sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Primogênito

 Mais um Capítulo da série: Noturnos

✝ ✝ ✝ ✝ ✝ ✝ 

 - PRO CHÃO! – Eu rugi como sempre fazia quando eu ganhava. O meu oponente fez o que mandei, indo para o lado, e seus dentes do outro. Todo mundo começou a gritar.
 Lá estávamos. A Gaiola. Um espaço subterrâneo reservado para uma nova construção no metro, mas que nunca foi concluída e agora era nossa. Mesas e cadeiras roubadas, um bar improvisado, virgem gritando e tendo as cabeças cortadas para que desfrutemos de seus sangues...e eu ali, dentro da gaiola, saboreando mais uma vitoria.
 Eu amo esse lugar.
 - AE, JASON! – Gritam meu nome, porém essa voz é familiar. Eu me viro e vejo Lucas Blackheart. Um dos melhores amigos que alguém pode se ter em um mundo como esse. – OBRIGADO MESMO, CARA! – E como sempre, ele apostou em mim, ganhando sete garrafas de um litro cada um com Sangue de Virgem, as quais ele levantava agora, tirando se uma bolsa de couro que ele sempre carregava. Eu não consegui deixar de rir.
 - METADE DISSO AE É MEU! – Eu gritei de volta.
 - CLARO QUE É! – Ele riu, colocando tudo de volta na sacola. O outro não estava conseguindo se levantar então, abriram o portão e seus amigos entraram e eu sai. Nesse momento, meu punho meu pulso foi agarrado e erguido por Marcelo Goldenblood...o dono de tudo aquilo ali.
 - E MAIS UMA VEZ, A CENTÉSIMA SEGUNDA VEZ QUE ELE VENCE...JASON! REI VAMPIRO! – E mais gritos e mais risadas foram ouvidas. E eu só pude sorrir.
 - REI VAMPIRO! – Todos gritavam. – REI VAMPIRO! – E não paravam.
 Eu amo esse lugar!
 - É isso ae garotão, mais gente sendo limpa hoje, lucro pra mim e pra você! – Marcelo disse, colocando o braço ao meu redor e começamos a caminhar, saindo da zona de combate, onde outra lutar ia começar. Uma menos interessante.
 A gaiola ficava no meio. As mesas e cadeiras ficavam ao redor e o bar, montado com ébano e acabamento em marfim (não era porque estávamos debaixo da Terra que tínhamos que ter um bar relaxado), ficava e um canto, onde podia se ver tudo. Lá se servia sangue de todos os tipos, Whisky e Cerveja. Ao lado oposto do Bar, tinha a porta de saída, onde daria para um corredor, depois para uma fissura, depois para os trilhos do metro entre o Tatuapé e o Belém.
 Marcelo me arrastou para o Bar, onde meu irmão terminava outra caneca enorme de Sangue de Virgem.
 - E ai? Quanto faturamos? – Eu perguntei. Marcelo olhou para mim antes de se sentar, fazendo aquela cara de “patrão” dele.


 Ele usava uma toca, como sempre, que não cobria todos os cabelos e uma jaqueta de couro, parecida com a minha. Mas e daí? Jaquetas de couro eram como uniformes para nós.
 Ele colocou uma bolsa enorme em cima do balcão e disse de boca cheia.
 - Faturamos o triplo da ultima noite, Jason! – Ele riu, deu um tapa nas minhas costas e finalmente se sentou. – Hey, Brubs. Me vê um tipo AB, e pro meu amigo aqui, um cigarro e a camisa dele.
 - Esqueceu a palavra mágica de novo, Marcelo? – Bruna respondeu.
 Bruna Moonblood era a “Barman” da Gaiola. Linda, cabelos negros que ela sempre cobria com um gorro da sua blusa de moletom. Os olhos vermelhos dela se encontraram nos meus e jogou a camisa preta em minha cara. A vesti e meu maço de cigarros já estava em cima do balcão, junto com um isqueiro. Abri, tirei um, acendi e traguei. Aquilo sempre me relaxou.
 - Ok, e agora? – Lucas me perguntou, ensacando mais uma garrafa de Sangue de Virgem.
 - Vou pra casa. – Respondi. – Deixar tudo lá e depois, volto e encontro com vocês lá na frente do Alvorada, pode ser?
 - Por mim, tudo bem. – Marcelo disse, dando um gole em sua caneca. Bruna e eu suspiramos ao mesmo tempo...trocamos olhares e rimos juntos.
 Bruna e eu tínhamos uma mesma opinião: É ridículo um Vampiro beber sangue em um copo, caneca ou seja lá o que. Nossos corpos e mentes foram feitos para a caça, para a luta, e não para a comodidade. Beber e comer algo somente pagando por isso era...humano demais.
 Olhei no relógio, era 02:30.
 - Ok, Marcelo. – Chamei o mesmo. – Preciso ir agora. Passo a noite lá e depois, encontro vocês lá, ok? 19:30?
 - Tudo certo. – Bruna respondeu por todos e nós três saímos dali. Agradecemos a Bruna e continuamos andando...até que fomos parados.
 - Quebrou os dentes do meu irmão, desgraçado! – Um babaca, rodeado por mais dois, ficou no meu caminho. Era grande, sem camisa também, o cabelo lambido para trás e os punhos cerrados.
 - Então vai cuidar dele. – Eu respondi. – Agora sai do meu caminho.
 - Eu quero revanche. – Ele disse. – Luto pelo meu irmão.
 - Seu irmão perdeu a luta e o dinheiro, Jonas. – Marcelo disse, em alto e bom som. Todos ali presentes, começaram a olhar. Senti os olhos de Bruna nas minhas costas. – Agora, se quiser uma revanche, ele mesmo tem que vir.
 - Então eu o desafio. Pronto! – Jonas respondeu, olhando em meus olhos.
 - Negado. – Eu respondi. – Uma bicha que nem você não ia durar cinco segundos comigo.  – E seus olhos ficaram vermelhos ardentes. Seus punhos cerraram tanto que suas unhas entraram em sua pele.
 - EU DESAFIEI O REI VAMPIRO E ELE NEGOU! – Jonas gritou para todos ouvirem. – ELE É UM FRACO! ELE NÃO MERECE TAL TITULO, ELE... – Eu não o deixei terminar a frase. Alinhei meus dedos da mão direita e atravessei sua garganta, até meu antebraço. O mesmo ficou em choque. Os outros dois que o rodeavam não se mexeram...só esbugalharam seus olhos.
 - Não é permitido lutas fora da gaiola, Jason. – Marcelo me disse. – Por mais que eu goste de você, a regra se aplica a todos.
 - Não estou lutando. – Eu respondi. – Estou executando. – E com um puxão, a cabeça de Jonas rolou no chão. Lucas teve a bondade de erguer o pé e esmaga-la. Sangue negro respingou no chão antes de virar cinzas...assim como o corpo em si.
 Todos voltaram a fazer o que estavam fazendo e os dois que acompanhavam Jonas continuaram me olhando.
 - Se um dia o irmão desse cara quiser uma revanche. – Eu respondi. – Diga para ele que eu aceito. – E continuei andando, com meus amigos do meu lado. Estávamos no corredor, indo pra fissura quando Marcelo começou a falar.
 - Você tem que parar de matar os clientes, sabia? Isso é mal para os negócios.
 - Não tinha tempo pra entrar na gaiola de novo. Eu preciso mesmo voltar. – E só quando estávamos lá fora, andando nos trilhos escuros, enxergando por causa de nossos olhos especiais, foi que eu completei a frase. – Preciso ver como minha mãe está.
 - Já te disse, manin... – Lucas começou a dizer, arrumando a sacola nas costas. – Ela vai ficar bem. Coloquei um pessoal pra ficar de olho. Eles são de confiança.
 - Eu sei, manin, é que eu não sou do tipo de pessoa que se pode dar o luxo de não ficar alerta. – E o silencio de ambos mostrou que assentiam
 Sou um Nightcrawler. E isso significa que, assim como minha mãe, eu estou sendo caçado pelo pessoal do Conselho.
 Depois que Drake Nightcrawler atacou, o nome de nossa família ficou mais sujo do que os Nightmare. Somos caçados desde então...e mesmo assim, mesmo nesse meio de fugas constantes...minha mãe me protegeu, me criou e me ensinou tudo que eu precisava saber. Era meu dever trazer pra casa algo que a alimentasse de vez em quando e sustentar o que tínhamos agora que já era forte o suficiente.
 - Aqui. – Marcelo me passou outra bolsa que estava dentro da bolsa dele. – Metade, metade. Ai tem três milhões.
 - Vai ajudar e muito. Obrigado, Marcelo.
 - Obrigado eu! – Marcelo disse, dando uma risada. – Com três milhões, São Paulo é minha por uma semana! – E dei uma risada junto com ele. Lucas ajeitou a bolsa nas costas e disse depois de rir.
 - Separo quando chegarmos lá, tudo bem? Eu não tinha uma bolsa extra.
 - Tudo bem. – Eu respondi. Lucas olhou rapidamente e a estação Tatuapé estava vazia.
 - Tá limpo. – Ele disse. Com um soco rápido no punho de Marcelo, eu me despedi dele. E então três borrões se fizeram da estação para as sombras da rua. Marcelo tomou seu caminho, eu e Lucas o nosso.
 E mais uma vez...me peguei pensando em Drake.
 Drake Nightcrawler...
 O que ele fez para o Conselho odiar tanto até mesmo seu nome?
 O que foi que ele fez?
 Mesmo sabendo que ele atacou o Conselho, matou um dos Três...eu sentia que havia algo a mais. Sentia que ele teve um motivo melhor do que insanidade e sede de poder como todos diziam...
 - JASON! – Lucas grita e eu acordo. Odeio quando fico tão absorvido nos pensamentos que não presto atenção no que estou fazendo.
 Acabei indo para o meio da rua. Estava rápido o suficiente para ser nada mais que um vulto ou um uma alucinação para os outros. Isso não ia ajudar muito com o caminhão de 16 rodas vindo pra cima de mim. Na verdade...era mais EU indo pra cima do caminhão...mas ainda assim não ia prestar.
 Eu saltei, tirando uma fina do caminhão. Passei por ele, e voltei a correr, com Lucas do meu lado.
 - TAVA LONGE EIN? – Ele gritou de novo.
 - ACONTECE! – Eu respondi e fizemos o resto do percurso em silencio. Passamos pelas inúmeras praças, avenidas, ruas...e por fim, havíamos chegado na Vila Formosa. Corremos mais um pouco, e estávamos na frente do prédio,  na Rua Chagu, paralela a Rua Templários. Morávamos na cobertura.
 - Me espera aqui? – Eu perguntei. Lucas concordou com a cabeça. Ele abriu a sacola e me passou quatro garrafas, colocando-as junto com o dinheiro.
 - Manda um abraço pra Ana, ok?
 - Ok. – Eu respondi e o portei abriu o portão para mim. Passei pela recepção, dei o sinal, o elevador veio...subi até o ultimo e tirei a chave do bolso.
 Quando abri o apartamento, o cheiro de canela veio com tudo. Canela e sereno, tão forte que enjoaria qualquer um que não vivesse ali, como era pra ser. Minha mãe sempre deixava a casa desse jeito. Com esse cheiro, com aquela organização e sempre lendo um livro quando eu entrava. Sempre.
 Da porta que dava para “fora”, eu tinha um minúsculo corredor que dava para sala, e no meio dele, uma entrada para uma cozinha pequena, coberta de pó, já que nunca a usamos pra quase nada. Depois da cozinha, havia uma lavanderia. Simples, mas, tinha uma maquina de lavar, que era o que tava valendo.
 O pequeno corredor dava em uma sala, com o piso de madeira claro marfim. As paredes eram brancas com quadros de paisagens que minha mãe dizia gostar. Uma era a pintura de um casal, de costas, a luz da lua, em uma cobertura do prédio, sentados lado a lado. A outra do Monumento da Independência, que ficava perto do Museu Ipiranga. Sombras que, para mim, eram do mesmo casal, entravam de mãos dadas nesse Monumento.
 Já vi minha mãe ficar olhando para isso horas e horas.
 - Mãe? – Eu disse.
 - Eu! – A mesma respondeu. Estava em seu quarto, com certeza com um livro ou vendo televisão. Ela não era de sair muito.
 Quando se é um Nightcrawler, não era em todo mundo que você podia confiar. Tanto que era o cheiro exagerado de canela que impedia que qualquer um nos farejasse. Mas isso não impedia dos poderosos poderes místicos e inimagináveis de uma mãe cujo faro é capaz de dizer qual colônia o capeta tá usando...
 Assim que abri a bolsa, ela saiu do quarto. Vestia uma bermuda jeans desfiada bem acima dos joelhos, uma blusa preta simples com um decote e pés descalços. Seus olhos estavam rubros como sempre que eu chegava.


 - Jason... – Ela disse, naquele tom e eu olhei para ela. – Andou lutando de novo?
 - A Senhora sabe que eu luto toda noite. – Eu respondi. Tirei os Sangue de Virgem da sacola e fui para a cozinha, colocando as garrafas junto com as outras.
 - Jason, já falei. – Ela veio até a porta. – Essa vida é uma merda mas, tem que tomar cuidado. Não pode se expor. – Eu suspirei colocando a ultima garrafa.
 - E como vou colocar dinheiro aqui? – Eu respondi. – Não vou ficar assaltando as casas como vejo muitos fazendo. – Os olhos dela ficaram mais vermelhos ainda e eu continuei falando. – Mãe, fica calma, tudo bem? – Eu toquei seus ante braços levemente. – Eu sempre vou vencer. E se perder, eu peço uma revanche na hora até ganhar. Não existe forma de eu perder com tudo isso em jogo. – Ela deu uma risada, piscando os olhos que se suavizaram...e então, seus dedos roçaram em minha face. Do meu queixo até meus cabelos, que ela jogou para trás e depois para frente, como sempre fazia...e ela deu um riso.
 - Não ficou nada de mim em você... – ela disse. – Seus cabelos são lisos, negros e grossos...como os da sua tia. Seu rosto é a copia do seu pai...acho que no maximo, ganhou meus olhos.
 - Os olhos mais bonitos que se pode ter. – E ela riu novamente.
 Meu pai foi um dos guardas dos Nightcrawlers. Ele morreu atraindo para longe os homens do Conselho enquanto eu nascia, juntamente com sua irmã, minha tia no caso...ambos morreram. Minha mãe não gosta de contar muitos detalhes disso e eu não a culpo. Mas bem que ela poderia ter um retrato deles...eu queria saber como eles são.
 Era estranho aquilo de certa forma. Uma sensação de que não era assim que Vampiros se comportavam em família...mas era assim que éramos. Eu me importava com minha mãe, assim como ela se importava comigo e ambos nos importávamos com todos que ajudavam a família e que faziam parte dela. E era assim que tinha que ser.
 - Vai pra algum lugar agora? – Ela me perguntou. Eu concordei com a cabeça.
 - Lucas está me esperando lá embaixo. Vamos caçar, talvez eu fique por ai em algum lugar, depois eu volto amanha, tudo bem? – Ela concordou. – Vamos caçar juntos. Que tal? Lá no Ibirapuera. – Ela deu uma risada.
- Tudo bem. – E saiu da cozinha, indo para a sala. Me apoiei na parede, vendo ela sorrir enquanto contava o dinheiro. Nunca falava o valor para ela. Ela gostava mesmo de contar o dinheiro, mesmo me repreendendo da forma que eu conseguia.
 E então...eu iniciei um assunto....que nunca comentei com ela...
 - Mãe...o que você acha sobre esse Drake? – Ela vacilou um momento, não contando uma nota...depois voltou a contar.
 - ...por que a pergunta? – Eu cruzei os braços e comecei a falar.
 - Muitos dizem por ai em voz alta que ele é pior que os Nightmare. Que ele é uma escoria. Que ele teve um fim merecido... – Ela deu uma leve risada.
 - E o que você acha, Jason?
 - Não sei exatamente. – eu respondi, perdendo o olhar. - Eu só...tenho curiosidade...entende? Como que um único Vampiro conseguiu fazer tudo aquilo? Matar um dos Três Grandes originais ainda? Não sei...poder e estupidez juntos é algo humano demais. E Drake era poderoso o suficiente para fazer tudo aquilo. Não...não acho que ele fosse estúpido a ponto de se virar contra o mundo sozinho por mero capricho ou ambição. Acho que ele teve um motivo a mais. Algo a mais. – eu tentei pensar...tentei achar uma resposta, mas...se em 60 anos não consegui, como ia conseguir agora? - Acho que nunca vou entender... Enfim, eu...mãe? – Eu senti um vacilo...uma nova fragrância vindo dela.
 - Sim?
 - ...por que a senhora está triste? – Ela deu uma leve risada, deixando o dinheiro de lado, se levantando e vindo até mim. Levantou meus cabelos e deu um leve beijo em minha testa, como sempre fazia.
 - Tenho meus motivos... – ela disse. – Agora vai...Lucas deve estar esperando. E volte pra casa, filho.
 - Sempre volto, mãe. – Eu respondi, dando um leve riso. – Tchau.
 - Tchau. – Ela me respondeu e eu sai pela porta. Apertei o botão, o elevador veio. Desci, passei todo o caminho de volta até a rua.
 - Demorou ein? – Lucas disse, fingindo um bocejo. Dei um soco no seu ombro e rimos.
 - Ok... – eu cerrei meus punhos, mirando a escuridão a minha frente. – Tá pronto pra correr?
 Lucas riu...puxou o capuz cinza de seu moletom e puxou o pano que servia para lhe cobrir o rosto.


 - Nascemos pronto, manin. – Eu ri e começamos a correr.
 Nosso objetivo era a Romero. Cheia de gente todo dia, todas as noites. Gente que vivia sumindo e ninguém ligava muito.
 - A SILVER CLAW ABRIU DE NOVO! – Lucas disse. – DÁ PRA ACREDITAR? FAZ 60 ANOS QUE AQUELA MERDA TÁ PARADA! – E ele riu alto.
 - ENTÃO JÁ SABEMOS ONDE IR HOJE, CERTO?! – E rimos juntos, correndo mais ainda. Éramos dois borrões em movimento, sem deixar rastros ou fazer qualquer tipo de som. Até que outro som...surgiu junto com nós...
 - Ein? – Eu tentei dizer...antes de sentir o impacto de um chute bem no meio das costelas. Eu não sei onde estávamos, pra ser sincero, mas fui jogado dentro de uma fabrica, grande, cheia de caixas por ai e ferramentas no chão. Meu corpo se chocou com o concreto e rachou. Lucas caiu próximo de mim, porém, parando agachado, com suas unhas fazendo riscos no concreto.
 Me levantei na hora.
 - Quem foi? – Eu rosnei comigo mesmo, enquanto observava quatro sombras entrando no deposito. Dois eram homens enormes, com capuzes lhes cobrindo o rosto. O outro era um garoto..não devia termais de 13 anos...aposto que era um recém transformado querendo ter uma reputação...e na frente de todos,  uma mulher, de cabelos curtos, a pele branca como a neve, com lábios negros, como as sombras em seus olhos.
 Ela era realmente linda.
 Mas o que me fez realmente ficar em forma de combate...era o símbolo da lua, estampado em sua roupa.
 Eles eram do Conselho.


 - Um Nightcrawler. – Um dos homens disse. – Com certeza é um. Quem diria. – Ele deu uma risada. – E um Blackheart andando com ele. Ah, só podia ser.
 - E o que quis insinuar com isso, Cadela do Conselho? – Eu disse em voz alta, enquanto Lucas se resumiu a rosnar. O sorriso do homem se desfez e ele ameaçou avançar...a mulher o conteve.
 - Fique em silencio, Colvi. – Ela disse, com uma voz sexy pra caralho. – Você sempre é impulsivo demais.
 - A senhora viu o que ele me chamou? – Ele disse.
 - Não vi. Eu ouvi. – E até eu e Lucas rimos da sua resposta. Ela riu...e quando terminou ela disse. – Agora sim...podem matar. – E os três vieram como relâmpagos. Lucas e eu atacamos também...
 Já havíamos lutado contra caras do Conselho antes. Tomamos todas as precauções depois. Mas acontece que os que me caçavam, apesar de darem uma boa luta, não era lá grande coisa...
 Esses aqui não...eles eram bons.
 Tentei acertar o garoto na jugular, o que julguei jovem demais...ele desviou como se fosse o próprio vento, para baixo...e só senti seu calcanhar no meu queixo em seguida. Assim que cai no chão, me recompus, passei uma rasteira que ele pulou para desviar...e Lucas o pegou em cheio, dando um golpe lindo, que arrancou metade da sua cabeça.
 - UM JÁ ERA! – Lucas gritou.
 - FALTAM DOIS! – Eu berrei de volta. Vitoria rápida...mas não limpa...o cara realmente me acertou.
 Me levantei e já tive que desviar de Colvi, que tentou acertar meu rosto com suas garras. Segurei seu braço e tentei puxa-lo...mas ele nem mesmo se moveu. Ele que me puxou...mas aproveitei o impulso e acertei um chute em seu rosto. Ele ia cair para trás...ele ia expor seu pescoço...eu ia...
 BOOM!
 Senti algumas costelas partindo...senti um gosto amargo demais na boca...e senti o punho daquela mulher que ordenou que nos atacassem em meu tronco.
 - Morra. – Ela sussurrou antes de me jogar para longe, me fazendo destruir de vez a parede de concreto.
 Tudo aconteceu rápido demais.
 - PORRA, JASON! – Lucas disse, defendendo os golpes e apanhando do outro cara. Colvi se levantou e começou a caminhar juntamente com aquela mulher para mim...para me matar.
 - Não... – Eu disse a mim mesmo, vendo gotas negras saírem de minha boca...sangue...eles me tiraram sangue... – Não...
 - Me deixa matar ele... – O cara no capuz disse novamente a mulher somente sorriu.
 - Faça como desejar. – Ela continuou andando, mas em passo lento, para deixar com que o cara viesse na frente.
 E volte pra casa, filho.
 Sempre volto, mãe.
 As palavras de minha mãe vieram a minha mente, me lembrando o que eu tinha que fazer. Eu tinha que levantar...eu tinha que lutar mas, não conseguia...
 - AAAARGH! – Um som nauseante veio do outro lado quando Lucas foi jogado ao chão com tudo. O outro cara ia mata-lo.
 - Não... – Eu rosnei para mim mesmo.
  Senti meu corpo tremer.
 - Não vou...
 Senti algo estranho no meu braço direito...
 - Não vou morrer aqui...
 O homem de repente parou de andar...
 - NÃO VOU MESMO! – Eu rugi...rugi de uma forma grotesca...estranha...e de repente, um calor subiu em meu braço direito. Olhei para o mesmo...ele estava vermelho...muito vermelho...começou a brilhar de repente...
 - O que? – A mulher sibilou, tirando todo o tom sexy do seu rosto.
 - Eu... – tentei dizer...mas o calor subiu ao meu corpo. Até mesmo O outro homem parou de lutar contra Lucas para assistir...assim como Lucas.
 O calor subiu...o brilho mais ainda...até que eu não fosse capaz de olhar para ele.
 - PARA! – Eu berrei. Eu não sabia o que estava acontecendo...até que senti algo no meu corpo...indo nos meus ombros e depois nos meus braços...minha mão esquentou mais ainda depois disso...e eu ouvi...

Jason...

 Era uma voz forte...alta, grave...poderosa...não...não poderia ter sido dita por mais ninguém ali...
 - QUEM É? – Eu rugi, indo ao chão, ficando apoiado com um só joelho. Colvi tentou atacar, mesmo não enxergando...e no puro reflexo, eu o ataquei com minha mão direita...que ainda brilhava...
 Foi bem em câmera lenta...eu ia ataca-lo com minhas garras...mas não foi isso que aconteceu...
 Meu braço, sozinho...apontou para frente...e um jato rápido de coloração prateada saiu da minha mão e acertou-o na cabeça. Ele virou cinzas antes de atingir o chão. O tal raio de prata atravessou o deposito inteiro e abriu um rombo na parede próximo a Lucas e o outro cara do tamanho de uma abobora...
 - O que? – Eu rangi os dentes...

Jason...

 A voz de novo...e pude ver que ninguém falava nada...e a voz era nítida demais para eu estar escutando a distancia.

Este...é meu presente para você...

 O brilho de minha mão diminuía agora...

Meu filho...

 Filho?!
 E o brilho se foi. E eu vi ali, na minha mão...o que o “brilho” havia trazido...
 - Não...é possível... – A mulher a minha frente disse.
 Na minha mão estava um revolver. Enorme. Branco reluzente, com o cabo com acabamento em madeira, provavelmente carvalho...e uma corrente, que saia dela, estava enrolada em meu braço.
 - Não...não...não...NÃO! – E a mulher tentou correr. Eu rosnei.
 - Vadia! – Eu sussurrei pra mim mesmo...e disparei. O disparo foi rápido e a atingiu em cheio nas costas...teve o mesmo resultado de Colvi.
 - JASON! - Lucas gritou e apontei a arma antes que ele me mostrasse o alvo...o outro cara ia correr...mas tudo que fez foi virar as mesmas cinzas que seus companheiros viraram. E eu fiquei ali...em choque, sem saber o que fazer realmente...
 Foi Lucas que quebrou o silencio ao me perguntar...
 - O que...é isso? – Com o braço tremendo...trouxe a arma para mais perto de mim...e no seu lado esquerdo...estava escrito: Lágrima de Prata.
 E a voz falou novamente.

Use-o bem.
Use-o para proteger.
Use-o para sua satisfação.
Use-o em seu nome.
Em meu nome.
Meu Filho.
Meu Primogênito.
Meu Legado.
Jason Nightcrawler.

 E então um trovão ressoou nos céus...e uma forte chuva começou a cair.

Um comentário:

  1. conseguiu superar a perfeição dos últimos
    PORRA MANO, FICOU PERFEITO
    *---*

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