALADO! NÃO HÁ MOTIVOS PARA RIR AQUI!
 O prisioneiro, com um lenço em seu rosto...que normalmente fica em sua cabeça...continuou a rir...mas parou, um breve minuto...para olhar para o guarda...e dizer, em algo e bom som...
 - Ah...fique tranquilo, amigo...


EU NÃO VOU FICAR AQUI POR MUITO TEMPO!

 O Redson voltou a rir...trazendo calafrios gélidos em todos que ouviram seu riso infernal...
 Naquela noite, Thiago Redson riu durante 12 horas seguidas...e quando parou...sob o lenço em seu rosto, um sorriso ali ficou...enquanto ele encarava a porta...como se ela pudesse abrir a qualquer segundo...

Nightcrawler...estou te esperando...

 E em meio a esses rastros de um futuro...o submundo dos seres Noturnos fica silencioso, para que todos se preparem...para quando os sons de guerra se tornarem ensurdecedores.
 Daremos um tempo a eles...para que afiem suas garras, que suas presas cresçam...
 E que seus poderes aumentem.







Continua...

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