sábado, 10 de janeiro de 2015

Noite de Calor

 Pra falar a verdade, eu nem estou com sede. Mas cada gole da água gelada tem gosto de Paraíso. Os cubos de gelo fazem um som relaxante quando batem no vidro e eu quero continuar ouvindo. O ventilador está fazendo hora extra de novo. Deus sabe com ele tem sido meu amigo, rugindo para mim e me jogando ventos curadores.
 Vida longa a ele!
 Eu penso em fumar um cigarro e beber uma cerveja, colocar a velha e boa dupla de volta aos negócios. Mas não valeria a pena. Ambos fariam coisas ruins a mim. Aumentariam o calor. Aumentariam essa sensação melancólica de quando estou sozinho, imerso em pensamentos com uma folha branca em minha frente. Eu poderia até sair. Mas sair no calor, para mim, não é uma boa ideia.
 Não sou um homem de me queixar. Não sou mais. Mas é instintivo da minha parte trazer memórias um tanto sombrias à tona quando o silencio de uma casa vazia domina. É instintivo fazer planos, lembrar de planos, lembrar de nomes, de pessoas, lugares, afazeres...é...é como se o silencio atraísse as memórias. O silencio tem a fama de curar tudo, e eu acho que realmente é assim...porque no silencio, temos de enfrentar os pensamentos, os bons e os ruins, que vem a nós, querendo conferir nossa consciência. É no silencio que as coisas se encaixam, em que as coisas fazem mais sentido, que conseguimos ver com clareza. É quando vemos onde erramos, onde pecamos, onde melhoramos, onde podemos melhorar. É onde encaramos nossos medos, incertezas, leves e fracas previsões do futuro.
 O silencio faz bem. Faz sim. Sinto pena daqueles que não conseguem desfruta-lo porque ficam com medo de seus demônios.
 Eu aprecio mais um gole e me deixo vagar pela minha mente mais um pouco. Aprecio um pouco da simplicidade do meu momento. É tão errado assim? Acho que não.
 Também...é só mais uma noite de calor...

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